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A Apple, dez anos atrás

O ano era 1997. A Apple vinha de um longo período de vacas magras onde, quase todos os dias, as publicações especializadas em economia e negócios estampavam um artigo pregando o fim iminente da companhia de Cupertino.

Em junho daquele ano, a revista Wired publicou uma matéria que tinha como título 101 Ways to Save Apple.

wired

Veja algumas pérolas da revista:

1. Admit it. You’re out of the hardware game. Outsource your hardware production, or scrap it entirely, to compete more directly with Microsoft without the liability of manufacturing boxes.

E continuava:

2. License the Apple name/technology to appliance manufacturers and build GUIs for every possible device – from washing machines to telephones to WebTV. Have them all use the same communications protocol. Result: you monopolize the market for smart devices/homes.

21. Sell yourself to IBM or Motorola, the PowerPC makers. You can become the computer division that Motorola wants or the alternative within IBM. This would give the company volume for its PowerPC devices and leverage for other PowerPC offerings.

27. Relocate the company to Bangalore and make it cheap, cheap, cheap.

42. Organize a telethon. Hire Jerry Lewis to get dewy-eyed over the new line of Mac products.

81. Merge with Sega and become a game company.

101. Don’t worry. You’ll survive. It’s Netscape we should really worry about. (Too true)

Na Macworld Expo daquele já longínquo 1997, Steve Jobs — que havia sido posto para fora desta mesma Apple, doze anos antes — era anunciado o novo CIO da empresa. Veja como foi:

Nos cinco primeiros minutos, a apresentação é um pouco depressiva, e mostra o tipo de cobertura da imprensa a qual a Apple estava exposta. Depois disso, a coisa muda totalmente de figura: a reação da platéia, quando Jobs é anunciado é emocionante. O resto, como vocês sabem, é história.

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Quem escreve?

Nelson Biagio Junior
Nelson Biagio Junior
Paulistano, advogado não-praticante e especialista em segurança de redes, fã de carteirinha do Mac OS X e de todos os demais produtos da Apple. Cursa Engenharia da Computação e possui as seguintes certificações técnicas: MCP; MCSA Windows 2000; MCSE Windows 2000; MCSA Windows 2003; MCSE Windows 2003 Security; MCTS Windows Vista; Microsoft Certified MSF Practitioner; Cisco CCNA; CompTIA A+, Security+ e Network +; CIW e PMP. Busca alcançar, num futuro próximo, as certificações CISSP e CISA. É responsável pelo departamento de segurança da informação em uma grande instituição financeira.

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17 Comentários »

  • Carlos Cae disse:

    É impressão minha ou a Apple depois adotou a fonte da palavra que pregava sua morte como sua identidade visual mais tarde?

  • O que eu acho mais legal é que ele já chegou botando ordem na casa. Colocando um foco na empresa. Reduzindo o numero de produtos e fazendo os que restaram melhores e mais fortes. Ainda não entendo como a Apple pôde ficar tanto tempo sem ele.

  • Amanda disse:

    Parece que a platéia não ficou tão animada com a parceria com a Microsoft e quando o Steve falou sobre o I.E. ser o navegador “default” do Mac OS, a platéia meio que vaiou a decisão (Até se escuta uns “Noooo! No!” bem alto), mas ficaram contente logo após o Steve dizer que isso não significaria que não teriam uma segunda opção de browser no Mac OS.

    Apareceu até o tio Bill na Expo!!! :D

  • Bruno Casarini disse:

    A revista deu alguns foras, e esse aqui (para mim) é um dos piores: “60. Abandon the Mach operating system you just acquired and run Windows NT kernel instead. This would let Mac run existing PC programs. (Microsoft actually has Windows NT working on Mac hardware. It also has emulation of Mac programs with NT running on both Power PC and x86)”.
    Mas a Apple seguiu alguns à risca, como esse: “19. Get rid of the cables. Go wireless” ou esse “13. Exploit every Wintel user’s secret fear that some day they’re going to be thrown into a black screen with a blinking C-prompt. Advertise the fact that Mac users never have to rewrite autoexec.bat or sys.ini files”.

  • Filipe Alvarenga disse:

    Para quem conhece a história da Apple, eu acho que esse momento foi muito emocionante… A volta do Steve foi, sem dúvida, a melhor decisão tomada pela Apple.

