Google só precisa corrigir mais oito bugs críticos antes de liberar o primeiro beta do Chrome para Mac
Home » Música, Tecnologia

MP3: uma década de revolução musical

Abbey RoadYou say you want a revolution yeah, you know, we all want to change the world… Não faz exatamente uma década que o MP3 veio à tona, e que o mundo começou a descobrir como reduzir drasticamente o tamanho de suas músicas. Entretanto, faz mais ou menos isso — dez anos — que o formato de compressão de áudio começou a ganhar asas, sendo que em 1999 a revolução musical eclodiria, com a febre do Napster e de outros programas peer-to-peer subseqüentes. Além, claro, do carro-chefe da ressurreição da então Apple Computer Inc., dentro desse mesmo espaço de tempo.

Vamos saltar toda a explicação técnica de como o formato funciona. O MP3 é basicamente um formato de áudio que permite transformar, por exemplo, as 17 canções do álbum Abbey Road, dos Beatles, em 17 arquivos que hoje em dia qualquer computador consegue reproduzir. Não só isso, mas o CD cuja capa encontra-se acima também pode tocar em seu celular — se ele for razoavelmente moderno e tiver um pouco de espaço na memória –, em uma caixinha estranha chamada iPod, ou estar junto com outros 120 arquivos MP3 de qualquer gênero musical, artista, banda, dentro do seu CD de melhores músicas. Mais de 100 canções em um único CD, onde antes cabiam, no máximo, entre 20 e 25? É, reduzir um arquivo a 10% de seu tamanho original tem suas vantagens, algumas desvantagens, e muitas, infinitas, controvérsias. Talvez seja nessa última palavra da frase anterior que eu queira bater a tecla aqui.

A minha história com o MP3 começa em torno do mês de março de 2000. Eu já sabia que ele existia, mas nunca me preocupei em buscar mais conhecimento, até que a Recording Industry Association of America, querida RIAA, decidiu gritar aos quatro ventos que o MP3 tinha que ser trancafiado em um baú, e que o Napster era uma aberração da natureza a ser queimada em praça pública. Santa Inquisição!, diria Robin. Estava trabalhando como técnico de computadores nessa época, meu primeiro emprego na verdade, quando tive contato com o tal programa de transmissão ilimitada de arquivos via internet.

Com a curiosidade causada pelos noticiários, que não paravam de reportar os passos da RIAA em plena ditadura musical, acabei me tornando um revolucionário também. Convenhamos, era uma combinação explosiva e perfeita! Praticamente como queijo e goiabada. Você se conecta à Internet, busca a música que quer, e se tiver um pouco de sorte, em meia hora (poucos tinham banda larga no Brasil na época) ela está no seu computador, grátis. Opa, grátis? Mas… e o que os músicos ganham com isso?

Essa era a grande questão. Baixar um álbum inteirinho da Internet, sem pagar a ninguém, sendo que ninguém te deu, é pirataria. Praticamente um roubo. Ninguém mais se lembra, mas a banda Metallica foi praticamente a primeira a se pronunciar sobre a moda. Na época, davam entrevistas onde se diziam contra o MP3, e que tudo isso teria que ser abolido.

Normal, para quem estava furioso com o vazamento de seu álbum inclusive antes do lançamento, divulgado para o mundo, e principalmente, sem gerar nenhum lucro. Talvez eu na mesma situação culpasse o Napster e o MP3 pelo roubo do meu trabalho, dos meus dias de suor e desgaste vocal, físico… É como quando há um acidente de carro por alta velocidade, e botamos a culpa na potência do motor do veículo, nunca no motorista que decidiu abusar. Sempre fica uma nuvem densa cobrindo os reais motivos de um problema.

Para adiantar um pouco as coisas, a RIAA conseguiu castrar o Napster, conseguiu me incluir na onda da música MP3 e nessa nova “rádio pirata”, e todos nós revolucionários vimos nascimentos e mortes de Audiogalaxy, Morpheus, KaZaA… nem preciso adicionar os links a estes nomes; uma rápida busca pelo Google nos diz toda a trajetória de cada um desses programas, e talvez também todo o esforço da RIAA em bani-los do mapa. Também houve gente sendo processada judicialmente, como esta mulher, que agora terá que pagar uma pequena fortuna como pena.

