Snow Leopard: entendendo o novo método de entrada de caracteres chineses via trackpads multi-touch
Além do suporte nativo para o método de entrada dos teclados sem a tecla cedilha — vulgo “Estados Unidos Internacional” (viva! :-D) —, muitos outros aprimoramentos foram adicionados ao Mac OS X 10.6 Snow Leopard. Entre tantas funções inovadoras implementadas no novo sistema operacional da Apple, destaco aqui as voltadas para o Oriente — principalmente para estudantes de línguas japonesas/chinesas —, dentre as quais está o suporte à escrita diretamente pelo trackpad multi-touch.

Por uma questão de hardware, infelizmente esta funcionalidade só está disponível nos MacBooks Pro lançados a partir de outubro de 2008, MacBooks lançados a partir de janeiro de 2009 (exceto o modelo branco) e MacBooks Air. Neste artigo, descrevo um pouco o funcionamento desta ferramenta no Felino das Neves e as alterações dos métodos de entrada de teclado.
Como aficionado de idiomas, escrevo no Mac em chinês, japonês e português, e uma das novidades nesta versão é a mudança de entrada, que é mais visual e prática. Quando ativo o atalho de teclado correspondente ao método de entrada, é apresentada agora uma tela semelhante à que aparece quanto alternamos entre programas pelo atalho Command + Tab. Nas versões anteriores do Mac OS X, só era possível visualizar a mudança na barra de menus.
Há suporte de entrada para o chinês simplificado (usado na China continental) e também para o tradicional (de Taiwan). Ao contrário do que muitos pensam, infelizmente ainda não há compatibilidade total com o método de entrada japonês.
Diferentemente do chinês, este possui mais dois alfabetos além dos famosos ideogramas Kanjis/Hanzi, que são o Hiragana e o Katakana. Por ora, não há o reconhecimento destes caracteres. Senti falta de ainda outra coisa, que é a ausência do reconhecimento do alfabeto fonético de Taiwan — o Zhuyin —, uma forma de representação fonética simplificada do chinês.
Apesar de todos esses fatores, o recurso continua sendo muito útil, já que o japonês e o chinês compartilham muitos ideogramas entre si. O método de entrada pelos trackpads multi-touch permite uma maneira diferente de interação e estudo que dispensa acessórios, como uma tablet. Por exemplo, se me deparo com uma imagem com um ideograma desconhecido e quero pesquisar no dicionário do Mac, posso utilizar este recurso para adicionar o caractere.
Por ironia, este era um dos recursos de que sentia falta e que já existia no Windows XP, veja só! :-P
Método de entrada japonês da Microsoft
No geral, o reconhecimento de caracteres presente no novo sistema é muito eficiente se for usada a ordem de traços correta, claro. Sem dúvida uma melhoria muito bem-vinda para quem usa o Mac e precisa escrever em chinês ou em japonês. ;-)






alguém poderia me dizer quais as diferenças de escrita entre o japones, chines simplificado e tradicional?
olhando os caracteres parece tudo igual.
O japonês e o chinês compartilham muitos ideogramas, por isso a confusão entre as línguas. Contudo, se não me engano, no chinês, escreve-se tudo com ideogramas, enquanto no japonês, há o hiragana e o katakana, que são alfabetos com caracteres que representam um som, assim como o alfabeto latino.
Agora, dentro dos ideogramas, alguns ideogramas em japonês são escritos com ordem de traços (sim, há uma ordem correta de fazer os traços) diferente da do chinês. Essa ordem de traço é essencial para procurar um ideograma no dicionário, por exemplo.
valeu !
Complementando: tanto em japonês quanto chinês, há ordem de traços para todos os ideogramas e para os alfabetos fonéticos (hiragana e katakana no japonês, zhùyīn no chinês). Até mesmo o círculo usado como ponto final "。" tem ordem (é feito em sentido horário). Embora, na prática, não faça diferença, para calígrafos faz, já que, com pincel, um traço interfere no outro.
