Mac OS X 10.6 Snow Leopard: QuickTime X vai bem além do novo Player
Em seu 18º ano de vida, o QuickTime chega a nós não apenas com uma nova cara, mas também com novas propostas, que refletem quais escolhas a Apple fez para determinar a melhor forma de se distribuir conteúdo multimídia no futuro. Isso não está contido apenas no novo Player que os rumores “profetizaram” através de mockups, mas também em uma nova arquitetura invisível para o usuário final, que vem sendo construída há muito tempo.
Para que possamos entendê-la, devemos voltar um pouco no tempo para conhecer o que a Apple fez com a estratégia multimídia do Mac OS X nos últimos anos. No Leopard, ela é muito importante nas nossas vidas, mas algumas decisões tomadas pela equipe de desenvolvimento do Snow Leopard podem trazer insegurança para muita gente que quer mais no dia-a-dia do que um player melhoradinho.
Adaptações da sua parte poderão ser necessárias a depender do caso, mas, na pior das hipóteses, o QuickTime 7 está no DVD do novo Mac OS X, às suas ordens. A nova versão, no entanto, traz muitas novidades: uma descrição detalhada de algumas delas é apenas parte do que você verá a seguir.
Conhecendo o QuickTime X como usuário final
Você já deve conhecer bem o QuickTime 7 no Mac OS X (se não, recomendo que assista a uma vídeo-aula do Rafael) e sabe quais são as suas funções básicas de visualização e também o que ele oferece na sua forma avançada (e paga). São coisas como edição simples, gravação de áudio e vídeo e a possibilidade de armazenar filmes da web no seu computador, por meio do seu plugin online.
Na versão 10, o aplicativo não só ganhou uma nova forma visual que valoriza o conteúdo visto nele, mas também algumas funções existentes na edição Pro da versão anterior, como o recurso de cortar partes indesejadas de vídeos (que é muito mais intuitivo, diga-se de passagem):
Junto dos recursos de gravação de áudio e vídeo, está uma nova função para gravação de screencasts, que, apesar de não proporcionar a mesma flexibilidade de edição do existente em aplicativos como o ScreenFlow, é uma mão na roda em diversas situações — especialmente quando você pode publicar um trabalho onde será possível visualizá-lo em alta definição, como o YouTube.

Apenas para dar a você uma visão mais clara do que estamos falando, a seguir está um gravação de tela realizada no QuickTime X:
Obviamente faltou mostrar a vocês no vídeo a interface para configurar a gravação, além do painel de exportação e publicação. O processo realmente é muito eficiente: em menos de 10 minutos, eu gravei cerca de 90 segundos de vídeo, exportei em alta resolução e publiquei no YouTube, usando um MacBook 2009 conectado à porcaria do a uma banda larga Speedy de 2Mbps. A razão para isso acontecer de uma forma tão rápida será explicada daqui a pouco.


Outro ponto do aplicativo no qual podemos notar avanços é o seu plugin na web. O Eduardo Marques, membro do nosso time de colaboradores, foi o primeiro entre nós a notar o novo design dos controles para visualização de conteúdo no browser:
Acredito que esses são os principais pontos do novo QuickTime X que vocês poderão notar de cara. Há muito mais no site da Apple sobre ele, mas ainda não acabamos o nosso papo sobre a principal tecnologia de multimídia do Mac OS X: assim como o Snow Leopard em geral, seus maiores avanços estão nas suas bases. Porém, para vê-los em detalhe, devemos conhecer o cenário de onde viemos.
Compreendendo o legado das tecnologias do QuickTime
Depois do Finder, o QuickTime deve ser um dos aplicativos mais antigos para Macintosh em operação. Desde 1991, a Apple fez dele um aplicativo pioneiro em diversos aspectos da computação pessoal: o primeiro vídeo executado em um computador destinado a consumidores foi o famoso comercial 1984, codificado com seus recursos. Mais tarde, foi o primeiro a suportar streaming de áudio e vídeo, e hoje é referência no mercado profissional, carregando tecnologias que formam o padrão da indústria para vídeo em alta definição.
Logo no início, ele já possuía os codecs básicos para vídeo, gráficos e animação que se tornariam essenciais nas nossas vidas com o passar dos anos. Foi quando surgiram novas tecnologias para lidar com áudio, imagens e mídia interativa, além de interfaces de programação capazes de adaptá-lo para diversas soluções multimídia e aplicativos para o System 6 e 7 e também para o Mac OS 8 e 9.
