Apple anuncia promoção Black Friday 2009; Online Store Brasil também participará
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Os donos da bola

Ninguém gosta de ser deixado de fora de uma festa. Imagine que um garoto acabou de ganhar uma bola de futebol novinha em folha e que ele chama todo mundo pra inaugurar o brinquedo, mas deixa seu melhor amigo de fora. Pior ainda: deixa seu melhor amigo e você de fora. :(

It's my way or the highway.

It's my way or the highway.

A reação inicial é dizer que este garoto é um pedante, petulante, um filho duma pessoa, uma criatura desalmada com vocação pra ser ditador, genocida e merecedor de um julgamento de guerra no Tribunal de Genebra. Mas… a bola é dele, não é? Então, de acordo com os princípios da propriedade privada, ele tem o direito de regular quem tem acesso a ela. Se ele veta você e seu melhor amigo, azar: é um direito dele tanto quanto é um direito seu impedir que ele jogue no seu PS3. Chato e revoltante? Sim. Ilegal? Não. :|

A questão é: de quem são a App Store, o iPhone, o iPod touch e o OS X iPhone? São da Apple, não são? Então por que ela deveria ser obrigada a deixar todo mundo usar e abusar deles da maneira que entendesse?

Não sou a favor de práticas ditatoriais ou simplesmente estúpidas, apenas fico intrigado quando não dão a César o que é de César. Não é como se a App Store fosse um espaço público, uma praça na qual pessoas são impedidas de entrar por força. A loja pertence a uma empresa e seu espaço é destinado à venda/distribuição de software para uma plataforma que (uia!) pertence a esta mesma empresa. Os aplicativos são dos desenvolvedores, mas devidamente aprovados para produtos Apple.

Por pior que seja para desenvolvedores como Fraser Speirs (o responsável pelo Exposure), que já ventilou suas queixas, as práticas adotadas pela Maçã são um direito dela. Entre outras coisas, Speirs considera que a situação de só ter a avaliação da Apple depois do software estar terminado leva a um desperdício imenso de tempo e dinheiro, sem falar na dificuldade para conseguir investidores para as empreitadas — que passam a ser de alto risco, diante de um possível veto. Na opinião dele, seria essencial à App Store publicar um código de conduta claro para os desenvolvedores saberem o que pode e o que não pode ser publicado nela, além de abrir um canal de comunicação que permitisse a um programador saber se o conceito de seu aplicativo combina com a iTunes Store ou não.

O estopim dessa reação? Um aplicativo chamado Podcaster recentemente foi rejeitado porque duplicaria funções do iTunes, mais especificamente, a de atualizar podcasts. Mas com o diferencial de que o download de novos episódios poderia ser feito direto por uma conexão Wi-Fi, sem um computador — muito menos o iTunes — agindo como intermediário. Vale ressaltar que Speirs apaixonou-se por tal funcionalidade assim que soube dela e que seu coração se estilhaçou, diante do veto. Como resultado final, ele declarou que não produzirá novos aplicativos para a App Store até que certas condutas dela mudem.

Os vetos ou permissões idiotas que certos aplicativos de iPhone/iPod touch recebem são nada mais, nada menos, do que uma empresa exercendo seu direito de controlar algo que é seu. Tá, o aparelho é seu, não dela, mas a imagem dele ainda pertence à Apple. E iPhones flatulentos não são exatamente o tipo de publicidade que se quer, né?

No fim das contas, a recomendação é não criar expectativas: acima de tudo, a Maçã é uma empresa que quer lucrar e manter-se em sua posição vantajosa. Portanto, nada de assumir que, de uma hora pra outra, ela vai virar apoiadora incondicional de todo e qualquer programa… flatulento. ;)

And that, as they say, is that.

« BOMBA! iPhone 3G no Brasil confirmado para o dia 26; novos MacBooks Pro em outubro Apple ocupa o sexto lugar mundial em venda de computadores »

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Quem escreve?

