Tim Cook exige leis de proteção de dados mais severas e critica “complexo industrial de dados”

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Se você acompanha o nosso Instagram, então sabe que o CEO1 da Apple está viajando pela Europa para cumprir uma agenda de encontros em diversos países. O evento principal da viagem foi, no entanto, a 40º Conferência Europeia de Proteção de Dados (ICDPPC) que ocorre nesta semana em Bruxelas (na Bélgica).

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Tim Cook participará da Conferência Europeia de Proteção de Dados, que acontecerá na próxima quarta-feira (24/10), em Bruxelas (na Bélgica). Aproveitando a oportunidade, ele passou por algumas cidades europeias, fazendo as suas tradicionais visitas para divulgar e promover os produtos da Maçã. Em #Berlim, Cook visitou a @bildpeter (por conta do app mauAR, focado em realidade aumentada que projeta o Muro de Berlim) e a empresa @asanarebel (criadora de um app de ioga que também usa realidade aumentada). Já em #Paris, ele visitou a @claudelelouch (que filmou seu último projeto todo usando um iPhone), o pessoal responsável pelo app @foodvisor (que, utilizando inteligência artificial, analisa os nutrientes dos alimentos pela fotografia) e o @atelierartistesexil (que expõe trabalhos de artistas refugiados). [via @macrumorscom]

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Tim Cook discursou hoje na conferência e foi ovacionado por, digamos, falar algumas verdades sobre os problemas com a segurança dos dados de usuários. Durante a fala do executivo, ele pediu leis mais severas de proteção de dados nos Estados Unidos para proteger os direitos de privacidades dos usuários diante de um crescente “complexo industrial de dados”.

Nossa própria informação — do cotidiano ao profundamente pessoal — está sendo armada contra nós com eficiência militar. Esses fragmentos de dados, cada um inofensivo o suficiente, são cuidadosamente montados, sintetizados, comercializados e vendidos.

Apesar de não citar nomes, Cook se referiu às empresas que usam informações fornecidas por clientes para lucrarem, tratando os próprios usuários como mercadorias ou produtos, como o Google e o Facebook — ainda que essas empresas integrem, junto a várias outras, o Information Technology Industry Council (ITI), que propôs ao governo dos EUA um novo conjunto de medidas para a proteção dos dados dos usuários.

Levado ao extremo, esse processo cria um perfil digital duradouro e permite que as empresas o conheçam melhor do que você pode se conhecer. Seu perfil é um conjunto de algoritmos que servem para conteúdos cada vez mais extremos, prejudicando nossas preferências inofensivas.

O CEO aproveitou para elogiar o recém-promulgado Regulamento Geral de Proteção de Dados da União Europeia (RGPD), que estabelece regras mais rígidas sobre como os dados das pessoas são tratados por empresas e instituições tecnológicas. Ele defendeu, ainda, que uma lei semelhante seja criada nos EUA.

Este ano, você [RGPD] mostrou ao mundo que boa política e vontade política podem se unir para proteger os direitos de todos. É hora de o resto do mundo, incluindo meu país de origem, seguir sua liderança. Nós, da Apple, apoiamos totalmente uma lei abrangente de privacidade federal nos Estados Unidos.

Foi uma honra ser convidado para o #ICDPPC2018 em Bruxelas nesta manhã. Gostaria de compartilhar um pouco do que disse a esse encontro de reguladores de privacidade de todo o mundo. Tudo se resume a uma questão fundamental: em que tipo de mundo queremos viver?

O RGPD nos mostrou que toda boa vontade política pode se unir para proteger os direitos de todos.

Além de comemorar os avanços nas leis europeias relacionadas à proteção de dados, Cook também celebrou o trabalho de outros países, como o Brasil, nesse sentido.

Devemos celebrar o trabalho transformador das instituições europeias encarregadas da implementação bem-sucedida do RGPD. Também comemoramos os novos passos dados, não apenas aqui na Europa, mas em todo o mundo — em Singapura, Japão, Brasil, Nova Zelândia. Em muitas outras nações, os reguladores estão fazendo perguntas difíceis — e elaborando uma reforma eficaz.

Cook argumentou que as leis de privacidade dos EUA devem priorizar quatro pontos: a minimização de dados (ou seja, o “direito de remover dados pessoais online”); a transparência em relação ao que está sendo coletado; o direito de acessar esses dados; e o direito à segurança (que, por sua vez, é “fundamental para que haja confiança”).

O executivo citou, ainda, o desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial. De acordo com Cook, a Apple (em contraste com outras gigantes da tecnologia), achava que os avanços na área poderiam beneficiar a humanidade, mas advertiu que “avançar a IA a ponto de coletar perfis e dados pessoais é preguiça, não eficiência”.

E quarto, todo mundo tem direito à segurança dos seus dados. A segurança está no centro de todos os direitos de privacidade e privacidade de dados.

A tecnologia é capaz de fazer grandes coisas. Mas isso não quer fazer grandes coisas. Não quer nada. Para isso é necessário que todos nós façamos. Estamos otimistas quanto ao incrível potencial da tecnologia para o bem, mas sabemos que isso não acontecerá por si só.

Para encerrar, o CEO criticou as empresas de tecnologia que “endossam a reforma deles e depois resistem às mudanças”. Para ele, é hora de encarar os fatos e que o verdadeiro potencial da tecnologia “nunca será alcançado sem a plena fé e confiança das pessoas que a utilizam”.

Confira o discurso completo de Cook durante a ICDPPC no vídeo acima.

via TechCrunch

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