    O legal foi ver que algumas das decisões estabelecidas nesse evento continuam valendo até hoje:

    • investir em educação (a pouco tempo vimos que a Apple está praticamente dominando as universidade americanas)
    • investir no seu sistema operacional, pois é ele que é o coração da empresa
    • investir na novidade, no diferencial, na qualidade do produto
    • Maikel Neris disse:

      A gente fala “pérola”, mas porque estamos olhando para a matéria com os olhos do futuro: nós SABEMOS que a Apple saiu do buraco e hoje é um sucesso, e tem os produtos mais bonitos do mundo!

      Mas 10 anos atrás a história era diferente, e a matéria da Wired foi trabalhada em cima da situação; logo, as 101 refletem como era a maneira de trabalhar da Apple, e como ela estava frente ao mercado (de 10 anos atrás, claro!).

    • Luciano Hagge disse:

      Exatamente. Na época todas as sugestões da Wired faziam muito sentido. Por ironia do destino, Steve escolheu a que menos fazia sentido: pedir dinheiro emprestado para a Microsoft. E o pior é que deu certo. :D

    • [pbr] disse:

      Perola mesmo foi essa do Luciano.
      Steve nao pediu dinheiro emprestado. Foi feito um acordo, envolvendo acoes da empresa, que por sinal rendeu um baita lucro para a MS.

      E nao eh verdade que todas as 101 faziam sentido na epoca! Mesmo naquela epoca, muitas eram piadas apenas. Quem leu na epoca entendeu a piada. Agora porem algumas talvez nao faca mais tanto sentido (se bem que outras ficaram mais engracadas agora que na epoca ;-)

    • Mocomedia disse:

      É impressão minha ou o Ballmer aparece no vídeo aos 13:51?

      Em primeiro plano, mais magro.

    • Luciano Hagge disse:

      OK, eu quis colocar de uma maneira sutil, já que muitos aqui são xiitas ao extremo e colocariam bombas na minha porta. Mas então vamos deixar bem às claras: Steve vendeu uma parte da Apple para a Microsoft. Ele se vendeu pra Microsoft, pronto, foi isso. Porque chamar isso de acordo? Foi uma venda de ações, todas as empresas de capital aberto fazem isso.

      Agora, uma dúvida: quais as idéias da Wired você achava piada?

    • DarkSide disse:

      Bem das 101 ideias da Wired , tem ao menos umas 50 que a Apple seguiu a risca na verdade ela não seguiu mas foram coisas que o Jobs fez, tudo bem tinha suas perolas, mas teve muita coisa boa

    • Marcus Roberto disse:

      Com certeza foi um dos momentos mais importantes da história da Apple. Apple é Steve Jobs e Steve Jobs é Apple.
      Tenho que admitir que só prestei mais atenção à Apple no início do milênio, após o lançamento do primeiro iPod, mas imagino que nesses 12 anos sem o Steve Jobs, a empresa nem de perto parecia com a Apple que conhecemos hoje; com espírito inovador e referência em design.

    • [pbr] disse:

      Entao Luciano, foi um grande acordo entre as empresas, envolvendo inclusive patentes. Com a MS se obrigando a manter o seu pacote Office para a plataforma. Compra de acoes… Nao foi um simples investimento, nao!

      E nao lembro de nenhuma para citar. Faz tempo, ne!
      Mas nessas que aparecem aqui, voce ja encontra!!! ;-)

    • alexandre disse:

      Steve Jobs foi e sempre sera o coracao e a mente da apple…a diferenca da apple para todas as outras e simples: UNIAO DE DESIGNER, SOFTWARE E FACILIDADE DE USO. Agora, e eu moro em Londres, posso dizer que onde passo sempre tem alguem com macbook, ou com ipod touch…e todos aqui sao unanimes em afirmar que Steve Jobs e o melhor naquilo que faz…grande apple…sou apaixonado pelos produtos…

    • [...] Claro que nem tudo que eles falam é certo, como o Blog MacMagazine mostrou essa semana (para ler clique aqui). [...]

    • [pbr] disse:

      Ah sim… E ele nao vendeu uma “parte da Apple” e sim apenas acoes da empresa e sem direito a voto. E nem se sabe se foi ele Steve que vendeu. Na epoca correu o boato de que as acoes que a MS comprou eram dele. Mas me parece que nao passou de boato.

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