Halex Pereira
Halex Pereira
Formado em Ciências Biológicas e estudante de Direito pela UFC, Helton Alexandre “Halex” Pereira mora em Fortaleza (CE) e, aos 26 anos, conserva o gosto excêntrico de lutar pela integridade emocional de gadgets indefesos. Adora absorver informação e aprender coisas novas. Ele também estuda alemão, é concurseiro e gosta de desenhar nas horas vagas. Não, ele não tem vida própria, mas acredita que um dia será capaz de sustentar os caprichos de sua pequena família de iGadgets — um iPod touch 1G e um MacBook (Early 2008), carinhosamente chamados de touchy e Mack, respectivamente.

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22 Comentários »

  • Mas o direito a expressão ainda existe, e deve ser respeitado. Concordo com vc no seu comentário sobre a Apple como empresa, especialmente como empresa de sucesso no capitalismo selvagem norte-americano, e, acima de tudo, não entendo como pessoas se apropriam de idéias e ídolos para si, e saem como últimos pregadores da verdade divina. Abraço.

  • Renato Ornelas disse:

    Ia ser excelente este programa.. era algo que a própria Apple deveria ter colocado. Agora esta história de duplicar funcionalidade é pura lorota…

    Se fosse assim, não era pra ter liberado leitores de RSS, já que tanto o Safari quanto o Mail.app tem esta função.

  • mário disse:

    a apple deveria dar mais liberdade aos desenvolvedores, mas uma coisa que me chateia muito é a falta de games na app store brasil, a nova propaganda do ipod touch é que ele é o ipod mais divertido, bem isso depende do país que vc mora, e estamos incluidos nessa lista de países

  • whinston disse:

    Infelizmente (eu vejo dessa forma) a Apple tem muitos fãs e boa parte deles, cegos de amor pela empresa e seus produtos. Diante disso, não importa qual a merda que a Apple faça, sua receita ainda é crescente. Me lembra muito o Brasil, onde o presidente faz merda em cima de merda, tem escândalo e em cima de escândalo e a aprovação dele tá acima de 90%.

    Não importa quão impopular sejam as medidas que a Apple toma as vezes.. A bola é dela, o Jobs é e sempre foi assim e dificilmente vai mudar. Quando eles botam algo na cabeça, é daquela forma e ponto final. Não gostou? Não compra (mas o público compra).

    Eu não entendo até agora como a Apple justifica que em virtude da falta de tempo teve que priorizar certas coisas em razão de outras e até hoje não existe um Copy&Paste, função que o finado Newton (da própria Apple) tinha há 10 anos atrás.

    Ela prefere ficar brincando de gato e rato com os clientes, ao invés de liberar geral e faturar com as vendas via iTunes.

    Vai entender……….

  • Filipe disse:

    Acho ridiculo o modo como a Apple massacra e desestimula novas ideias dos que desenvolvem para sua plataforma!!!
    Você só poder instalar um programa(legalmente) via iTunes é pura sacanagem, por isso que apoio o jailbreak porque quem decide o que eu instalo no ipod touch que eu comprei, sou eu e não o fabricante escroto metido a Deus da tecnologia que determina o certo ou o errado!

  • mario disse:

    @Filipe
    escroto é o desenvolvedor que sabe que a loja da maçã é escrota e mesmo assim tenta fazer escrotisses

  • cometa disse:

    Halex, não sei se concordo, não.
    Será que vc teria a mesma opinião se só pudesse instalar programas num Mac via o iTunes e a App Store? Afinal, o iPhone é vendido como um eletrônico capaz de rodar aplicativos de terceiros. Acho que a postura pouco razoável da Apple em relação à App Store vai começar a ser pior pra imagem dela do que um programinha que solta pum! :-)
    Bom, é minha opinião, o debate está aí.

    Abraço!

  • whinston disse:

    Acho que com a enorme valorização das suas ações e sobretudo por ser uma empresa ‘cool’, a Apple se esquece que esteve em situação financeira bem complicado a pouco tempo.

    Devido a essa mentalidade do Jobs de querer controlar tudo e todos, os PCs se multiplicaram, enquanto os Macs ficaram com nichos de mercado.

