Por enquanto, os planos da Foxconn (fabricante de iPads e iPhones) para o Brasil não passam de promessas


Quando a Foxconn se instalou no Brasil, em 2011, tanto a empresa quanto o governo brasileiro prometeram que aquela primeira fábrica em Jundiaí seria o início de uma parceria na qual seriam investidos cerca de R$20 bilhões. Na época, a companhia comentou que o Brasil tinha um “tremendo potencial de desenvolvimento econômico” e estaria “estrategicamente posicionado para atender às necessidades dos mercados em crescimento de toda a América Latina”.

Fábrica da Foxconn, parceira da Apple, em Jundiaí

Para que isso acontecesse, seriam criados cerca de 100 mil novos empregos, dos quais 20 mil cargos de engenharia. Sem falar de que, é claro, com uma fábrica da Foxconn totalmente dedicada à Apple em território nacional, a ideia era oferecer produtos da Maçã com preços mais atrativos. Hoje, quatro anos depois, nada disso é realidade — algumas inclusive pioraram bastante, como os preços de produtos da Apple que subiram muito de 2011 para cá.

Tudo isso está descrito em um artigo da Reuters que mostra exatamente como o investimento não passou de promessa, ao menos por enquanto. Atualmente, apenas uma fração dos 100 mil empregos prometidos foram gerados, sendo a maioria de vagas de baixa qualificação. Apesar de sermos a única fábrica de iPhones/iPads fora da China, os preços por aqui continuam caríssimos — ainda assim, a Apple teve um crescimento nas vendas em 2014.

Mesmo se aproveitando de diversos benefícios fiscais, a Foxconn ainda não colocou em prática o plano de investir US$1 bilhão para criar um parque industrial de produção de componentes em Itu (interior de São Paulo). Tal fábrica era para ser construída em até dois anos após o anúncio mas, como sabemos, nada ainda foi feito.

O vereador Givanildo da Silva, que ajudou na doação de aproximadamente 100 acres de terra para a Foxconn na cidade, já não defende mais o projeto, alegando que as pessoas estão realmente frustradas por conta dos empregos prometidos que não foram criados. Para completar, a prefeitura de Itu disse em comunicado que deu todo o apoio necessário para que o projeto da Foxconn se tornasse realidade mas, por enquanto, tudo o que temos é um início de nivelamento de terra que começou no ano passado e parou.

Difícil imaginar que tudo estará pronto até o final do ano, certo? Mas é o que a Foxconn promete. Em um comunicado, a empresa afirmou que a fábrica deverá se tornar operacional até o final de 2015, gerando mais 10 mil empregos.

O que estaria freando tanto as coisas, além do momento econômico ruim do país? Burocracia, o fato de brasileiros trabalharem pouco1, descaso da Foxconn? Por enquanto não temos como saber — o que sabemos, sim, é que ainda estamos falando de meras promessas.

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