OnLive pode ser a revolução de que os jogos precisavam

Levante a mão quem já se sentiu frustrado ao ver um jogo muito bom e não poder usufruí-lo por falta de hardware. Eu certamente estou nesse grupo e acho que nada é mais ingrato do que o ciclo de vida dos consoles dedicados a jogos e dos componentes gráficos de computadores. Quanto custou para rodar o primeiro Halo em um computador? E quanto foi preciso desembolsar para rodar o segundo? E o terceiro? Rodar Crysis na configuração máxima, então, é motivo para vender sua casa…

Será esta dupla capaz de mudar o mundo dos jogos eletrônicos?

Será esta dupla capaz de revolucionar o mundo dos jogos eletrônicos?

Se vingar, o serviço de jogos on demand OnLive pode tornar isso coisa do passado. Na verdade, um usuário com nenhum conhecimento técnico para fazer upgrades (como eu) poderia jogar qualquer coisa em um MacBook sem ter que se preocupar com nada — nem com compatibilidade para Mac.

Aqui eu quero compartilhar meus pensamentos desde que vi o anúncio do serviço, mais cedo nesta semana. Muito do que vou comentar aqui não é novidade, inclusive aparece nos comentários do post do Rafael sobre o assunto, então acho que só valerá a pena ler se você quiser uma visão deste tópico mais aprofundada.

Primeiro, os pés no chão

O serviço terá suas desvantagens, lógico. Por ser baseado em assinatura, será uma espécie de “TV a cabo mais YouTube turbinado com alma de PS3”: você paga uma assinatura mensal, joga o que quiser, o quanto quiser, mas não terá como acessar nada quando estiver offline ou quando decidir cancelar sua assinatura. Assim como acontece com os filmes (que só aparecem no cabo depois do DVD e do cinema), possivelmente haverá uma hierarquia de lançamentos: primeiro, consoles/PCs, depois de x meses, serviços on demand.

Muitos podem alegar que haverá uma imensa desvantagem óbvia: você não terá nenhum jogo e perderá tudo ao finalizar o contrato. Verdade, mas quantos de vocês já revisitaram algum jogo depois de seis meses? E depois de um ano? Eu certamente já fiz isso várias vezes (por sinal, acabei de jogar, pela enésima vez, Ace Combat 5… e sempre choro no final), mas, mesmo assim, ainda acho que as vantagens superam as desvantagens.

Vai ser algo que requerirá conexões parrudas, também. Se você mora nos Estados Unidos, numa zona urbana, isso certamente não é problema. Grandes metrópoles brasileiras também não terão qualquer soluço, mas eu posso falar por mim: aqui em Fortaleza só dá pra conseguir a um preço razoável conexão de 300Kbps — daí pra frente, o encarecimento é proibitivamente exponencial. Sendo que a maioria dos bairros nem mesmo tem oferta de velocidades maiores! Onde moro, inclusive… 🙁

E já que estamos falando em geografia, eu nem sonho que seja possível acessar o serviço de fora dos EUA. Certas lojas de música (*coff!* iTS! *coff!*) já proíbem acesso de fora do país no acordo de uso e alguns sites simplesmente barram conexões vindas do exterior: culpa da burocracia que envolve distribuição internacional de conteúdo. Portanto, provavelmente só poderemos sonhar com o OnLive aqui no Brasil durante muito tempo — ou para sempre…

Agora, a fantasia

Mas como sonhar não custa nada, imagine que maravilha o OnLive pode ser! Pra que gastar os tubos de dinheiro com GPUs e ficar se preocupando com a temperatura do seu processador em overclock, downloads, drivers, compatibilidade, recursos mínimos…? Alguns cliques para instalar o aplicativo OnLive e BOOM!, Mirror’s Edge na tela de um MacBook Air. E pra que computador?! Será possível comprar o MicroConsole e jogar direto numa TV.

Jogos disponíveis em _qualquer_ hardware = FELICIDADE

Jogos disponíveis em _qualquer_ hardware = FELICIDADE

Sem falar que o velho ditado “Macs não são bons para jogos” estaria acabado definitivamente. Crysis só roda em Windows, por conta do DirectX. E daí? Pegue um Mac mini e jogue via OnLive! Que tal ir além e usar uma máquina com configurações mais modestas ainda? Dead Space num Eee PC? Vá lá e seja feliz na tela pequena!

