Polícia americana é instruída a “não olhar” para iPhones com Face ID

Sabemos que as tecnologias desenvolvidas pela Apple são criadas para facilitar a experiência dos usuários e transformar a maneira que nos relacionamos com nossos dispositivos. Os aparelhos, contudo, também podem conter provas de possíveis crimes ou qualquer outra coisa que envolva a lei.

Nesse sentido, no início do mês comentamos um caso no qual o FBI usou o rosto de um suspeito para desbloquear seu iPhone X. Ainda que o resultado dessa ação não tenha sido divulgado, a discussão foi levantada e, recentemente, um documento de uma empresa especializada em análise forense envolvendo o desbloqueio de gadgets da Apple vazou na web.

Documento da Elcomsoft

O documento foi divulgado pelo Motherboard, que afirmou que ele faz parte de uma apresentação pertencente à Elcomsoft, empresa russa com foco em recuperação de senhas e sistemas. A companhia posteriormente confirmou a veracidade das informações e da apresentação.

Basicamente, a Elcomsoft recomenda que policiais e investigadores “não olhem para a tela desses aparelhos, ou então acontecerá a mesma coisa que no evento da Apple”. Essa “mesma coisa” que o documento cita refere-se ao evento especial da Maçã do ano passado, no qual fomos apresentados ao iPhone X.

Para quem não se lembra, durante a demonstração do gadget, o Face ID não pôde reconhecer o rosto do chefão de software da Apple, Craig Federighi, pedindo que ele digitasse a senha do aparelho. Após o evento, a Maçã explicou o que aconteceu: o iPhone X de demonstração passou por muitas pessoas nos bastidores e ele tentou reconhecer o rosto de Federighi todas as vezes, bloqueando as tentativas ao final.

O CEO da Elcomsoft, Vladimir Katalov, explicou que isso é exatamente o que os oficiais devem evitar ao lidar com os dispositivos da Maçã.

Isso é bem simples. A senha é necessária após cinco tentativas mal-sucedidas de identificar corretamente um rosto. Então, olhando para o telefone do suspeito, o investigador perde imediatamente uma das tentativas.

O Face ID não é o único recurso citado no treinamento da empresa e os investigadores também são orientados a evitar o outro recurso de autenticação biométrica do iPhone, o Touch ID. Nesse caso, a polícia foi instruída a sempre utilizar o botão de ligar/desligar do dispositivo para ligá-lo — em vez do botão de Início.

Com o Touch ID, você precisa pressionar o botão (ou pelo menos tocá-lo). É por isso que sempre recomendamos (em nossos treinamentos) usar o botão liga/desliga, por exemplo, para ver se o telefone está bloqueado. Mas, com a identificação facial, é mais fácil ativá-la “acidentalmente” simplesmente olhando para o telefone.

Forçar um suspeito a divulgar a senha para desbloquear seu aparelho pessoa é considerado uma violação da quinta emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege o cidadão contra a autoincriminação. No entanto, o mesmo não acontece com a proteção biométrica, porque o rosto ou as digitais de uma pessoa não são “segredos”.

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Ainda que casos de investigações envolvendo o iPhone no Brasil não sejam recorrentes, o fato de que nossos celulares carregam cada vez mais informações pessoais já é suficiente para que medidas de cautela sejam adotadas. Nesse sentido, a Apple permite que o Face ID seja rapidamente desabilitado nos iPhones que contam com o recurso; desta forma, você impede que alguém desbloqueie o aparelho utilizando seu rosto — seja de propósito ou não.

Para fazer isso, basta pressionar e segurar os botões laterais (de força e de volume) até o aviso para desligar ou ligar para a emergência aparecer na tela. Nesse momento, o Face ID é desativado e você terá que inserir sua senha para reativá-lo.

via 9to5Mac

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