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De graça, até injeção na testa! XVII

Uma terça-feira com ofertas pobres na iTunes Music Store não faz um Halex feliz. Nem ninguém. Hoje, pouco se salva da seleção de gratuidades, a não ser que você curta muito rappers fanhos ou ingleses insondáveis — fãs de country e música retrô, dêem um passo à frente, também –, pois é só o que vamos encontrar pela frente. Eu definiria as músicas de hoje como “um abalroamento”.

Se alguma coisa fizer você continuar lendo, tenho certeza que será a curiosidade mórbida (ou schadenfreude, por saber que eu ouvi estas canções! Várias vezes!!). Vamos direto ao assunto, para a dor acabar logo?… :(

Toda semana, encontramos uma faixa de um artista ou banda de que gostamos e a trazemos até você, gratuitamente, como nosso Single of the Week. “Jealous Enemies” é a faixa de abertura do novo álbum de Dark Captain Light Captain, Miracle Kicker. A balada tem uma complexidade onírica acompanhada por um benção de harmonia folk. Eles são quase como uma prole sonhadora dos Kings of Convenience com um dos momentos mais quietos do Radiohead.

O pessoal da iTS devia estar bem lombrado inspirado, na hora de escrever esta apresentação. Não à toa: “Jealous Enemies” (link para a iTunes) é uma verdadeira alucinação auditória, com vocais sussurrados e um violãozinho em primeiro plano repetindo a mesma meia dúzia de notas ad eternum. Ótimo para uma sessão de hipnose. Há um clima de mistério e assombro no som desta banda inglesa e, aparentemente, os caras se propõem a oferecer sons alternativérrimos, como você poderá comprovar pelo perfil deles no MySpace. Ah, não se dê o trabalho de clicar no link que eles oferecem por lá: a página oficial da banda, na verdade, está aqui. E deixa muito a desejar, por sinal, assim como o som deles. IMHO: 2/5 Para quem gosta de músicas com ares de enigma.

Nosso Discovery Download põe em foco um gênero diferente a cada semana, oferecendo uma faixa gratuita que julgamos merecer sua atenção. Vindo do Mississippi, Randy Houser é um novato no mundo da música country, pelo menos deste lado do microfone. Ele trabalhou como compositor em Nashville nos últimos anos (famoso por participar na autoria de “Honky Tonk Badonkadonk”, o sucesso de Trace Adkins). Desta vez por conta própria, “Anything Goes” é uma peça mambembe country-rock, com um toque do arrastado de Nova Orleans nas teclas.

A história de um compositor que tenta ganhar os palcos me lembra sempre Coyote Ugly, não sei por quê. Bem, tirando a parte que tem as garotas com pouca roupa servindo drinks e dançando sobre um balcão, a melodia de “Anything Goes” (link para a iTunes) lembra o estilo da trilha sonora do dito filme, sendo um tanto piegas e clichê. Apesar disso, agrada. Talvez eu esteja me descobrindo um fã de música country, dados os meus comentários sempre positivos quando o estilo aparece nas ofertas gratuitas da iTunes… Bem, de qualquer forma, digo que vale a pena dar um pulinho no perfil do Randy no MySpace e ouvir outras músicas do cara, que são bem legais — mais que a ofertada pela iTunes, inclusive. Só tome cuidado ao pisar no site oficial: o player de lá não tem controle de volume — ear blaster! — e algumas fotos dele vão fazer seus olhos sangrarem, pois são verdadeiros Photoshop Disasters. IMHO: 3/5 O cara é feinho, mas tem talento e voz.

Toda semana, encontramos uma faixa de um artista ou banda que está na crista do sucesso e a trazemos a você, gratuitamente, como nossa Canción de la Semana. O DJ porto-riquenho conhecido como Dragon fez sua fama como o homem por trás dos decks e produtor para artistas como Alex y Wibal e Nestor Torres, no passado. Agora, ele dá um passo à frente e pega o microfone em sua estréia, The New Face. “Nada Sin Ti” acerta em cheio o som de um clube pulsante, cavernoso e preenchido por ecos, com synths maciços e vocais tunados, mas com um balanço inspirado por reggaeton que guia a melodia.

O pessoal da iTS diz que ele deu um passo em direção ao microfone, mas eu digo que o Dragon deveria ter evitado isso. “Nada Sin Ti” (infelizmente, link para a iTunes) é a grande prova de que ele não deveria fazer essas coisas. Não mesmo. Estou começando a pegar abuso de reggaeton, por conta destas tranqueiras que a iTunes rebola prá gente semana sim, semana não. E mais: eu o-di-ei o que fizeram com os vocais — ou não, pois devia ser bem pior sem as distorções. IMHO: 0/5 Pobre, pobre, pobre de letra, de melodia, de arranjos, “pobre de marré de si”!

