Mercado de dispositivos vestíveis não está nada favorável para relógios inteligentes, incluindo o Apple Watch [atualizado 2x]

Ninguém parece formar um consenso sobre como anda o mercado dos dispositivos vestíveis (wearables), mas uma coisa é certa: dentro dele, os smartwatches estão comendo poeira para aparelhos mais simples, como as fitness bands. Como mostra este novo relatório da IDC, o Apple Watch *não* é exceção.

Há mais ou menos um mês, mostramos um levantamento anterior da firma destacando que o relógio inteligente da Apple tinha visto suas vendas caírem aproximadamente 70% numa comparação ano-a-ano baseada no terceiro trimestre de 2016. Nesta nova pesquisa, a IDC pinta um cenário geral do mercado dos vestíveis e fica claro a situação de penúria em que se encontram os relógios dentro dele.

Ranking de venda de dispositivos vestíveis da IDC

Apesar do crescimento de 3,1% do segmento como um todo na comparação ano-a-ano, com cerca de 23 milhões de dispositivos despachados no último trimestre, dentro deste universo os rastreadores de atividade básicos, como os da Fitbit e da Garmin, abocanharam formidáveis 85% do mercado.

Neste cenário, a Fitbit conquistou a liderança do segmento com boa vantagem: 5,3 milhões de dispositivos enviados e 23% de market share (uma leve subida em relação aos 21,4% do ano passado). Em seguida, no ranking, vêm Xiaomi (16,5% e 3,8 milhões de unidades), Garmin (5,7% e 1,3 milhão de unidades) e, somente em quarto lugar, a Apple, com 4,9% de share e 1,1 milhão de Apple Watches despachados no trimestre — comparativamente, no mesmo período do ano passado, a Maçã obteve 17,5% de participação com 3,9 milhões de dispositivos despachados.

A própria IDC afirma que a queda da Apple tem a ver com uma linha que está “envelhecendo” e uma “interface de usuário pouco intuitiva”. É bom lembrar que, como o Apple Watch Series 2 e todos os outros novos modelos foram lançados somente em meados de setembro, as suas vendas tiveram impacto apenas parcial na pesquisa.

Vejamos como estará este cenário no próximo relatório. A tendência é piorar ou temos uma luz no fim do túnel?

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Respondendo à pergunta acima, ao menos se depender da Fitbit, a primeira opção é a mais provável. Digo isto porque a empresa está aparentemente nos processos finais de comprar a Pebble, uma das pioneiras do mundo dos smartwatches, mas que nunca encontrou força o suficiente para competir de igual para igual com titãs da tecnologia como Apple e Samsung.

Pebble Time

A aquisição ainda não foi confirmada, mas segundo um artigo do The Information, a ideia da Fitbit é extinguir gradativamente a marca Pebble, retirando seus produtos do mercado com o tempo — a principal intenção da empresa é incorporar o know-how, a propriedade intelectual e os softwares da startup.

Não se sabe ainda se tal movimento significará uma entrada da Fitbit também no mercado de relógios inteligentes “completos” ou se a sua linha de produtos ganhará apenas atualizações incrementais, mantendo (e potencializando) o atual status quo de dominação das fitness bands no mercado de vestíveis. Aparentemente, teremos que aguardar um tempinho até descobrir.

[via MacRumors, AppleInsider]

Atualização, por Rafael Fischmann · 06/12/2016 às 10:08

Pelo jeito, a Apple não gostou dos números divulgados pela IDC.

O CEO Tim Cook respondeu um email da Reuters com a seguinte declaração:

Nossos dados mostram que o Apple Watch está indo muito bem e parece ser um dos presentes mais populares deste fim de ano. O crescimento em vendas está acima do esperado. Na verdade, durante a primeira semana de vendas de fim de ano, nossas vendas do Apple Watch foram maiores do que em qualquer semana na história do produto. E, como previsto, estamos caminhando para o melhor trimestre na história do Apple Watch.

Conforme notamos acima, os números da IDC referem-se ao terceiro trimestre de 2016, ou seja, de julho a setembro. Como o Apple Watch Series 2 só chegou ao mercado em meados de setembro, isso significa que só veremos o efeito real dele no mercado quando a IDC divulgar números referentes ao quarto trimestre.

Posta a declaração de Cook, o mínimo que se espera, então, é um grande salto da Apple na tabela.

Atualização II · 06/12/2016 às 16:45

Talvez a declaração de Cook tenha algum sentido se levarmos em conta os dados divulgados hoje pela Slice Intelligence — que, das duas uma, ou contradizem totalmente o cenário de penúria apresentado pela IDC ou provam que a Maçã deu uma reviravolta completa em questão de semanas, em termos de vendas do Apple Watch.

Segundo a firma, a Apple conseguiu capturar vistosos 46,6% de todos os lucros do mercado de dispositivos vestíveis no mês de novembro (o início da famigerada época de compras natalinas). Em comparação ao mesmo mês em 2015, foi uma bela subida, já que no ano passado a Maçã capturou 37% dos lucros.

Ranking de lucros do segmento de vestíveis da Slice Intelligence

Em seguida, no ranking, aparecem a Fitbit, com 31,9%; a Garmin, com 8,1%; a Samsung, com 4%; e a possivelmente moribunda Pebble, com 0,9%. De todas estas, a única que conseguiu um aumento na participação dos lucros (ainda que bem pequeno) foi a Garmin; todas as outras concorrentes viram seu desempenho cair na comparação ano-a-ano.

No geral, a Slice acredita que o lucro com os vestíveis subiu 10% em comparação ao ano passado — é um crescimento superior ao do segmento dos eletrônicos como um todo, mas abaixo do salto de 33% visto pelos telefones celulares ou do de 21% sofrido pelos computadores.

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