O mais legal nessa ilegalidade toda é que, o que antes era algo de um pequeno grupo, quase um clã, virou realmente uma revolução musical, uma febre mundial. A cada programa de transmissão de dados que era julgado culpado, uns 5 novos eram lançados. Um vírus que os usuários de computador começaram a querer pegar, pois já não era mais necessário pagar 40 reais por um CD com 12 músicas, onde talvez só umas 3 valessem a pena. Não só isso: canções raras, algumas até impossíveis de serem encontradas em qualquer loja de qualquer lugar do mundo, podiam ser facilmente disponibilizadas para quem as quisesse ouvir.

Só que, de novo, estamos caindo na ilegalidade. Outra vez, falando em roubo, sem aspas ou itálicos. O assunto é tão complexo, que até eu mesmo me perco no meio deste texto! De um lado, a facilidade de conseguir música que, como meu amigo Thiago Martins disse, toda uma geração cresceu com a mentalidade de que “baixar música com direitos autorais no eMule não é ilegal”. De outro, o boom tecnológico com os avanços da internet e os lançamentos de dispositivos reprodutores de MP3 — e outros formatos com o mesmo propósito de comprimir arquivos de áudio –, como o iPod da Apple. De um terceiro lado, os músicos, sem saber muito bem o que fazer pelo medo de perderem suas fortunas ao verem seus CDs estagnados nas prateleiras das lojas.

E rodeando isso tudo, a RIAA, fechando o jogo de gato-e-rato, queimando bruxos da programação na fogueira da justiça, incentivando a criação de codificações para proteger CDs dos programas de conversão a MP3… Houve uma gravadora que conseguiu fazer com que vários de seus CDs, em determinado momento dessa história, fossem lançados com uma proteção que impedia a reprodução em computadores.

Não sei se era um CD da Britney Spears… Para muitos, isso foi um progresso da humanidade, mas para as jovens adolescentes e meninas-prodígio da Informática, como explicar que o CD de sua artista favorita não podia tocar em seu computador, porque a RIAA proibiu? “Mãe, a RIAA é muito feia!”, só faltavam as crianças dizerem isso.

Pois é, praticamente dez anos, em que muita coisa mudou no mundo da música — a aliteração foi necessária agora. Temos reprodutores de MP3, e outros formatos, de inúmeras marcas, temos lojas online que vendem música, em uma tentativa de tornar legal e correta toda essa revolução, que na verdade poderia perder o “r” e ser chamada, tranqüilamente, de evolução.

Evoluímos, oras! Hoje é possível ter toda uma coleção de música dentro de uma caixa de baralho, chamada iPod! Há o preço da perda de qualidade, do tempo que demora converter um CD completo em MP3, mas compensa. Ou será que não? Há dez anos atrás, eu nem sonhava com isso. Hoje, posso deixar minha enorme caixa de CD duplo do Anthology 2 dos Beatles no Brasil, e escutar o álbum nos confins da Espanha, legalmente, enquanto escrevo um artigo para o BLOG. Cujo assunto, aliás, poderia até dar um livro. Basta somar a ele a pancadaria no mundo do vídeo também, e teremos aí duas revoluções. Ou evoluções.

E o que será para os próximos 10 anos? Comprar música digital em lojas onde antes se vendiam discos LP, CDs? Emissoras de rádio que só trabalham com MP3? Quais surpresas nos trará a maravilhosa RIAA? Novos processos jurídicos, proibições? Afinal, foi graças a ela que eu descobri que podíamos ter 50 “megas” em 5. O MP3 é quase um Juscelino

« Mac bate marca de 7% de market-share mundial, diz Net Applications Vídeo-aula: apresentação do Dock do Mac OS X »

Artigos relacionados

Quem escreve?

Fernando Porteiro Jesus
Fernando Porteiro Jesus
Apaixonado por Apple, por Fórmula 1, e por otras cositas más. É professor de qualquer coisa que saiba, mas basicamente de inglês, espanhol e informática, seja qual for a plataforma. No momento, vive na Espanha, por força do destino. Mas é do Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa.

Produtos do seu interesse

This website uses IntenseDebate comments, but they are not currently loaded because either your browser doesn't support JavaScript, or they didn't load fast enough.

