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Resenha: Scribbles, o Paint que me faltava

ScribblesMomento revelação: eu sou um switcher. Um switcher que gosta de desenhar nas horas vagas, diga-se de passagem. A vida num MacBook branquinho corria tranquilamente, a interface Aqua cumprindo bem seu papel (it’s so beautiful, you’ll want to LICK it!) e a suíte iWork ‘09 sendo muito mais do que eu jamais pensei que pudesse conseguir comprando um software por tão pouco. Só que um problema apareceu quando eu quis desenhar um stickman para mandar pra uma amiga: cadê o Paint?!

Meu mundo caiu: como é que o Leopard, o grande gato de Cupertino, não tem nada que sirva para desenhar ao menos um bigode na cara da Natalie Portman? Como fazer uma piadinha “Remember, remember, the fifth of November” sem colocar um cavanhaque nela? Felizmente, minhas preces foram atendidas e, na última missão do MacHeist 3, uma pequena maravilha caiu no meu colo.

Vamos falar do Scribbles!

Primeiramente, ele não é exatamente um substituto para o Paint: não dá pra abrir bitmaps nele, aliás, ele nem trabalha com bitmaps! Os desenhos feitos são vetoriais e usam a extensão .ptn, que eu nunca tinha visto antes.

A premissa é simples e o programa é leve e ágil, coisa do tipo “abriu, rabiscou, salvou/exportou, correu pro abraço”. Só que, apesar de não servir para desenhar uma seta apontando para um elemento numa captura de tela ou desenhar chifres nas fotos dos seus amigos, quando falamos de “desenho do zero”, o Scribbles oferece um tantinho mais que o Paint. A começar pelo sistema de infinite canvas: vá desenhando, não precisa se preocupar com limites…

Scribbles - Zoom

Como ele não trabalha com pixels, aparece logo uma vantagem: zoom infinito. Sim! É tudo vetorial, então você pode ampliar o desenho o quanto quiser, ele nunca vai ficar pixelado. Contudo, desenhar detalhes com a imagem ampliada e depois exportá-la num formato menor pode se provar frustrante, pois a renderização de detalhes não parece usar muito bem recursos gráficos para tornar linhas finas mais suaves. Deixo a seguinte dica: seja feliz, desenhe e exporte a imagem num formato enorme (escolha magnificação 8x, na caixa de diálogo Export). Depois, no Preview do Leopard, faça o crop necessário e redimensione. Mais sobre isso no final do post…

Scribbles - FormatosA interface é tudo o que podia-se esperar da Apple (kudos para a atebits!): limpa, simples, linda, funcional. Navegar entre todas as ferramentas é coisa que uma criança faria em instantes, mas não se engane, que isso se deve à facilidade de uso, não à simploriedade do programa. Só que existe um problemão: a barra translúcida de ferramentas no rodapé conta como parte da imagem, então na hora de exportar o arquivo vetorial (formatos disponíveis ao lado), você tem que levá-la em consideração… Tomara que revisem isso, numa futura versão. :-( Ah! E só o que você desenhar “existe”: se você exportar para .png, por exemplo, lembre de pintar um fundo, ou seu desenho vai ficar transparente.

Scribbles - Ferramentas

Você pode escolher entre pincéis e borrachas duros ou macios, um pincel caligráfico, dois tipos de textura, uma ferramenta de sombreamento, uma “gosma” ou (a criançada vai adorar este!) um pincel de arco-íris. Há também como girar e reposicionar, além de um conta-gotas para escolher cores na imagem (a mira, abaixo e à esquerda da cor). Parece pouco, diante do que um Photoshop da vida oferece, mas acredite: é mais do que suficiente para fazer um cartão de aniversário personalizado ou um rabisco rápido de cartum.

Scribbles - Layers

Outros recursos bem legais são um grid, que deixa a janela como um papel quadriculado, e o modo trace paper, que deixa tudo transparente, assim você pode desenhar “cobrindo” qualquer imagem que haja por trás da janela do Scribbles. Não acabou: ele usa layers. Sim! Camadas, e com ajuste de transparência! Num desenho você pode, por exemplo, fazer um rascunho grosseiro translúcido, depois os contornos numa camada e as cores de cada elemento em outra. Quem desenha sabe o quanto isso é útil…

Eu mencionei que ele usa e abusa de Core Animation? Só vendo em movimento para entender o quanto as transições e transformações são fantásticas! É coisa pra fazer qualquer usuário do Windows morrer de inveja… :-P Abaixo, você pode conferir duas versões de meu pequeno experimento com o Scribbles (não é uma obra de arte, mas dá pra entender a intenção, espero). À esquerda, o arquivos exportado diretamente; à direita, o que eu fiz exportando em formato grande e redimensionando no Preview (clique para ampliar):

Scribbles - How do you like them apples? Scribbles - How do you like them apples? 2

Por fim, a cereja: se você tiver uma tablet (não precisa ser uma Wacom: eu uso uma Genius 4500 e nem me sinto menor por causa disso), o Scribbles tem total suporte a níveis de pressão, seja na transparência do traço ou em sua espessura. Sem dúvida, o mouse não foi para desenhar e a falta de formas geométricas ou de entrada de texto no Scribbles deixa na mão aqueles que não usam bem o rato para movimentos precisos (eu, neste grupo).

Se você não pegou o Scribbles na terceira missão do MacHeist 3, não vou colocar o dedo na ferida: mil perdões por não ter trazido esta recomendação antes! (Não esqueça, porém, que o bundle completo será revelado hoje à noite!)

O Scribbles custa US$20 — um pouco caro, na minha opinião; se fossem US$10, eu diria “compre, AGORA!” sem pestanejar. Porém, no site da atebits eles dizem claramente que é “gratuito para baixar e experimentar por quanto tempo você quiser”. Portanto, experimente! Se você gostar muito, faça uma forcinha pra apoiar os caras: eles mandaram muito bem com este programa e seria excelente ver mais coisas deste tipo aparecendo para a plataforma Mac. (Para ajudar na sua autoestima decisão final, dê uma sacada na galeria oficial, o que o pessoal consegue fazer com o Scribbles!)

Ah! Se você for um twitter viciado, dê também uma sacada no app para iPhone OS da atebits, o Tweetie (US$3 na App Store).

Que seja para constar, só com o Scribbles, eu continuaria sem ter como desenhar um bigode na Natalie Portman, mas você pode conferir um Paint para Mac aqui e desenhar bigodes, cavanhaques, chifrinhos… em quem quiser!

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Quem escreve?

Halex Pereira
Halex Pereira
Formado em Ciências Biológicas e estudante de Direito pela UFC, Helton Alexandre “Halex” Pereira mora em Fortaleza (CE) e, aos 26 anos, conserva o gosto excêntrico de lutar pela integridade emocional de gadgets indefesos. Adora absorver informação e aprender coisas novas. Ele também estuda alemão, é concurseiro e gosta de desenhar nas horas vagas. Não, ele não tem vida própria, mas acredita que um dia será capaz de sustentar os caprichos de sua pequena família de iGadgets — um iPod touch 1G e um MacBook (Early 2008), carinhosamente chamados de touchy e Mack, respectivamente.

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