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Garotas semi-nuas e letras sujas denunciam: há algo de podre na iPhone App Store…

Na semana passada, uma aprovação e uma rejeição de apps na App Store me fizeram lembrar da famosa frase shakespeariana “Há algo de podre no reino da Dinamarca”. O reino aqui é o modelo de distribuição de software um bilhão de vezes bem sucedido que a Apple criou para fazer parte do ecossistema do iPhone OS como a iTunes Store já era para os iPods com click wheel.

A aprovação em questão foi a do app de strip-tease softcore Peekababe (US$1, na App Store), que parece piorar a mesma história do Crude… digo, PrudeBox (US$1, na App Store), que foi aprovado depois de mudar sua interface, mas quase nada do conteúdo. A rejeição inicial do Peekababe foi por um motivo óbvio, ainda que injustificado: ele contém imagens de moças que, ao virar/tocar o aparelho, perdem as roupas automagicamente, ficando apenas em trajes íntimos — e as fotos podem ser salvas na galeria do aparelho, inclusive. Veja só, que inócuo:

Imagem de Amostra do You Tube

Nada de mais (TV aberta brasileira, alguém?), porém até que um tanto coerente com o perfil da App Store… mas por que o mesmo app, com as mesmas moças em trajes sumários, foi aprovado e está no ar agora? Só porque o desenvolvedor colocou uma classificação de “inapropriado para menores de 12 anos”? Poupai-me a suspensão de descrença. :-/

The Downward SpiralA rejeição que mencionei no início do texto consegue, inacreditavelmente, ser mais ridícula ainda. O Nine Inch Nails, ao tentar atualizar seu app recentemente, recebeu um sonoro “NÃO”, por conter elementos questionáveis. O álbum The Downward Spiral seria o culpado pela rejeição, segundo Trent Razor. Por conter letras explícitas (na música “Closer”: “I want to f*** you like an animal”), dá pra entender, pois a App Store tem aversão a tudo o que é levemente sexual, certo?

Então como se explica o mesmíssimo conteúdo já estar presente na versão atual do nin:access (gratuito, na App Store)? E por que o álbum em questão está à venda na iTunes Music Store? NADA faz sentido — com muita boa vontade, eu posso fazer de conta que acredito que os avaliadores só perceberam a presença do Downward no app agora, na atualização.

Obviamente, como você já acompanhou no MacMagazine , o processo de aprovação da loja de aplicativos para iPhone OS é, no mínimo, ridículo-tosco-podre-ineficiente da forma que é hoje. Muito acertados foram os leitores que o compararam a certos aspectos da justiça brasileira — na qual, a depender do juiz que pegar o caso, pode-se perfeitamente saber da sentença antes da primeira audiência. Está ficando cada vez mais óbvio que a aprovação de um app depende de quem o avalia, como está seu humor no dia, se sua quota de produtividade está aquém/além do esperado e outras coisas super objetivas e fáceis de prever. Quem sabe até o tempo em Cupertino desempenhe algum papel nisso…

Eu não queria estar nesta situação: ao tentar dar conta de um negócio que inchou tresloucadamente e fez pessoas comuns ganharem pequenas fortunas, a Apple simplesmente dormiu no ponto e deixou, de alguma forma, o caos tomar conta das portas para a loja de aplicativos. Alguém deveria, agora, criar um app que diga se um app vai ser aprovado ou não na loja (algo tipo este, mas com uma interface melhorada). :-P

O que você acha que solucionaria essa bagunça instalada nos bastidores da App Store? Compartilhe seus pensamentos nos comentários!

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Quem escreve?

Halex Pereira
Halex Pereira
Formado em Ciências Biológicas e estudante de Direito pela UFC, Helton Alexandre “Halex” Pereira mora em Fortaleza (CE) e, aos 26 anos, conserva o gosto excêntrico de lutar pela integridade emocional de gadgets indefesos. Adora absorver informação e aprender coisas novas. Ele também estuda alemão, é concurseiro e gosta de desenhar nas horas vagas. Não, ele não tem vida própria, mas acredita que um dia será capaz de sustentar os caprichos de sua pequena família de iGadgets — um iPod touch 1G e um MacBook (Early 2008), carinhosamente chamados de touchy e Mack, respectivamente.

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