Microsoft quer levar o iMessage para o Windows — agora só falta combinar com a Apple

Microsoft e Apple já deixaram há tempos de serem as arquirrivais de outrora, mas, ao contrário da gigante de Redmond, a de Cupertino ainda preserva hábitos que remontam à época em que as duas brigavam diariamente nos holofotes — por exemplo, sua relutância em abrir os seus serviços para outras plataformas.

Em outras palavras: é muito difícil para desenvolvedores (sejam eles o tio Zé da loja de computadores da esquina ou uma das maiores empresas de tecnologia do mundo) integrarem os produtos digitais da Apple às suas criações, mesmo quando APIs1 estão disponíveis para tal tarefa.

Esse tema nos leva à conferência para desenvolvedores Build, da Microsoft, cuja edição de 2018 foi apresentada nesta semana — um pouco antes da conferência do Google. Dentre as novidades mostradas por lá, a empresa anunciou um novo aplicativo para Windows chamado Your Phone, que, como o nome meio que já diz, se conectará ao seu smartphone para levar parte da experiência móvel (notificações, fotos, contatos, etc.) ao desktop.

Quando for lançado (o que deverá acontecer nos próximos meses, segundo a empresa), o app será compatível tanto com o Android quanto com o iOS. No caso do sistema da Apple, a Microsoft afirmou que sua criação conseguirá importar sem problemas fotos e notificações do iPhone, mas deparou-se com uma barreira ao tentar integrar o iMessage no pacote. Eles esperam poder trabalhar junto da Maçã para incorporar a plataforma de mensagens da empresa ao sistema, mas… bom, todos nós sabemos que essa é uma luta (quase) perdida.

As informações vêm de uma entrevista concedida pelos executivos Joe Belfiore e Shilpa Ranganathan ao The Verge. Como disse o segundo:

A Apple deixa as coisas um pouco mais difíceis para as mensagens, mas nós estamos extremamente dispostos a trabalhar com eles. Eu quero fazer isso de uma maneira que respeite o ecossistema que nós estamos construindo e, ao mesmo tempo, crie uma experiência prazerosa. As mensagens são um ponto onde nós não estamos, atualmente, onde nós precisamos estar em comparação ao Android, mas precisamos trabalhar com a Apple.

Os executivos ainda não entraram em contato com a Apple para sondar qualquer tipo de integração, então nem dá para dizer se a Maçã está minimamente disposta a colaborar com a antiga rival.

Pessoalmente, eu suspeito que a Microsoft vai dar de cara com a parede: o único caso recente em que Cupertino quebrou a sua impenetrável cerca foi o do Apple Music, com o seu aplicativo para Android — e todos nós sabemos que essa foi uma manobra extremamente calculada para levar a plataforma musical a um número significativamente maior de usuários e, com isso, deixá-la mais atraente para gravadoras e artistas. No caso do iMessage… bom, algo me diz que ele está indo muito bem do jeito que está, obrigado.

Ainda assim, a esperança é a última que morre. Quem sabe não vemos uma reviravolta nesse caso para breve? Aguardemos.

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