Abraços
@Alexandre
Os japoneses adotam 3 sistemas de escrita: hiragana, katakana e kanji. Hiragana e katakana são silábicos, cada símbolo representa um sílaba e não tem significado isolado (é apenas fonético). Katakana é usado para palavras estrangeiras e hiragana para palavras japonesas. Às vezes o katakana também é usado com palavras japonesas para algum destaque (mais ou menos como o nosso itálico). O hiragana geralmente é usado para partículas (como nossas preposições), conjugação de verbos (por exemplo, a parte principal do verbo em kanji e a terminação indicando passado ou presente em hiragana) e vários outros usos. Kanji é um sistema de escrita importado da China, em que cada símbolo apresenta uma ideia (pode ser algo concreto ou abstrato). Com o tempo, alguns kanji divergiram, ie, Japão e China às vezes usam o mesmo kanji com significados diferentes, há vários usados na China e que não são usados no Japão e alguns poucos exclusivamente japoneses.
Na China, os kanji são chamados de hànzì. Em Taiwan, é comum usar o termo guózì (letra nacional, traduzindo diretamente, enquanto hànzì, ou kanji, seria letra de Han, uma dinastia chinesa).
Em chinês, a escrita é feita exclusivamente com os ideogramas, sem alfabeto fonético. O alfabeto fonético de Taiwan, zhùyīn, é usado para indicar a pronúncia dos ideogramas, mas não no dia a dia. Zhùyīn é muito usado em livros infantis, mas a partir de determinada série (que eu não sei qual), os livros trazem apenas os ideogramas sem as leituras. Na China, adota-se o pīnyīn (que usa letras romanas, exemplos nesse mesmo texto: as palavras "pīnyīn", "zhùyīn", "guózì" e "hànzì" foram escritas com esse sistema) para indicar o som.
Quanto à diferença entre tradicional e simplificado, a China, durante a revolução cultural, fez uma reforma nos caracteres para reduzir a quantidade de traços de cada um. Assim, por exemplo, 國 virou 国 e 甚麼 virou 什么 (peço desculpas a quem não tem as fontes instaladas, provavelmente apareceram interrogações ou quadrados). Taiwan não concordou com a mudança e continuou usando caracteres tradicionais. Como curiosidade, Japão também fez sua simplificação, mas não foi tão drástica quanto a China e, embora alguns kanji coincidam com os hànzì simplificados, a maioria coincide com tradicional. Em alguns casos, difere de ambos.
Espero ter esclarecido sua dúvida.
Abraços
Só acho sacanagem da Apple liberar a funcionalidade apenas pra trackpads multitouch. Especialmente levando-se em consideração que é muito mais fácil desenhar os caracteres com o mouse e que essa funcionalidade já existia no Windows NT há uns 12 anos atrás.
Eu não acho mais fácil usar o mouse não, pois sou canhoto e uso o mouse com a mão direita. :P
[2]
Pena que não tem hiragana e katakana =\\
Pena que não tem hiragana e katakana =\\
Mas pra escrever em hiragana e katakana basta digitar o fonema em romaji (alfabeto romano. Ex: sa, ta, shi, etc…) que ele substitui quando o idioma japonês está ativo mesmo no 10.5
E a solução nem é da MS. Fail.
Boa Solução
Será que vai ter como usar esse recurso em outros Macs com tablets???
[...] :-D Os avanços que a Apple implementou nos trackpads multi-touch de laptops recentes não servirá apenas para o desenho de caracteres asiáticos: a Ten One Design mandou muito bem a lançou nesta semana o Autograph, um aplicativo que permite a [...]
[...] de um complemento para o artigo publicado sobre o mesmo assunto, e resolvi fazê-lo porque fica abstrato explicar em texto o funcionamento da coisa. Detalhe: ela [...]
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