Em entrevista, Phil Schiller fala sobre o iPhone X “impossível” e a possibilidade de o iPad Pro complementar ou substituir o Mac

O vice-presidente sênior de marketing global da Apple, Phil Schiller, tem, por algum motivo, mantido-se longe dos holofotes ultimamente. Isso não o impediu, entretanto, de conceder uma longa e interessante entrevista à T3, cobrindo uma série de assuntos que vão desde a origem do iPhone X até o iMac Pro, passando pelos iPads e o seu papel no futuro da computação pessoal.

Falando sobre o mais recente — e mais caro — dos smartphones da Maçã, Schiller classificou o seu projeto como “uma das coisas mais audaciosas” que a Apple já fez, pensando em toda a origem do aparelho, quando as diferentes equipes dentro de Cupertino começaram a propor os recursos e as características do iPhone X.

Naquela época, no início, parecia quase impossível. Aliás, não só quase. Parecia impossível. E conseguir criar o que parecia impossível e torná-lo possível — e não só isso, mas também uma coisa que nós amamos usar — é simplesmente uma conquista fantástica.

O executivo, então, comentou sobre a curva de aprendizagem que os usuários têm que enfrentar para começar a usar o novo aparelho — que traz, como bem se sabe, todo um novo paradigma de interface por conta da remoção do botão de Início — com destreza.

Uma das coisas que eu vejo é que com a tecnologia, muitas vezes, não é a primeira tentativa que lhe diz como será para viver com aquilo, o que significa usar aquilo ou o quão bem você vai se adaptar; é a primeira vez que você configura aquele aparelho como seu próprio. É quando você realmente julga: o que significa isso? Muitas pessoas estão confortáveis com ele [o iPhone X] em minutos — 30 minutos, que seja. Não é o tipo de coisa que você tem que usar por uma semana para se acostumar. […] Isso, a meu ver, é sempre o sinal de nossa tecnologia mais avançada e bem pensada: ela se torna intuitiva incrivelmente rápido e muda a maneira como você pensa sobre todas as outras coisas que você usa.

Galeria de fotos do iPhone X (by MacMagazine)

Sobre um dos pontos cruciais da Apple enquanto empresa de tecnologia — a relação quase simbiótica entre suas equipes de hardware e software —, Schiller afirmou:

Uma das grandes coisas que Tim fez foi reconhecer o poder do trabalho colaborativo na Apple; ele encoraja que todos tiremos vantagem disso, não só para trabalharmos juntos mas para imaginarmos coisas em nossos produtos que não seriam possíveis sem essa colaboração. […] Produtos como os AirPods ou o Apple Pencil não funcionariam se não fossem as equipes de hardware e software. de chips e de rádio, todas trabalhando juntas para fazer algo acontecer. E eu acho que o recurso mais recente que é resultado dessa colaboração é o Face ID. Outras companhias tiveram a visão de “desbloquear algo com o rosto do usuário”, mas nenhuma de fato entregou uma tecnologia tão avançada, capaz, ubíqua e amigável ao consumidor como o Face ID. E isso é resultado direto dessa colaboração, como essas equipes trabalham por anos em conjunto numa simples e poderosa ideia com toda essa tecnologia.

A entrevista, então, toca em um ponto complexo: como Schiller vê o iPad Pro, no sentido de ser a máquina anunciada pela Apple como o dispositivo “pós-PC”? Seria o tablet “profissional” da Maçã um substituto do Mac ou apenas um complemento a ele? O executivo tentou se esquivar da resposta:

Nós descobrimos, sinceramente, que é as duas coisas, e depende do usuário. Para alguns, o iPad Pro é um substituto. Não que você jogue fora o seu computador — as pessoas não costumam fazer isso. Mas ele se torna o seu dispositivo primário de computação. O que eu mais ouço sobre isso são pessoas dizendo “eu uso meu computador na minha mesa” ou “eu uso meu notebook na minha mesa, mas quando eu viajo, eu levo apenas o meu iPad Pro”. […] E tem outros consumidores que aumentam a sua experiência com o computador. Eles usam seus computadores um bocado, mas também usam o iPad para uma tarefa em que ele claramente se sai melhor. […] E o que nós tentamos fazer é não dizer ao consumidor que qualquer uma dessas direções é certa ou errada.

iMac Pro sendo usado no escuro

Schiller também falou um pouco sobre o iMac Pro, que está chegando às lojas amanhã (e é uma verdadeira fera):

Nós perguntamos às nossas equipes de engenharia, “Vocês conseguem fazer um iMac Pro que é realmente projetado para os profissionais?”. É realmente um computador diferente, por dentro. E por que agora? Porque nós levamos bastante tempo. É um projeto grande, muito grande, e é assim que as coisas são. Levam tempo. […] E como todos os nossos produtos, nós temos um bocado de pensamentos e sentimentos em relação a ele, mas a verdade será: o que os consumidores nos dizem? Eu mal posso esperar.

Já sobre o atraso do HomePod, o executivo foi categórico:

É realmente muito simples. É um produto totalmente novo. É preciso muita engenharia para fazer dele o produto que descrevemos, e para que ele seja tudo o que esperamos que ele seja. E eu estou orgulhoso de sermos uma companhia que leva seu tempo para fazer as coisas do jeito certo. Nosso objetivo não é ser o “mais”, e sim o “melhor”, e nós nos impomos padrões altíssimos. Nós ocasionalmente os excedemos, mas nem sempre. E se precisamos ser honestos com nós mesmos de que algo não está pronto, continuaremos trabalhando até que esteja.

A entrevista completa, que vale muito a pena ser lida, pode ser encontrada aqui.

via 9to5Mac

Posts recomendados
Comentários

O Modo Escuro foi ativado ou desativado.
Atualize esta página para ver os comentários.


Carregar mais posts recentes