Deputados mineiros querem iPads, mas tem que ser o modelo topo-de-linha

Se depender de uma licitação aberta hoje pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), os 77 deputados estaduais mineiros — e mais 13 funcionários do departamento de TI — em breve terão em suas mãos iPads 2, num investimento que poderá superar os R$257 mil.

iPad 2 com a bandeira do Brasil

A justificativa para a aquisição dos equipamentos — dada por Alaor Messias Marques Júnior, diretor de Planejamento e Coordenação da ALMG — até que não foge do que se pode chamar de “plausível” (ué, se até a Dilma pode, né?…):

O trabalho do deputado acontece em qualquer lugar, em qualquer momento. Eventos fora da Assembleia são rotina e nos fins de semana eles costumam viajar para as bases eleitorais. O iPad vai dar a mobilidade, a agilidade e a credibilidade que o deputado precisa para atuar nos 853 municípios. Ele é pessoa que personifica o poder.

O que eu não engulo é a exigência de que o iPad seja o modelo mais completo que existe hoje — sim, serão 90 iPads 2 com Wi-Fi+3G de 64GB, com “capas protetoras” (provavelmente Smart Covers) e até mesmo plano de extensão de garantia AppleCare. Considerando apenas o custo da tablet, estamos falando de R$2.600 por unidade — valor o qual Marques espera conseguir reduzir para uns R$2.200, na licitação.

A escolha por modelos com 3G até pode ser justificada pela mobilidade (embora haja controvérsias), mas pra que 64GB, meu Deus? Eu só consigo pensar em uma justificativa: joguinhos aos montes, muita música e fotos/vídeos dos seus filhos, sobrinhos, netos e por aí vai. Porque nenhum deputado precisa de mais que os 16GB do modelo 3G base (cuja escolha, por si só, já reduziria o investimento total em pelo menos R$50 mil) para usar a internet, checar emails, gerenciar textos/planilhas e/ou instalar um ou outro aplicativo do governo.

Pra terminar, se o governo brasileiro está tão confiante assim no investimento da Foxconn por aqui e o ministro Aloizio Mercadante tantas vezes já garantiu que iPads serão produzidos em território nacional, por que eles não aguardam esse projeto se concretizar e já fazem o investimento nas tablets da Maçã “Made in Brazil”? A data da compra pela ALMG, por sinal, já está marcada para o próximo dia 23 e incluirá também seis Macs(!) e dois scanners de mão. Ai, ai…

[via Estado de Minas]

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