    O Palm teve um enorme sucesso pois a fabricante fazia o equipamento e os programadores que tivessem interessem, corriam atrás e lançavam suas aplicações, sem qualquer censura. Em menor proporção, mas com o Windows Mobile foi assim também.

    Concordo com o autor do artigo, que o fabricante tem todo direito legal de por as restrições que bem entender a seu produto. Contudo, como bem frisou o fabricante do software, existe muita gente fazendo aplicações pra iPhone pra ganhar uns poucos trocados, mas tem muita empresa séria que trabalha sobre projetos, ou seja, saiu dinheiro/ tempo pra um sistema, tem que ter retorno. Se a Apple ficar com essa frescura de ‘isso pode, isso não pode’, sem deixar bem claras as regras do jogo, todos perdemos.

    Eu me sinto um verdadeiro trouxa de gastar dezenas de dólares na Apple Store e ser tratado como um bandido toda vez que sai um novo Firmware. Existe muitas pessoas que nunca sequer compraram nada, usam tudo pirata e usam tranquilamente os ‘hacks’. Por que, disso? Será que o modelo de negócio é adequado?

    Me lembro de uns anos atrás quando lançaram um site “Eu gosto da Apple, mas a Apple não gosta de mim”. É exatamente assim que muita gente se sente.

  • Deny Dias disse:

    A Apple é sim a dona das bolas iPhone, iTunes Store, App Store, Mac, OS X e muitas outras. Algumas são ótimas, outras nem tanto, outras são péssimas. Mas a qualificação vai do gosto, da culura e da instrução de cada um.

    A Apple quer quer que o iPhone seja uma plataforma. E propagandeia isso aos quatro ventos. Mas o iPhone não é nem nunca vai ser uma plataforma. Pressupõe-se que uma platafroma seja algo que nenhum indivíduo ou companhia controle. E o iPhone e sua App Store são puro controle.

    O Mac (o que se chuta e o que se xinga) é uma plataforma, ainda que o trademark seja da Apple. Existe um Developer Tools gratuíto que qualquer ser dotado de inteligência e interesse pode baixar, aprender e sair desenvolvendo coisas. Até um e-Peido que custa zilhões de dinheiros. Se alguem vai comprar é outra história, isso é o mercado. Mas o sujeito tem o direito de desenvolver o e-Pum e cobrar por ele o quanto quiser. E a Apple, e nem ninguém, podem fazer nada contra.

    Quando a Apple barra aplicações na App Store sem dar uma boa razão para isso – e razões como “gosto duvidoso” ou “função duplicada” não o são – ela dá um recado claro para os desenvolvedores: “Cuidado! A sua idéia pode ser genial e pode haver mercado para ela, mas quem decide isso somos nós”. Quem em sã consciência vai usar tempo, dinheiro e conhecimento para desenvolver algo novo sob uma ameaça assim?

    As colocações do Speirs são bastante razoáveis. No final das contas, ele só pede que a Apple torne claro que tipo de coisa entra ou não entra na App Store. Ele não chega sequer a ser petulante a ponto de exigir que a Apple deixe entrar qualquer coisa. Apenas sugere que ela seja clara. E por quê ele pede isso?

    Só para citar um exemplo: a IBM vem desenvolvendo o Lotus Notes para o iPhone. Ora, mas é uma “função duplicada” e tanto! Afinal o iPhone, se não me engano, tem um cliente de email, fala com o Exchange e tudo o mais. Se seguirmos a lógica aplicada ao Podcaster, o iNotes jamais poderia figurar no acervo da App Store, quanto mais ser parte do anúncio da mesma no Developers Conference, num anúncio do Steve himself. Mas no nível em que a IBM e Apple se enquadram, o corporativo, as coisas se ajeitam na base da negociação e da política. E o iNotes será uma realidade, com “função duplicada” e tudo.

    Mas o desenvolvedor autônomo não pode lançar mão dessa negociação e dessa política. Nem a Apple poderia sentar à mesa com cada um deles. Compreensível. E aqui entra a razão do pedido do Speirs: ele quer um contrato.

