Vinte anos após ser descartado, novas informações do conceito “Apple Cafe” me deixam saudoso por um futuro que não existiu

A essa altura, imagino que será surpresa para poucos de vocês saber que a Apple tinha, nos idos de 1996, um projeto bastante ambicioso de abrir uma cadeia de cyber-cafés batizados de “Apple Cafe”. Nós mesmos já comentamos sobre este conceito aqui no MacMagazine. Agora, porém, algumas novas imagens e depoimentos sobre a ideia surgiram graças a uma reportagem/entrevista da Fast Company, e podemos nos revirar ainda mais nas reflexões sobre um futuro que poderia ter sido.

Projeto do Apple Cafe, datado de 1996

Aos que não conhecem a história, reza a lenda que o “Apple Cafe” foi um projeto iniciado no período imediatamente anterior ao retorno triunfal de Steve Jobs à companhia — ou seja, estamos falando de um contexto (hoje inimaginável) de uma Apple à beira da falência, com uma série de linhas de produtos confusas e de vendas baixas e uma imagem que em nada lembrava aquela da empresa jovial e inspiradora de meados dos anos 1980.

A ideia era revitalizar a marca da Maçã e, ao mesmo tempo, conseguir um dinheiro rápido e fácil para reconstruir a empresa criando um espaço onde as pessoas pudessem reunir-se e usar a tão falada e quase inacessível (em 1996, lembre-se) internet por meio dos produtos da Apple.

Projeto do Apple Cafe, datado de 1996

A empreitada seria realizada em parceria com a Mega Bytes, empresa britânica do ramo imobiliário, e com a Landmark Entertainment Group, companhia especializada na criação de parques temáticos e atrações de lazer fundada pelo ex-funcionário da Disney Tony Christopher. Não por acaso, Christopher é o entrevistado da Fast Company que revela alguns detalhes interessantes — e imagens nunca antes vistas — sobre o mítico projeto do “Apple Cafe”.

Projeto do Apple Cafe, datado de 1996

Segundo ele — que foi o principal responsável pela criação do conceito —, Jobs envolveu-se no desenvolvimento do projeto quando voltou para a Apple em 1997. Foi do fundador da Maçã a ideia de equipar cada mesa com um computador da Apple, onde as pessoas poderiam fazer seus pedidos (era realmente um visionário, esse Jobs), assistir a filmes, jogar ou, claro, entrar na famigerada internet. A ideia era criar um espaço altamente high-tech, que seria reproduzido em todos os pontos da bandeira: o “Apple Cafe” inicial seria construído em Los Angeles e, posteriormente, a cadeia expandiria-se para as principais cidades do mundo, como Paris, Londres, Nova York e Tóquio.

Com o passar do tempo, entretanto, Jobs resolveu colocar a ideia em suspensão para dedicar-se a outro projeto, igualmente arriscado, que tinha em mente: lojas oficiais da Apple. Como era de se esperar, em algum momento do processo ficou claro que ambas as ideias tinham muitas sobreposições, e Jobs e sua turma resolveram passar a faca de uma vez por todas no projeto do “Apple Cafe”.

Projeto do Apple Cafe, datado de 1996

Isso não significa, entretanto, que as quase 500(!) Apple Stores que temos hoje não guardem, por menores que sejam, alguns elementos originados na ideia do café da Maçã. Por exemplo: uma das ideias principais por trás das Apple Stores é deixar o visitante livre para fazer o que quiser, sem a interrupção de um funcionário a não ser que isso seja desejado — ou seja, se você quiser entrar numa loja e passar o dia usando a internet num dos Macs em exposição, ninguém lhe perturbará por isso.

Outra: nas lojas inauguradas de uns anos pra cá, sob a liderança de Angela Ahrendts, vemos um foco renovado da empresa em construir, acima de tudo, espaços de convivência — mais do que um lugar de venda, as lojas da Apple hoje são lugares de congregação. Não seria um exagero dizer que a semente desta ideia remonta ao finado projeto de 20 anos atrás, certo?

O fato é que o “Apple Cafe” não chegou a ver a luz do dia, por mais legal que isso pudesse ter sido. Em vez disso, a Apple resolveu seguir outro caminho e incidentalmente virou a empresa mais valiosa do mundo.

Ainda assim, eu não reclamaria se pudesse chegar à Apple Morumbi e mandasse pro Genius: “Um iLatte, por favor.”

[via The Loop]

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