Centro de Visitantes do Apple Park é uma aula de acessibilidade “quando o dinheiro não é um problema”

Quando a Apple anunciou que construiria um Centro de Visitantes (Visitor Center) aberto ao público na entrada do Apple Park, minhas antenas arquitetônicas logo ficaram animadas — afinal, a combinação do perfeccionismo quase obsessivo da Maçã com a quantidade aparentemente infinita do dinheiro que a empresa tem em caixa certamente produziria uma construção belíssima e dentro do que se espera para a “face pública” da espetacular “espaçonave” erguida a poucos metros dali.

Eu só esqueci de outro aspecto igualmente (ou talvez até mais) importante: sendo a Apple uma empresa tão focada em acessibilidade em todos os seus produtos, seria lógico que não fosse economizado um centavo para tornar o Centro de Visitantes do Apple Park o mais amigável possível para pessoas com deficiências, certo?

Felizmente, sim. O usuário do Twitter @xarph esteve recentemente no local e relatou detalhes que passam despercebidos para a maioria das pessoas, mas fazem toda a diferença do mundo para os visitantes com deficiência.

Vejamos a seguir:

O Centro de Visitantes do Apple Park é uma demonstração de um prédio acessível quando o dinheiro não é um problema.

Cada porta exterior tem um gatilho de abertura automática com sensores de movimento que pode ser ativado na altura dos pés ou de cadeiras de rodas; ele fica afastado da entrada. Normalmente o botão (quando está funcionando; frequentemente não está) fica preso à moldura da porta e torna a ação de pressioná-lo de uma cadeira de rodas desajeitada.

Espaços extremamente largos no interior. Não existem “rotas alternativas” para cadeiras de rodas ou aparelhos de auxílio motor. Se você consegue andar, você consegue rolar.

Um segundo conjunto de banheiros especificamente projetados para os visitantes com deficiências. Todos os equipamentos nesses espaços parecem estar montados a uma altura mais baixa que nos outros banheiros, superando as exigências da ADA1. As cabines são mais largas que as de quase todos os banheiros com múltiplos ocupantes.

Anteparos fixados no piso para que pessoas usando bengalas [possivelmente com deficiências visuais] não se desviem para áreas com o pé-direito muito baixo.

O deck na cobertura também tem esses anteparos com iluminação integrada. Se eles não tiverem como objetivo principal ajudar as pessoas com deficiências visuais a entender a geografia à sua volta, ao menos é uma boa coincidência.

Todos os produtos à venda no Centro de Visitantes estão expostos em estantes na linha de visão dos usuários de cadeiras de rodas. Não existem prateleiras com coisas penduradas acima da sua cabeça.

Em vez de rampas, a estrutura como um todo foi construída no exato nível do estacionamento. Geralmente, prédios estão uma calçada acima porque é mais barato usar uma plataforma de concreto elevada do que planar a terra como um todo no local para a fundação. Dinheiro não foi problema aqui.

Uma coisa muito sutil: os extintores de incêndio foram colocados na altura das cadeiras de rodas, atrás de uma porta presa por nada mais que alguns ímãs. Sem vidro para quebrar.

Mesma coisa com o desfibrilador. Eu geralmente vejo eles fixados a mais ou menos 1,5m do piso, portanto na linha de visão de um adulto em pé. Se isso não foi intencional, ao menos é uma boa coincidência.

Só um aspecto do prédio inteiro foi objeto de críticas por parte do visitante:

O único caso de uma instalação que não pode ser usada por pessoas com e sem deficiência é o bebedouro no café. Sua instalação é muito recuada para que usuários de cadeiras de rodas consigam alcançá-lo. Pessoas com deficiência têm de usar um dos bebedouros comuns, próximos aos banheiros.

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No geral, um trabalho impressionante da Apple. Parabéns aos envolvidos!

via Daring Fireball

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