O melhor lado do iCloud é aquele que você não vê — mas isso está gerando tensão por aí [atualizado]

Ícone do iCloudDizem por aí que design bom é aquele que some. Creio que o mesmo possa ser dito sobre serviços de computação na nuvem: você não tem que pensar neles, eles precisam apenas funcionar. Na verdade, quanto menos você pensar neles, melhor. Essa parece ser a ideia central por trás do iCloud: um serviço que você logo vai esquecer que existe, pois ele não vai estar em lugar nenhum — mas estará em toda parte, ao mesmo tempo, só que invisível.

Salve um documento no Pages do iPad. Abra o Pages no iPhone, o documento está lá, onde você pode editá-lo. Vá para o Mac, e o documento já editado estará lá para receber os toques finais (ou pelo menos assim espero, sem precisar daquele inferno com o iTunes). Volte pro iPad, e você já pode imprimir a versão final desse documento.

Quantas vezes foi preciso pensar “Agora eu vou mandar esta versão pro iCloud”? ZERO.

Agora pense “email”: você pode acessar suas mensagens do Mac, de um iPod touch, de um iPad… mas e se você quiser fazer isso no PC Linux de uma amiga? Joshua Topolsky, do This is my next…, teme que tal coisa não venha a ser possível. Ele acredita que, uma vez que o iCloud vá ao ar em 1º de julho, os web apps do MobileMe vão sumir e nada vai ocupar o lugar deles. Se você não tiver um aparelho da Apple para acessar suas mensagens, elas vão ficar na nuvem, inacessíveis. Se não for através de um Mac ou iGadget, o documento do exemplo acima vai morrer sem ser impresso.

O Topolsky é meu ídolo, mas acho que ele pode estar equivocado no caso do email, e o MacRumors tem uma boa peça de evidência para mostrar isso. O que acontece quando você envia um convite do iCal para um amigo? Isto acontece:

Convite de calendário do iCloud

Ele recebe um convite exatamente igual ao do MobileMe, exceto pelo domínio icloud.com e pela marca nova. Isso quer dizer que o acesso a emails, calendários e contatos via web apps vai deixar de existir? Não parece ser o caso, e MG Siegler pensa o mesmo. A possibilidade de acessar um documento, porém, ainda é um tanto incerta.

O “problema” é que a Apple gosta demais de aplicativos nativos para deixá-los em segundo plano. Talvez estejamos num momento em que o foco da Maçã é mostrar o quanto o iCloud funciona maravilhosamente bem com apps nativos, de forma que você nunca precisa nem mesmo pensar nele. Posteriormente, acredito que as atenções se voltem um pouco para os web apps — que deverão continuar exatamente como são, exceto pela marca que aparece neles. A respeito disso, o iWork.com tem tudo para florescer com uma chuvinha mandada pela nuvem do iCloud.

Se for diferente, bem… eu acho que o Google vai ter uma bela chance de mostrar sua especialidade: web apps ricos e completos, que podem ser acessados de qualquer computador.

Atualização por Rafael Fischmann (14/6 às 13h10)

Tanto John Gruber, do Daring Fireball, quanto Jim Dalrymple, do The Loop, acreditam que o iCloud terá web apps tanto quanto o MobileMe, hoje em dia — se muito, melhores e mais bonitos que os de hoje.

A Apple só não demonstrou/falou sobre isso na keynote da semana passada porque não é nada de novo ou tão bacana que mereça ser destacado.

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