6 Comentários »

  • Kevin KO disse:

    O MP3 é indispensável. Para mim, é uma das 7 maravilhas do mundo, pois garanto que na minha vida é uma das coisas mais úteis e importantes que há. Sempre amei música.
    Quando descobri o P2P, logo criei em minha mente de que eu não estava pagando pelo que adquiri, e que era errado assim como roubar bala da padaria. Era incrivel uma criança de 10 anos ter uma mentalidade dessa, em meio de muitos outros amigos que não pensavam o mesmo. Resisti optando por gastar a minha mesada inteira e algumas economias em CDs onde eu ficava repetindo 2 de 15 faixas do album o dia inteiro. Se eu fosse pagar só pelo que eu ouvia de um CD de R$ 40, seriam só R$ 5 reais gastos do meu salariozinho mensal.
    Fui suportando a armagura até um dia eu estourar. No dia 2 de dezembro de 2003, chegou ao mundo o CD que eu mais esperava em tempos – Identidade, da dupla pop Sandy e Junior. Saí procurando o CD em várias lojas. Nada do CD. Voltaram as aulas, e eu ainda não o tinha em mãos para exibir aos meus colegas e fãs da dupla. Pior. Eles já tinham, ou no computador, ou gravado no CD, ou comprado pirata – só um deles tinha o original. Só fui adquirir o meu no começo de fevereiro.
    Desde então, vi que era inútil viver em paz com a lei. Me tornei um criminoso sim, mesmo que eu me sentisse mal pelos downloads. Até hoje me sinto assim.
    Eu até tento evitar, mas não dá. O preço que pago em um CD de rock, eu gasto com muito bom gosto em dois shows de rock independente no fim de semana, e ainda sobra pra uma ou duas caipiroskas no meio de cada um dos concertos, sem falar nas minas que você cata lá a noite. =P
    Ultimamente, me aderi ao iTunes Store para algumas músicas comprando alguns gift cards no Mercado Livre e de viagens de alguns amigos que vem do exterior. Já fiz a pré-venda do novo CD do Jack Johnson, feliz por ter adiquirido-a da loja online mais nobre que eu conheço, sendo tudo legalmente. ^^

    Desculpem o desabafo. Mas mesmo eu sendo um criminoso, eu sei muito bem qual o valor artístico de um bom album, do mesmo jeito que sei o valor monetário da minha mesada.

  • André Sugai disse:

    Muita saudade do Napster, era um programinha muito bem sacado, acho que artista que se manifesta contra só o faz por medo de ser demitido da gravadora ou por saber que não se sutenta com as próprias pernas, como você disse é a evolução do modo como consumimos música, a época de grandes gravadoras que ganhavam rios de dinheiro com o lançamento de discos e cd´s está cada vez mais longe, e artista de verdade ganha dinheiro com os shows e não com a venda de cd´s por isso acho que artista que confia no que faz acho que só tem a lucrar com a facilidade de distribuição de sua música através do mp3 e das redes p2p.

  • @Kevin KO,
    parabéns por estar usando iTunes Store. agora voce está quase dentro da lei. pelo menos tá pagando pelas musicas, só não tá pagando os impostos para o governo brasileiro… mas nao tem iTS no Brasil ainda né? fazer o que… ah… parabens também por ter melhorado seu gosto musical! :) Jack Johnson rocks!
    hehe

  • Kevin KO disse:

    Claro! Jack Johnson rules! AHahah!

    Era gosto de infancia. Comecei a mania do S & J por causa de algumas apresentações de final de ano na escolinha onde tinhamos que dançar a música “Splish Splash”. No final, peguei a mania.

    Hoje estou purificado. Linkin Park, Tokio Hotel, Regina Spektor, Korn, Mary J Blige, Good Charlotte, The Kooks, KT Tunstall, Blink 182, Queens of the Stonage, Björk, Green Day, Lily Allen, Maroon 5, Muse, meiko, Nickelback, Placebo, RHCP, Robbie Williams, Timbaland, The White Stripes (nesse falta um baixo) e por aí vai…

  • Rudá O. disse:

    Parabéns cara, muito bem escrito!!

  • Mac Porteiro disse:

    Obrigado Rudá :D

Deixe um comentário!

Envie o seu comentário abaixo, ou um trackback do seu próprio site. Você também pode assinar estes comentários via RSS.

Seja legal. Jogue limpo. Foque-se no tópico. Sem spam.

Você pode usar estas tags:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Este blog é integrado ao Gravatar. Crie um você também!

Aviso: todo e qualquer texto publicado na internet através deste sistema não reflete, necessariamente, a opinião deste weblog ou de seu(s) autor(es). Os comentários publicados através deste sistema são de exclusiva e integral responsabilidade e autoria dos leitores que dele fizerem uso. O autor deste weblog reserva-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou de alguma forma prejudiciais a terceiros. Textos de caráter promocional ou inseridos no sistema sem a devida identificação de seu autor (nome completo e endereço válido de email) também poderão ser excluídos.