No Mac OS X, o QuickTime foi incluído com uma das suas tecnologias-chave, que ajudaram a modernizar o sistema da Apple a partir da base antiga de interfaces de programação. Isso não apenas facilitou o trabalho de desenvolvedores para a criação de aplicativos que usam a mesma estratégia multimídia moderna do Mac OS X, mas também contribuiu na atualização dos seus componentes por parte da Apple, em cada nova versão do sistema.
Contudo, com o passar dos anos, um monte de codecs e interfaces de programação (com mais de 200 formatos de arquivo suportados) foram empacotados aos poucos no aplicativo, adequando-o aos avanços de que a indústria de entretenimento precisava. Tecnologias como MPEG-4 e H.264 são importantes, mas não conseguiram eliminar a dependência de outras que já estavam no Mac OS há mais de uma década, impedindo avanços mais ousados com a oportunidade de inovar em melhor desempenho, maior facilidade de uso (para usuários e programadores) e maiores resoluções de saída. Logo, surgiu a necessidade de se realizarem mudanças mais drásticas.
QuickTime 7: uma chance de tornar as coisas mais fáceis e eficientes para o futuro
Muito do que foi estruturado pela Apple no QuickTime X começou a ser arquitetado na versão 7, lançada com o Mac OS X 10.4 Tiger. Os principais ingredientes da receita usada por ela foram dois formatos: AAC (para áudio) e H.264 (para vídeo). É óbvio que as demais que já existiam foram reprojetadas nesse novo modelo, mas essas duas se destacaram com o tempo, graças a uma combinação de suas capacidades para adquirir maior qualidade de reprodução sem exigir uma largura de banda enorme.
GarageBand e iTunes são exemplos de onde os recursos do QuickTIme 7 são amplamente adotados hoje em dia
O objetivo desta versão do QuickTime foi oferecer uma arquitetura de desenvolvimento simplificada, direta e de fácil implementação em aplicativos. Por meio de um novo conjunto de interfaces de programação agrupadas como QTKit no Mac OS X, aplicativos de terceiros e da própria Apple se tornaram muito mais eficientes ao trabalhar com áudio e vídeo, contando com a eficiência da dupla AAC + H.264 no desktop, o uso de arquivos 3G para multimídia móvel, suporte a diversos formatos da indústria e também a outras tecnologias do sistema, que permitem fácil processamento de conteúdo sem exigir muitos recursos das máquinas suportadas.
A principal diferença dessa nova arquitetura do QuickTime em relação à antiga é que a necessidade de lidar com a dependência de tecnologias gráficas de legado foi eliminada (apesar de elas continuarem sendo suportadas). Daqui veio o plano de estabelecer o QTKit com o caminho a ser seguido para tirar proveito de capacidades multimídia em futuras versões do Mac OS X, mas, para reforçar essa ideia, foi preciso estimular desenvolvedores a migrar para esse novo modelo, através de recursos introduzidos no Leopard.
Para começar, o QTKit foi promovido como o único meio de acessar o poder do QuickTime em um aplicativo em 64 bits. No topo disso, a Apple trouxe novas interfaces de programação para facilitar a captura de vídeo (QTKit Capture APIs) a partir de múltiplos dispositivos e/ou câmeras, com qualidade e sincronização áudio/vídeo profissional até para o mais simples dos softwares de terceiros. Além disso, foi trazido ao Mac OS X o suporte a vídeos em H.264 com canal alpha.
A partir daí, o uso das tecnologias mais antigas caiu bastante, mas não foi suficiente para eliminá-las por completo. Talvez muitos utilitários de vídeo que você usa atualmente (Perian, Flip4Mac, DivX, etc.) estejam no grupo daqueles que não suportam a nova fundação do QuickTime: por isso, ainda foi preciso manter a versão 7 na instalação do Snow Leopard.
O que faz do QuickTime X algo além de um novo Player?
O QuickTime X, por baixo dos panos, possui uma arquitetura de mídia atualizada, baseada no trabalho da Apple com o QTKit da versão 7. A sua estrutura foi tão otimizada que entrega rapidez na reprodução de vídeo em alta definição até para o mais fraco dos Macs atuais, porém com a dependência mínima da GPU NVIDIA 9400M.
Esse desempenho não apenas se aplica a vídeo, como também para áudio em AAC, que pode ser trabalhado com muito mais facilidade do que antes, mesmo que a largura de banda disponível não seja muito alta. Graças a isso, você pode ter melhores conversas multimídia com seus amigos no iChat do Snow Leopard, que apresenta uma qualidade de visualização muito maior, até quando a sua conexão de internet não é muito boa.
