Jony Ive fala sobre iPad Pro e os problemas corrigidos no novo modelo

Com o novo iPad Pro devidamente lançado, chegou a hora de Jony Ive dar as suas famosas entrevistas sobre como tudo foi desenvolvido — desta vez, para o jornal The Independent.

Os desafios

Perguntado sobre como ele se sente (se envolve alguma responsabilidade especial) quando um produto bastante amado e comercialmente bem-sucedido muda drasticamente (como agora, com os iPads perdendo o botão de Início), Ive respondeu achar que a sua responsabilidade vai mais longe do que isso. “Começa com a determinação de não cair na armadilha de apenas fazer as coisas diferentes. Porque quando um produto é altamente considerado, muitas vezes há um desejo das pessoas de vê-lo redesenhado. Eu acho que uma das coisas mais importantes é que você mude algo não para torná-lo diferente, mas para torná-lo melhor.”

Novos iPads Pro lado a lado

Para Ive, quando uma mudança grande dessas faz do novo produto algo melhor, você não precisa convencer as pessoas a se apaixonar por ele novamente: “[…] Há sempre aquela reação inicial que é mais um comentário sobre algo sendo diferente, em vez de necessariamente melhor ou pior. Na minha experiência, se nos esforçarmos muito para fazer melhorias materiais, as pessoas rapidamente as reconhecem e fazem o tipo de conexão que tinham antes com o produto.”

Sobre criar elementos de um produto que é considerado mágico por muitos (se é um trabalho meticuloso ou se tudo é fruto de momentos “Eureka”), Ive disse que é uma combinação. “Algumas dessas capacidades e recursos são capacitados por uma tecnologia extraordinária que leva muitos anos para ser desenvolvida. Portanto, essas são decisões que tomamos com muitos anos antes. O Face ID, por exemplo, é um conjunto de tecnologias tão extraordinariamente complexo e sofisticado que não é apenas algo foi desenvolvido para um objetivo singular.”

O design

No primeiro iPad, Ive disse que tudo foi concebido para ser usado na orientação vertical (em pé); agora, porém, a “marca” do novo iPad Pro é que ele não tem uma orientação. Com alto-falantes em todos os lados e sem botão de Início, o tablet pode ser usado de qualquer jeito.

iPad Pro de pé com outra unidade de costas do lado

Uma das outras mudanças no recém-anunciado iPad Pro vem em detalhes nos cantos da tela. É o tipo de mudança que você pode não detectar – mas que pode mudar fundamentalmente sua experiência com o produto.

Falando sobre o display, Ive disse que os tradicionais são absolutamente retilíneos: “Então quando você chega aos cantos eles são essencialmente quadrados. Agora, o que eu sempre achei decepcionante é a maneira como a tela é um componente distinto com cantos quadrados, montado em um design que raramente tem um canto quadrado. Se você olhar para o iPad Pro, você pode ver como o raio, a curva no canto da tela, é concêntrica e simpatizante com a estrutura real. Você sente que é autêntico e tem a sensação de que não é uma montagem de vários componentes diferentes: é um produto único e claro.”

Muitos de nós não diríamos conscientemente “é por isso que gosto disso”, mas acho que, como espécie, somos capazes de sentir muito mais do que somos capazes de articular. Acho que o novo iPad Pro é algo tão singular e integrado que parece diferente de 99% de outros produtos complexos de tecnologia.

Apple Pencil

O novo acessório, como vimos, é totalmente integrado ao iPad Pro já que você o carrega e o transporta simplesmente colocando o lápis junto à estrutura do tablet (tudo é preso por ímãs). Isso só é possível por conta das novas bordas quadradas do iPad, e Ive falou um pouco sobre esse elemento.

Mão segurando o novo iPad Pro bem fino

Para ele, isso só foi possível por conta da espessura mínima que a equipe de engenharia conseguiu concretizar no iPad Pro. “Nós não poderíamos ter feito isso antes, quando os produtos não eram tão finos assim.”

O lápis funciona de várias maneiras. A escrita e o desenho são extraordinários, mas o modo como é transportado com o produto e a maneira como ele recarrega também são importantes.

Talvez até mesmo se explicando pelo modo como o antigo Apple Pencil era recarregado no iPad Pro (pela porta Lightning) e pelo fato de você não ter como transportar o acessório junto ao tablet, Ive deu a seguinte declaração:

iPad Pro deitado com o Apple Pencil anexado magneticamente a ele

Quando você está falando sobre o futuro — e como designer — é onde está a minha cabeça. É extremamente raro que eu sinta que estou trabalhando em resposta a um problema. Eu poderia contar as ocasiões que fiz isso nos últimos 25 anos nos dedos de uma mão. É extremamente raro que o que fazemos seja uma resposta para alguém articular um problema. Por definição, você não sabia que era um problema até que você estava ciente de uma maneira melhor de fazê-lo. O maior desafio aqui é que quando você está resolvendo problemas de uma certa maneira por um longo tempo, muitas coisas lhe convencem de que, é claro, essa é a melhor maneira de fazendo isso […].

Às vezes, na grande maioria das vezes, somos capazes de encontrar uma maneira melhor de resolver um problema.

Alumínio reciclado dos MacBooks Air e Macs mini

Basta falar em alumínio para Ive ficar animado. Perguntado sobre esse que foi um dos pontos altos da keynote (a plateia vibrou bastante quando apareceu a informação que o MacBook Air é feito de alumínio 100% reciclado), o chefão de design da Apple disse que, como o material é bastante importante para a Apple como um todo, a empresa tem uma equipe de cientistas de materiais a qual busca constantemente encontrar melhores ligas e tipos de materiais para projetar.

Família do novo MacBook Air com as três cores

[…] Refinamos a liga específica que usamos e mudamos as maneiras de processar o material. Esse foi um exemplo maravilhoso de como podemos resolver problemas, não ser diferentes de uma maneira artificial, mas ser genuinamente melhores.

Mantivemos o foco no alumínio porque é um material incrível, e um esforço de toda a equipe descobriu uma maneira de desenvolver um material para que possamos usar 100% de alumínio reciclado. Todos nós achamos que isso é tão grande quanto a reação. Na keynote, eu fiquei surpreso com a reação, mas muito feliz por isso.

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A entrevista completa pode ser lida no The Independent.

via MacStories

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