Lytro, primeira câmera de campo luminoso do mercado, é compatível apenas com Macs em seu lançamento

Às vezes demora, mas de vez em quando um produto inovador chega ao mercado sem ser pelas mãos da Apple — os últimos de que me lembro agora foram o Wii e o Kinect (este com um asterisco, porque foi só uma reação ao Wii, mas como ele não é uma abominação como o PlayStation Move, vou dar um desconto). Bem, aconteceu de novo com a Lytro, a primeira câmera de campo luminoso do mercado. Ela não apenas tem um design bizarro, diferente de todas as câmeras digitais do mundo, como faz algo quase impensável: ela permite que você mude o foco de fotografias depois de elas terem sido tiradas.

Lytro

A mágica por trás disso está na forma como a câmera capta a luz: em vez de registrar apenas um conjunto de raios de luz, ela trabalha com 11 milhões de raios, graças à disposição de suas várias lentes e um software especial para processar essa informação. Tecnicamente, você pode imaginar um sensor de luz bem grande captando as imagens como se fosse um olho composto e interpretando cada uma delas como uma camada de foco diferente.

O resultado é uma fotografia que pode ser refocada à vontade, além de não haver nenhum atraso na hora de tira-lá — como a câmera capta todos os focos possíveis, ela não perde tempo focalizando nada. Claro, nem tudo são flores, borboletas ou top models: cada imagem é do tamanho de um instagram, carece de detalhes, não é exatamente uma maravilha em termos de qualidade de impressão e pesa 22MB em média. Por outro lado, todas as imagens tiradas por essa câmera podem ser refocadas ou convertidas em 3D nativamente.

Nos aspectos mais mundanos da coisa, a Lytro tem um display multi-touch, zoom óptico de até 8x, abertura constante f/2 em todos os focos, bateria capaz de registrar até 400 imagens e capacidade de registrar imagens até mesmo em baixas condições de luz.

E quanto custa essa brincadeira? Um modelo de 8GB (disponível em azul elétrico ou grafite), capaz de armazenar 350 fotos, sai por US$400, enquanto um modelo vermelho quente de 16GB, com capacidade para 750 imagens, sai por US$500. Por enquanto as câmeras estão em pré-venda, mas serão despachadas em 2012.

Agora… parece que o inferno congelou: quando foi a última vez que você viu algum gadget chegar ao mercado com compatibilidade unicamente com Macs? Bem, a Lytro tem essa peculiaridade — sem falar que o site dela é totalmente Apple-like, exceto pelo detalhe de requerer Flash em desktops, apesar de funcionar perfeitamente em iGadgets. Isso, eu não vou entender nunca: por que não usar HTML5 para todo mundo?

Lytro

Particularmente, vejo essa câmera como uma espécie de evolução diferencial de um Instagram da vida: ela não serve para registrar imagens tradicionais, mas sim para fazer algo diferente, único, que chama a atenção por sua peculiaridade. O preço está na medida para atrair early-adopters e hipsters, mas ainda é um pouco demais para virar um produto de massa.

Contudo, o futuro é promissor: a evolução dessa tecnologia poderá fazer com que o foco automático se torne algo completamente supérfluo, além de permitir a produção de imagens 3D usando uma única lente, sem falar que pode dar uma utilidade prática a sensores com, sei lá, 500 megapixels — quem sabe um desses consiga fazer uma foto da Lytro ter o nível de detalhes de uma câmera de iPhone 4.

Aliás, quando conseguirem enfiar uma dessas num iPhone, o Flickr nunca mais será o mesmo. De novo.

[via This is my next…]

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