Ainda nos bastidores do Player, você vai encontrar código em 64 bits sendo orientado pelo Grand Central Dispatch, a fim de oferecer maior velocidade na abertura de arquivos pesados. Essas tecnologias também são aproveitadas em processos como captura de vídeo da tela e exportação para a web — por isso a minha experiência com o aplicativo foi tão boa, mesmo em um máquina com um hardware um pouco inferior que o ideal para tirar proveito disso com maior desempenho.
Por fim, temos ainda a mesma tecnologia de streaming via HTTP do iPhone OS 3.0 — que otimiza a reprodução de vídeo em diversos tipos de conexão —, acompanhada do suporte a ColorSync, que oferece maior fidelidade de cores aos seus vídeos e gravações, mesmo fora do Snow Leopard. Recursos como esses justificam a mudança drástica da Apple em relação ao QuickTime do Leopard, mas é importante lembrar que ele ainda não é perfeito, de forma que você deve manter a versão anterior instalada na sua máquina.
. . .
Fontes e Referências
- Artigo histórico sobre QuickTime na Wikipédia;
- Documento sobre QTKit na Apple Developer Connection;
- Leopard Technology Series for Developers: Gráficos e Mídia
- Visão geral tecnológica do QuickTime X no site da Apple;
- Refinamentos do QuickTime X;
- Visão geral de desenvolvimento para o Mac OS X 10.6 Snow Leopard.











Fudido, hein!
Parabéns, post matador….
Legal o texto. Porém tudo muito lindo, tudo muito bom. Tecnologias inovadoras. Parabéns.
Agora, o que adianta se o mercado Não corresponde? Assistir qual quer coisa em WMV com o Flip4Mac ainda é SOFRÍVEL, demora muito para carregar por completo algum vídeo que tenha uma qualidade um pouco superior! Não roda mkv, não chega nem a tentar. Não tentei .divx mas provavelmente tb não. Ainda que não seja o padrão deles, deveria haver testes com todos os padrões mais usados na internet. Por que afinal queremos um player integrado do sistema e que seja simples de rodar TUDO.
Tiraram a opção de jogar pra Tela Cheia na TV Por exemplo e deixar em PRETO a tela principal. O que fica horrível agora, pq não tem como assistir alguma coisa com a tela brilhando ao lado. O Negócio é usar o VLC mesmo. Não mudou nada…
Adoro estes bebes choroes!
VLC é uma ótima pedida para rodar videos não suportados por padrão no QuickTime.
lê sim o .MKV, usando o Perian
Eh isso ai! Perian nele!!!!
Não roda com o perian, mkv. somente no quicktime 7
Ah, usa o Perian e pára de reclamar.
Pra que você quer ver filmes em .wmv e .divx? De tudo que eu baixei nos últimos anos, NADA foi nesses formatos. O .mkv eu até concordaria, se não tivesse o Perian de graça.
Não dá pra tornar tudo compatível. Muda pra Windows e usa o Windows Media Player sem nenhum codec instalado. Ele não vai rodar quase nada também.
Muitos desses formatos e codecs são ultrapassados, entre eles o DivX. E vão sumir em breve. O DivX é uma solução pra preservar um pouco da qualidade e reduzir muito o tamanho, mas hoje com conexões de internet em mbps e monitores/TVs com formatos HD, o DivX não sobrevive muito.
Perian e Flip4Mac ainda não estão 100% no Snow Leopard + Quicktime X.
Pra quem não baixa nada em High Res, pode até parecer que vai TUDO sumir. Mas a coisa não é assim e o Perian serve pro QuickTime 7, não pro X. (No caso de mkv)
VLC é o cara !
Otimo texto! Parabéns pelo trabalho.
Acho natural a transição pro QuickTime X, gosto muito da nova interface.
Realmente não entendo essa intolerância da apple a formatos que ela não trabalhe ou não reconheça… Alias foi ela mesmo que barrou os formatos abertos ogg + theora de serem os padrões para o streaming de audio e video via html. Agora os programadores vao ter q gerar varias versoes pra serem exibidas em todos os browsers, isso é um saco…
Quanto aos bugs e falta de funcionalidades da versao atual, é mais que normal num app que foi totalmente reescrito, e particularmente prefiro um app reescrito para funcionar com 100% da capacidade de hardware e software atuais aos aplicativos que vivem do legado, sem querer mal mas jah falando, como o exemplo do windows…
Como usuario nao fiquei em extase com o Snow Leopard, acredito q muita gente nem vai querer pagar pra poder usa-lo, mas para a apple vai ser muito importante a migraçao das tecnologias para usarem os hardwares intel e as novas GPUs do mercado, pelo menos tivemos a vantagem de um preço mais "bacana", enquanto os usuarios do vista vao ter q comprar uma nova licença no preço salgado de sempre…
"Agora os programadores vao ter q gerar varias versoes pra serem exibidas em todos os browsers, isso é um saco…"
Hmmm… não sei não. Talvez o que ocorra é que todo mundo continue usando (a inhaca do) flash.