Q-Tip é um artista do Queens, New York, além de ser um ator ocasional. O “Q” em seu pseudônimo significa “Queens”, o bairro nova-iorquino que ele saúda. Isso também significa a habilidade dele em entrar nos ouvidos de alguém (”Q-Tip” significando “cotonete”). Ele também gosta de se referir a si mesmo como “the Abstract” [o Abstrato] e “Kamaal the Abstract”.

[Adaptado do artigo sobre Q-Tip, na Wikipedia.]

Eu sempre tremo nas bases quando um rapper aparece na iTunes Store… Bem, o que dizer deste vídeo? O som dele é bom? Não. Ele é um completo lixo? Não. Devo reconhecer que, apesar de “Gettin’ Up” ser apenas uma tentativa distante de canção ou até mesmo de rap, o vídeo ficou bem legal, com edição e fotografias interessantes. Combinado com os efeitos especiais e o figurino camaleão do rapper — sim, ele está com um guaxinim morto na cabeça –, bem, saiu um resultado visual curioso. Se você curtir — afinal o ouvido gosto é seu –, dê uma sacada no perfil dele no MySpace, que é bonitinho, cheio de gradientes suaves e fontes Helvetica, contando com músicas na mesma linha que esta. No fim das contas, siga a recomendação do otorrino: cotonete faz mal pro ouvido. IMHO: 1/5 O Q-Tip é fanho e a batida da música é chata, mas assistir ao clipe não causa tanta dor quanto apenas escutar a música.

Chris Cornell – Ground Zero

Chris Cornell se vê preso no mundo da nova série policial da ABC, Life on Mars, com uma performance inspiradora de seu novo sucesso, “Ground Zero”.

Remake de uma série de duas temporadas produzida pela BBC na Inglaterra, Life on Mars tem neste vídeo clipe uma propaganda descarada, mas muito mais descarada que os clipes de seriados das semanas anteriores. Apesar disso, conseguiram uma façanha com a edição de imagens: as cenas são perfeitamente sincronizadas com a batida, algo muito legal. Especialmente porque o som de “Ground Zero” (link para a iTunes) é interessante, com um toque retrô — afinal de contas, este é o mote da estória — e as batidas são empolgantes. Ainda não exibida no Brasil, Life on Mars parece ser o tipo de série sem pé nem cabeça que acaba deixando os próprios autores desnorteados. E, acredite: o final do clipe vai deixar você tão sem chão quanto o protagonista do seriado e o cantor… IMHO: 3/5 Só se você curtir muito o Chris Cornell ou som retrô — eu me enquadro neste último caso.

Num post scriptum: quem for fã do desenho Todos os Cães Merecem o Céu, saibam que a iTS está dando três episódios da série de graça — como sobrevivente da década de 80, eu posso dizer que chorei no final do longa metragem… Vale a pena dar uma olhadela, ainda que não seja tão bom quanto o filme. E quem ainda não tiver o clipe fofinho da Norah Jones cantando sobre o Y (“Don’t Know Y”, na iTunes), aproveite: ele ainda está disponível! Ah! Schadenfreude é uma palavra alemã para designar “a alegria de ver a desgraça alheia”.

Bem, por enquanto é só! Caso você saiba de alguma canção que passou pelo radar, dê a dica através dos comentários. Pontos extras se ela for melhor que as acima mencionadas — requisito que não é difícil de atender. No mais, até próxima terça!

Caso você ainda não seja cadastrado na iTS americana, recomendo a leitura deste post.

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Quem escreve?

Halex Pereira
Halex Pereira
Formado em Ciências Biológicas e estudante de Direito pela UFC, Helton Alexandre “Halex” Pereira mora em Fortaleza (CE) e, aos 26 anos, conserva o gosto excêntrico de lutar pela integridade emocional de gadgets indefesos. Adora absorver informação e aprender coisas novas. Ele também estuda alemão, é concurseiro e gosta de desenhar nas horas vagas. Não, ele não tem vida própria, mas acredita que um dia será capaz de sustentar os caprichos de sua pequena família de iGadgets — um iPod touch 1G e um MacBook (Early 2008), carinhosamente chamados de touchy e Mack, respectivamente.

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