Mas se são necessários 1,5Mbps para rodar um jogo em SD e uma rede 3G _boa_ pode oferecer até 7,2Mbps… que tal Crysis no iPhone? Estou certo de que não seria tarefa impossível adaptar os comandos para a touchscreen mediante o uso de um app, ou até mesmo oferecer um controle que se adapte ao dock (viva lo iPhone OS 3.0!). Sério, pense no quanto seria incrível poder jogar World of Warcraft com gráficos plenos, soberbos, num iPod touch, via Wi-Fi. Teoricamente possível? Certamente, tendo em vista o funcionamento do OnLive!

Mais que jogos

Caixa do Adobe Photoshop CS4E se virar moda? Outras empresas já anunciaram serviços similares para jogos. Entretanto, pode ser que serviços profissionais entrem neste esquema: da mesma forma que será possível comprar ou alugar jogos no OnLive, poderia-se vender ou alugar softwares “sérios”.

Maya sem precisar de aceleradores? Editar imagens de 500MB no Photoshop sem lentidão, num netbook? Que tal um toque de Apple? “Mac Pro on demand” para editar rapidamente filmes em alta definição no iMovie! Nossa, isso poderia até fazer parte do MobileMe no futuro, já imaginou? Você envia o filme bruto, faz e acontece, depois baixa a versão final pronta. Like magic!

Os videogames já ensinaram uma ou duas coisas ao resto da indústria, então podemos encarar o OnLive como uma experiência: se der certo, pode ser que a computação na nuvem se torne mais que uma expressão da moda. Pode ser que ela mude para sempre nossa forma de fazer as coisas e como compramos computadores, pensando mais em conexão do que em processamento — e finalmente podendo usar laptops no colo, sem medo de acabar com as coxas cozidas. Isso pode significar o fim dos upgrades e o começo de uma era na nuvem.

Armadilhas a contornar

Gigantes do hardware certamente ficarão ariscas com um possível sucesso do OnLive. Afinal de contas, pra que comprar um PlayStation 4 de, suponhamos, US$800? Pra que vê-lo ficar inútil, obsoleto, em 5 anos? E pra que ficar se contorcendo ao saber que determinado jogo será exclusivo para, digamos, Xbox 720? E quem investirá US$10 mil numa máquina para jogar a próxima iteração de Crysis a 60fps (e outros US$10 mil meses depois)?

Você consegue visualizar Sony, HP, Microsoft, Nintendo, Dell e NVIDIA mexendo pauzinhos por trás dos panos para evitar que desenvolvedoras de jogos se aliem ao OnLive? Eu consigo! E imagino que as ameaças negociações já estejam ocorrendo, apesar dos vultosos apoios conseguidos pelo Steve Perlam.

Outro problema: como gerenciar esse serviço em larga escala e oferecê-lo a um custo razoável? Sim, pois sabemos que o YouTube se paga praticamente por matemágica e que não adiantaria de nada ver o OnLive custando o mesmo que uma GPU da NVIDIA _por mês_. Como vão contornar isso? E mais importante: como vão refrigerar isso? Eu não faço a mínima ideia, mas estou rezando pra que consigam. Com a rapidez com que hardware fica obsoleto, uma conta mensal pode fazer muito mais sentido, dependendo do valor que cobrem ou da quantidade de publicidade que enfiem goela abaixo dos usuários.

. . .

Enfim, tudo são conjecturas, possibilidades que, por sinal, emergem em qualquer lugar onde cloud computing for tema. O ingrediente novo aqui é a promessa de um serviço com lags curtas o suficiente para possibilitar interação em jogos de ação — ou seja, beirando o imperceptível.

O serviço deverá ir ao ar em fase beta no verão do hemisfério norte e, quando ele estiver a pleno vapor, no inverno, mostrará se veio para virar o mundo dos jogos de cabeça pra baixo ou se vai morrer na praia. Para saber ver outras imagens do OnLive, você pode dar uma espiada neste ótimo artigo da Gamespot. É de arrepiar, o que pode vir por aí…

And that, as they say, is that.

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