    Um contrato prévio acabaria com a possibilidade de um investimento que você só vai saber se valeu ou não se a Apple se manifestar a favor, publicando o aplicativo na App Store. O problema é que a Apple faz isso da seguinte maneira: “Nós não divulgamos previamente a ninguém o que pode e o que não pode. Desenvolve aí. Quando você acabar, a gente diz se pode.” Descobrir que não pode nos 45 do segundo tempo bem chato. Mais chato do que o garotinho chato aí do nosso amigo autor do artigo.

    Abs,

  • André Bonaparte disse:

    Os aplicativos da App Store devem sim ser verificados para evitar problemas com a estabilidade, segurança, usabilidade do iPhone, iPod Touch. Porém o veto a programas que podem aumentar a funcionalidade do produto é um tanto quanto complicado. A App Store é propriedade da Apple? Claro que sim, mas se ela não disponibiliza um tipo de software que é feito por um terceiro e simplesmente veta por esse motivo é meio estranho.

    Vamos ao exemplo do copiar e colar: o iPhone/ iPod Touch não têm esse recurso, porém um desenvolvedor, em notícia aqui do próprio blog, conseguiu uma forma de utilizá-lo. O que a Apple fez? Vetou a intenção de se lançar o produto.

    Se ela não desenvolveu nada parecido porque não deixar se desenvolvido por terceiro? Afinal de contas é para isso que servem os desenvolvedores.

    Adoro os produtos Apple, uso já faz algum tempo, porém não fico cego quando acontece alguma coisa dessas. Ela pisa na bola (a Apple), e essá, para mim, foi e está sendo uma pisada de bola! Como justificar, vetar um produto de copiar e colar, que seria muito útil para muita gente, e deixar vender por um período um software chamado “I am rich” pela bagatela de US$ 999,00, que não faz absolutamente nada!

    Coisas que não consigo entender.

    Mas enfim…. é a Apple.

    abs

  • Ou o Steve não quer que terceiros lucrem com a Apple exatamente por ele não fazer parte do mundo dos jogos, ou não está satisfeito com a porcentagem que a Apple ganha nisso, ou ele não consegue enxergar que um país inteiro poderia estar comprando mais na iTunes (que nem existe no Brasil) ou AppStore e gerando mais lucro pra Apple. Simples assim!

  • Halex Pereira disse:

    Primeiramente, obrigado a todos que comentaram! Vocês fizeram uma excelente extensão pro artigo! Obrigado! :)
    Gostaria ainda de ratificar minha posição em relação à Apple e a quaisquer outras empresas das quais eu seja consumidor: é importantíssimo sempre sabermos onde estamos nos metendo e com quem estamos lidando. Quando se trata de uma relação consumidor/parceiro + empresa, a ignorância nunca é uma bênção.
    @ cometa:
    Sua discordância foi excelente! Em resposta a ela eu digo que, caso só fosse possível instalar programas num Mac via iTunes e a App Store, a opinião que expressei neste artigo não mudaria, mas eu pensaria duas (ou três) vezes antes de comprar um Mac. É tudo uma questão de saber quais os recursos e quais as limitações que um produto oferece: mais uma vez, a clareza das informações é determinante. ;)

  • House disse:

    Um dia não muito distante, a microsoft foi acusada de monopolio, por colocar junto ao seu sistema operacional, tres programas que estavam, e acabaram matando a concorrencia, eram internet explorer, windows media player e recentemente o msn, que agora deve ser baixado…muito bem, todos ficaram felizes, a microsoft é do mal, etc…
    Mas, incrivel, a apple segue o mesmo caminho e de maneira muito pior, o itunes tem que aguentar goste ou não ja que o ipod e iphone funcionam apenas por ele, o app store é a apple quem escolhe se um produto deve ou não ser colocado a venda, o safari pro iphone não tem concorrente, ainda que funcione perfeitamente, a apple não aceita que outros podem fazer melhor, e fazem, veja o firefox…enfim, tenho iphone 3G amo a apple, mas o caminho que ela escolheu a longo prazo pode trazer problemas…neste instante é tudo festa…o mundo esta apaixonado pelo iphone, ipod, e toda a familia…mas daqui a algum tempo quando a concorrencia lançar produtos a altura, pode ser um grande problema a apple

