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Saiba por que a Apple precisa permitir que usuários testem programas da App Store antes de comprá-los

iPhone App StoreEste assunto já foi discutido e citado por nós diversas vezes aqui no MacMagazine, porém, agora que o Google anunciou uma política de devolução de 24 horas no Android Market, o tema voltou à tona, inevitavelmente. Um artigo publicado ontem pelo Edible Apple não poderia resumir melhor a situação e o porquê de a Apple necessitar copiar o Google, agora mais do que nunca.

A analogia feita com aplicativos convencionais para o Mac OS X e o Microsoft Windows não poderia ser melhor: mesmo softwares dos mais caros são há muito tempo disponibilizados para testes, sejam em versões totalmente funcionais mas com limite de uso (as chamadas trial, que podem ser limitadas por tempo ou por quantidade de execuções) ou em versões shareware, com alguns recursos capados a menos que o usuário pague pelo produto. Em ambos os casos, a coisa funciona e sempre funcionou muito bem. Por que, então, o mesmo não aconteceria na iPhone App Store?

Com mais de 20.000 aplicativos disponíveis para compra/download, está cada vez mais difícil separar o que presta do que não presta na loja da Apple. Dividi-los por temas e publicar rankings dos mais populares ajuda, mas aos poucos deixa de ser suficiente. As pessoas até arriscam comprar um título de US$1 que têm dúvida se vale a pena ou não, mas nunca fariam o mesmo com um de US$8, por exemplo. E isso, meus caros, é um grande problema.

App mais caro = garantia de qualidade?

A menos que estejamos falando de um desenvolvedor tapado ou espertinho, cobrar acima da média de US$1 a US$3 por um título da App Store significa que o produto possui qualidade e/ou recursos realmente bacanas e bem trabalhados. Quando se leva isso em consideração, temos que ponderar que existem empresas investindo pesado na plataforma para criar aplicativos e jogos superiores à avalanche de títulos de US$0,99 e, portanto, necessitam obter retornos significativos para que continuem inovando e trabalhando em seus projetos.

Diante desse medo de gastar e se arrepender, muitos consumidores acabam não investindo mais em programas e games de que possivelmente gostariam, obrigando esses desenvolvedores a abaixar os preços para conseguir elevar a demanda pelo produto. A priori isso pode soar bom para nós, que poderíamos gastar menos por algo que vale mais, mas por outro, pode terminar afastando empresas que não obtenham as receitas esperadas com suas criações.

E as versões “Lite”?

Disponibilizar versões “Lite”, como muitos têm feito, também não é a resposta: pra começar, o desenvolvedor perde tempo trabalhando numa versão alternativa de um projeto só para tentar alavancar as vendas da versão paga. Para isso, ele precisa avaliar e ponderar quais recursos/funcionalidades serão removidos da versão completa, bem como fazer todo o processo de preparação e de logística para distribuir o modelo mais básico.

Como se não bastasse, isso só contribui para aumentar ainda mais a bagunça na App Store; se já estamos falando de 20.000 títulos, imagine só se todos fizessem isso, o que aquilo ali não viraria?

Nós pagamos, mas queremos testar!

O x da questão toda é que os consumidores estão, sim, dispostos a pagar mais por aplicativos e jogos de qualidade superior, porém não irão fazê-lo se não estiverem seguros da compra. É por isso que a Apple precisa oferecer uma política de devolução de 24 horas, tanto quanto o Google, ou ao menos implementar um sistema de testes dos títulos que permita à pessoa experimentá-los antes de bater o martelo clicar no botão “Buy”, nem que seja por umas três ou quatro horinhas.

Tal modelo deve ser seguido pelo pessoal de Cupertino tanto quanto por todos os que se aventuraram em projetos semelhantes à App Store. A política garante que os consumidores estejam sempre satisfeitos e, ao mesmo tempo, dá uma chance para que criações mais complexas e ambiciosas sejam colocadas à venda, com a certeza de que obterão o sucesso devido.

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Quem escreve?

Rafael Fischmann
Rafael Fischmann
Graduado em Comunicação Social com Habilitação em Publicidade e Propaganda na Universidade Salvador - UNIFACS, tem paixão pela Apple e seus produtos desde quando adquiriu seu primeiro iMac (um G3 Blueberry), em agosto de 2000. Possui hoje um MacBook Pro unibody de 17 polegadas, um iPod video de 80GB, um iPod shuffle de 2GB e um AirPort Express. O mais novo integrante da família é um iPhone 3GS preto de 32GB.

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