Apple pode começar a comprar cobalto para baterias diretamente com mineradores, temendo escassez

Que a Maçã está tomando várias medidas para tornar-se mais independente na produção dos seus aparelhos, dependendo cada vez menos de fornecedoras e outras empresas, não é novidade para ninguém. Mas o próximo passo de Tim Cook e sua turma pode ser o mais avançado nesse sentido até agora — e a razão não tem nada a ver com uma suposta independência tecnológica, e sim com algo muito mais básico.

De acordo com a Bloomberg, a Apple estaria entrando em negociação para comprar cobalto diretamente de mineradoras na África; o elemento, como bem se sabe, é um dos principais utilizados na fabricação de baterias de íons de lítio que equipam basicamente todo dispositivo móvel moderno.

Segundo a reportagem, a Maçã já iniciou as discussões sobre a mudança há cerca de um ano, e sondou contratos com mineradoras garantindo o fornecimento direto de “milhares de toneladas de cobalto ao ano por ao menos cinco anos”, sem citar valores ou mesmo uma garantia de que a decisão pode ir à frente. A República Democrática do Congo é o país com larga vantagem na mineração do elemento, e cerca de 65% de todo o cobalto fornecido no mundo sai de lá; o preço do elemento triplicou nos últimos meses e agora uma tonelada de cobalto sai por, em média, US$80.000.

A principal razão da Apple para a jogada é clara: um prospecto de escassez do elemento nos próximos tempos. Com uma série de novos equipamentos, especialmente carros elétricos (que precisam de cerca de mil vezes mais cobalto que uma bateria de smartphone), incorporando baterias de íons de lítio, é possível que a situação do cobalto fique mais delicada e torne-se impossível para a Maçã, com sua demanda altíssima, continue dependente do contrato de fornecedoras com as mineradoras africanas. Garantindo uma via direta de recebimento, a empresa fica tranquila quanto ao futuro e ainda pode economizar uma grana.

O fornecimento direto de cobalto pode trazer ainda outra vantagem para a Maçã: ao escolher ela mesma a mineradora (ou as mineradoras) com quem negociará, a empresa pode evitar acusações de utilizar material proveniente de regiões que desrespeitem os direitos humanos — como bem se sabe, a mineração na África é um terreno fértil para violações graves da integridade humana e dos direitos trabalhistas, com inúmeros casos de trabalho infantil ou análogo à escravidão.

A Apple, como era de se esperar, não comentou o assunto.

via MacRumors

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