Ou o chrome, pois ele suporta os dois formatos.
Parabéns, Silvio! O melhor aqui desse blog
=)
Realmente concordo!
Um bom artigo
otimo artigo
perfeito :)
Muito bom o post Silvio! Gostei muito do que li a respeito do QTX, agora só falta atualizar pro Snow aqui o/
[]’s
o conceito por trás do quicktime x é muito bom, eliminando todos os comandos e barras. No entanto, eu acho que ele foi implementado cedo demais, isto é, pela primeira vez estou vendo detalhes mais específicos da interface através dessas screenshots, e sinceramente achei que ficou uma mistureba aqua/marble bem triste…
Eu particularmente ainda prefiro o Aqua do que o Marble.
Não vejo a hora de fazer o upgrade, pra usar o quicktime x…
Ótimo post Silvio!
O novo QuickTime ficou muito parecido com o player de vídeo do iPhone, em especial o 3Gs. Edição, controles por cima do vídeo, clique e o vídeo preenche a tela e outras coisas mais. Muito bom isso, uma interface (desktop) evoluindo com a outra (mobile).
Belo post, mostra conhecimento no assunto e nos trás informações úteis. É nesse nível que gostamos de ler quando abrimos um RSS.
Mas ainda não tenho motivo para largar o VLC. Dá um banho em qualquer outro player. Roda de tudo sem frescuras ou papagaiadas.
"e H.264 (para vídeo). É óbvio que as demais que já existiam foram reprojetadas nesse novo modelo, mas essas duas"
Não é óbvio não.
Acho q a próxima versao do itunes sera como o quicktime x, assim passando para o safari, e no 10.7 o finder todo estilo quick time x, a apple sempre fez assim as transições de design!
Muito bonito o post, mas esses dias fui abrir um arquivo de vídeo com dual audio e ele tocou os dois audios ao mesmo tempo ¬¬
Ainda prefiro o Media Player Classic Homecinema do windows, roda tudo as mil maravilhas, da para usar CUDA para polpar esforços da CPU e ainda roda legendas ASS estilizadas e animadas que o quicktime nem sabe que existe e que o VLC toca todo bugado.
Para quem usa Mac recomendo conhecerem o SMPlayer.
Silvio mandando bem nos posts! :)
Achei esse QuickTime excelente.
Só estou no aguardo p/ meu Snow Leopard chegar, hehehe.
[2]
ele vai sair para Windows? que tristeza fazer essa pergunta… jah q ainda naum tenho um Mac…
Parabéns pelo post. Visualmente ótimo… Agora voltando a vida real, uso o VLC que é o único que roda os arquivos da minha camera HD. H.264.
Excelente POST!!!! Digno de ir para a revista MAC +… relativo ao QT X, também adorei a possibilidade de editar, gravar videocast, exportar para youtube e mobileme. Mais uma coisa que me deixou muito desapontado, foi quando mandei exportar um video .AVI + legenda .SRT para o fornato .M4V (isso com a ajuda do PERIAN) para iPhone ou AppleTV, o video fica todo preto… só sai audio… uma lastima… isso funcionava perfeitamente no QT 7 no Leopard… testei tambem no QT 7 que vem no Snow Leopard, mais o problema continua… isso aconteceu com mais alguem aqui no site?
Novamente, gostaria de parabenlizar o excelente trabalho que todos do BlogMacmagazine vem realizando.
Acho engraçado esse povo falando que wmv e mkv é ultrapassado. Ninguem realmente ainda baixa nada em High Res ? Não sou eu quem escolho os formatos, mas em resolução alta eu só encontro em mkv e/ou wmv. Algumas vezes acho em .avi e raaaaramente eu encontro em .mp4. Até preferiria mesmo encontrar mais em mp4. Mas não sou eu quem determino isso. Até pq o mkv acredito que é o mais fácil por ser um arquivo de "container" onde vc pode colocar varios audios/subtittles com mais facilidade sem ser embeded no video.
Sílvio,
Matéria muito completa. Parabéns pelo seu trabalho.
Apple, Quicktime e Nitrocorpz. Tudo a ver :D
Obrigado.
Abraço