  • House disse:

    Completando, alguns poderiam dizer que este é o melhor momento da apple, ja que nunca se vendeu tantos produtos da maça…mas a minha pergunta é simples,,,até quando a apple vai aguentar, com seus computadores atrasados na tecnologia^^ veja, tenho um mac pro, lindo funciona etc…mas a acer, pela metade do preço lança um com BluRay, 4 gigas de memoria, 350 de hd, etc etc etc…ok windows vista esta instalado, mas colocamos o Xp que esta maduro, funciona, e quem diz que não não sabe o que diz…e pronto, temos um computer perfeito…bem, falta o osx mas digamos quase perfeito…
    Espero que a apple não se esqueça que ouvir seus consumidores, é e sempre sera o segredo do seu sucesso

  • Laércio disse:

    É por essas e outras que, se eu fosse comprar algo do gênero hoje, pensaria MUITO antes de decidir entre um iPhone/iTouch e um Nokia N810. O primeiro tem as suas conveniências, tem uma ótima usabilidade e é bastante popular, mas o segundo tem uma plataforma aberta e não está amarrado a nenhum iTunes da vida.

  • Andre disse:

    Eu me divirto lendo os comentários aqui.. hahaha

    A Apple tem todo o direito de escolher o que entra e o que não entra pra festa, é o modelo de negócio desenvolvido por eles, eles inventaram o produto e o sistema.
    Os iPhone Killers estão aí, há opções de escolha. A Apple não obriga ninguém a comprar seu produto e deixa bem claro que o download é via app store.

  • gandralf disse:

    Só vou falar um negócio: meu amigo comprou um phone bluetooth super bacana para usar com seu iPhone. Funcionou? Não! Por que? Porque iPhone é Apple (fechadona / IBM 2.0). Ele está puto? Pode apostar. Principalmente pq ele sabe que este negócio não funcionou pq a Apple quer assim, de filosofia fechadona, mesmo.

    Ah, e este phone funcionou com tudo quanto é aparelho concorrente que suporta blue tooth? Sim, sem nenhum problema. Só com a Apple que não.

  • Marc disse:

    A Apple tem o direito de fazer o que quiser com a plataforma fechada dela. Não é diferente do PS3, Xbox ou Wii. Todos esses consoles possuem um sistema de licenciamento em que o desenvolvedor passa por uma avaliação do dono da plataforma. A Nintendo é excelente em vetar vários jogos que não se adaptam aos padrões dela. A Sony já rejeitou vários jogos que ela considerou inadequados para o PS2.

    App Store é um sucesso… do ponto de vista da Apple. Para mim, só tem dois aplicativos que uso e são gratuitos. Não compraria nenhum aplicativo disponível hoje na App Store por completa falta de interesse. A qualidade no geral está ruim porque a Apple motivou um sistema baseado exclusivamente no modelo de venda. Clique em “buy item” e o dinheiro estará na sua conta sem preocupações, diz a Apple para os desenvolvedores. E assim vários desenvolvedores descobriram que podem fazer qualquer porcaria, colocar no ar e esperar os lemmings clicarem para comprar. Ela planificou o sistema de divulgação e venda de aplicativos. Diminuiu os riscos. Ótimo para alguns desenvolvedores e um desastre para outros.

    No modelo aberto clássico, cada um seria responsável pela divulgação e distribuição de seus aplicativos. Qual é a beleza desse sistema? O desenvolvedor que quer vender assume mais riscos, precisa realizar mais divulgação e compensa com um trabalho melhor.

    O sistema da Apple é tão bom que acabou atrapalhando. Tornou a venda fácil demais e todo mundo está comprando enquanto a qualidade vai para o espaço. Não existe estímulo para melhorar a qualidade dos aplicativos. Na perspectiva do desenvolvedor ele pode fazer qualquer aplicativo mediano porque o retorno ficou quase certo.

    É simples. Se eu fizer um aplicativo meia-boca consigo vendê-lo por 2 dólares, atingindo 2000 mil pessoas. Se eu me empenhar mais, aumentar o custo de desenvolvimento, termino com um aplicativo excelente por 10 dólares, mas vendo para apenas 200 pessoas. Como o risco ficou todo planificado a primeira situação é obviamente mais rentável. Se o aplicativo fosse vendido em sistema aberto a primeira situação perderia porque o desenvolvedor gastaria muito em divulgação para tentar ser tão conhecido quanto o aplicativo de qualidade excelente. Ele nunca consiguiria vender o seu aplicativo meia-boca por 2 dólares e consequentemente teria que subir seu preço para perto dos 10 dólares. A segunda situação sairia favorecida. Com a App Store os riscos foram dimiuidos. Vale mais a pena fazer um aplicativo por dia, inundar a App Store com porcaria e esperar os desavisados comprarem, do que gastar dois meses em algo bom que provavelmente vai sair mais caro e não terá o mesmo apelo de compra.

    Eu dou exemplo simples. Dois aplicativos com a mesma função são vendidos na App Store e servem para conectar a servidores VNC. O primeiro é o Mocha, vendido por 6 dólares e o segundo é o Teleport, vendido por 25 dólares. A princípio fazem a mesma coisa. Mas teste os dois. O Mocha é um aplicativo incompleto e bugado. O XXX é um aplicativo sensacional, com efeitos bacanas e mais recursos, mas o mais importante é que ele consegue manter uma conexão estável. Você obviamente percebe que o desenvolvedor gastou muito tempo polindo o segundo aplicativo (estabilidade de conexão; o cara dominou a API multitouch para conseguir fazer algo útil) e seria impossível para ele valorizar menos o trabalho feito. Não preciso dizer que o Mocha é um campeão de vendas, apesar dele simplesmente não funcionar. Assim, qual o estímulo para se fazer bons aplicativos? No mercado comum, aberto, é a demanda. Na App Store é nenhum.

    Enfim, os bons desenvolvedores podem acabar sem estímulo para continuar. Podem voltar a desenvolver para desktop ou migrar para outras plataformas móveis.

  • Marc disse:

    Corrigindo meu post:

    “O XXX* é um aplicativo sensacional, com efeitos bacanas…”

    * Teleport

    Estava procurando o nome do aplicativo e acabei esquecendo de substituir.

  • Wisemen disse:

    caras, a Apple só quer foder os outros! cada vez mais ela mergulha em desgraca, pelos constantes erros que vem cometendo, mas os apple maniacos xiitas sao os culpados por tais atitudes, por venerar demais a quem precisa aprender muito!

  • Marc disse:

    Esqueci de concluir o raciocínio. HEHEHE

    Enfim…

    Eu concordo com essa forma de controle. Passado o primeiro arrastão de aplicativos a Apple precisa mandar uma mensagem clara de que é necessário focar na qualidade. A falta de criatividade na App Store é algo absurdo. Quantos aplicativos de lanterna ou calculadoras de gorjeta precisamos? A Apple pode até conseguir ganhar dinheiro com a participação na venda de aplicativos mas o objetivo maior é fortalecer a plataforma. Se ela não tomar uma atitude a App Store vai virar uma máquina de caça-níqueis para desenvolvedores.

    Não adianta aplicar conceitos de mercado aberto numa plataforma fechada. Ela criou um cenário artificial de oferta-demanda e vai precisar aparar as arestas de vez em quando.

  • disse:

    O que mais me espanta é que AINDA assim as vendas de iPhone só aumentam e todos continuam felizes com seus aparelhos. Na boa, tudo bulshit, o pessoal reclama, reclama, e ainda continua pagando pau.

    Com ressalvas concordo com o Halex, essa é a política da empresa, ninguém é obrigado a comprar iPhone ou iPod Touch. Comprou tem que se submenter às regras do fabricante, simples assim. Cheguei até a ficar com vontade de ter um Touch sabe? Mas quando descobri que ele não atualizava pelo Wi-Fi desisti, é assim que funciona, se não me serve então não tenho.

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