Review: Apple Watch Series 4, a primeira mudança no design do relógio


E cá estamos nós para falar da quarta geração do smartwatch da Maçã, o Apple Watch Series 4. Quarta geração, sim, mas isso não quer dizer que a empresa lançou quatro relógios até aqui. Conte comigo: tivemos o Apple Watch original, o Series 1, o Series 2, o Series 3 e, agora, o Series 4.

A explicação para isso é até relativamente simples. Como sabemos, quando a Apple lança um novo relógio, smartphone ou até mesmo certos computadores (como o novo MacBook Air), ela quase sempre mantém a geração anterior do produto à venda.

Em 2016, quando o Series 2 chegou ao mercado, ela fez isso de uma forma um pouco diferente, já que preferiu dar uma atualizada no coração do produto (o processador) da geração passada, passando assim a chamá-lo de Series 1 — uma estratégia que, mercadologicamente, parece estar fazendo bastante sentido. Agora, em 2018, o Series 4 foi lançado, mantendo o Series 3 à venda.

E por que eu estou explicando isso? Pois, desde da primeira geração do relógio, basicamente nada mudou no design, na estrutura dele. Tivemos, sim, modelos de materiais diferentes — além do alumínio e do aço inoxidável, já vimos relógios feitos de ouro (Apple Watch Edition de primeira geração) e de cerâmica (Apple Watch Edition de terceira geração), mas os tamanhos (38mm e 42mm) e as telas permaneceram exatamente os mesmos ao longo desse trajeto. Bem, até aqui.

Design

Agora, pela, primeira vez, temos um Apple Watch diferente dos já lançados.

Apple Watch Series 4

Analisando rapidamente, essas mudanças podem parecer poucas e até simples, mas não subestime o poder de uma carcaça um pouco mais fina (11,4mm vs. 10,7mm), maior (caixa mais alta, passando de 38mm e 42mm para 40mm e 44mm, respectivamente) e com cantos arredondados.

Caixas dos Apple Watches Series 3 e 4

Apple Watch Series 3 à esquerda; Apple Watch Series 4 à direita. Observe outra mudança sutil: o botão lateral, abaixo da Digital Crown, não é mais “saltado” como antes.

Apenas olhando para um Series 1/2/3 ao lado de um Series 4, provavelmente qualquer pessoa — mesmo que nunca tenha visto um Apple Watch na vida — identificará o Series 4 como o modelo mais atual. Esse é um característica da Apple que intriga: como ela consegue, com mudanças tão sutis, diferenciar seus novos produtos?

Essas são, é claro, as mudanças mais visíveis; existem outras, como o redesenho e reposicionamento dos alto-falantes e a troca de lado do microfone (que saiu de perto dos alto-falantes e foi parar entre a Digital Crown e o botão lateral).

O peso também mudou, veja só:

Modelo Alumínio Aço inoxidável
Apple Watch Series 3 de 38mm 26,7g | 28,7g* 42,4g
Apple Watch Series 3 de 42mm 32,3g | 34,9g* 52,8g
Apple Watch Series 4 de 40mm 30,1g 39,8g
Apple Watch Series 4 de 44mm 36,7g 47,9g

(*) Modelos com conectividade celular (um pouco mais pesados).

A parte de trás do relógio também mudou bem e, agora, independentemente do modelo que você comprar (seja ele de alumínio ou de aço inoxidável), ela é feita de cerâmica em vez de material composto.

Traseira do Apple Watch Series 4

O visual da parte traseira, aliás, mudou — graças ao sensor cardíaco elétrico e ao sensor cardíaco óptico de segunda geração (mais sobre isso abaixo).

Mesmo com essa primeira mudança no design do produto, o Apple Watch Series 4 continua sendo felizmente compatível com todas as pulseiras já criadas para o relógio — nesse ponto, não há motivos para se preocupar.

Tela

Essa, para mim, foi a maior novidade do Apple Watch Series 4: a nova tela. As especificações em si continuam iguais, já que estamos falando de um display OLED1 com Force Touch e 1.000 nits de brilho; a diferença fica por conta da tecnologia LTPO (low temperature polycrystalline oxide, ou óxido policristalino de baixa temperatura, que é essencialmente um híbrido das tecnologias LTPS2 e IGZO3, fornecendo uma alta corrente quando o transistor está ligado e baixo consumo de energia quando o transistor está desligado).

O ponto é que, assim como nos iPhones e nos iPads Pro, a tela em si foi ampliada, perdendo aquelas margens/bordas enormes. E isso faz uma diferença enorme na utilização do relógio e na visualização de conteúdo, já que agora temos muito mais área útil.

Comparativo de telas dos Apple Watches

São 324×394 pixels no modelo de 40mm e 368×448 pixels no de 44mm.

Na prática, isso quer dizer que temos uma área de visualização 34,8% maior no modelo de 40mm (se comparado ao de 38mm) e de 28,7% no modelo de 44mm (comparado ao de 42mm)! Tudo ficou maior e mais fácil de visualizar nesses novos relógios, começando pela código de quatro dígitos (que eu realmente recomendo você configurar por questões de segurança) — se antes você precisava “catar milho” para digitar tudo na tela, agora tudo parece mais de acordo com a nossa necessidade.

Uma mudança simples, mas que transforma a nossa experiência ao interagir com o produto. Ponto para a Apple!

Apesar de um visual muito mais moderno e de um aproveitamento muito superior do espaço, esses cantos arrendados têm seus contras — abaixo, eu mostro dois exemplos:

Tela com cantos arredondados do Apple Watch Series 4

Note como, ao ligar a lanterna, o horário fica deslocado ali no canto superior direito, quase que no limite do espaço. Na outra imagem, vemos que o botão “Descartar” está com os cantos inferiores meio arredondados, meio retos — isso porque o botão não atingiu a parte inferior da tela, mas já está na área curvada na lateral. Definitivamente um problema estético e que não influencia em absolutamente nada no funcionamento do relógio ou do sistema — e fruto desse novo design.

Isso, contudo, não pesa nem um pouco contra a escolha da Apple, já que a nova tela com cantos arredondados proporciona muito mais benefícios do que malefícios.

Ainda sobre a tela, eu preciso reclamar de uma coisa: a Apple ainda insiste em colocar um vidro de Íon X nos modelos de alumínio em vez de cristal safira, como nos de aço inoxidável. O Apple Watch é o dispositivo da Maçã que mais esbarra em coisas (pudera, ele está no seu pulso), então seria ótimo se não tivéssemos que nos preocupar tanto com arranhões na tela — e, com o vidro de Íon X, eu digo que com certeza é questão de tempo até eles surgirem. 😞

Performance

O primeiro Apple Watch tinha uma performance sofrível. No começo, os aplicativos nem mesmo rodavam nele e sim no iPhone, para termos uma ideia. O Apple Watch Series 2 foi o primeiro smartwatch da Apple capaz de realmente rodar aplicativos e ser considerado um computador de pulso. A coisa melhorou ainda mais no Series 3, chegando ao ponto que todos os usuários desejavam em se tratando de performance de um relógio inteligente.

No Series 4, obviamente, a Apple está utilizando um novo chip chamado S4. Trata-se de um System in Package (SiP) completo, ou seja, um sistema inteiro feito em um único componente — segundo a Apple, o Watch é o único produto do mundo que funciona exclusivamente com tecnologia SiP.

Ainda segundo a empresa, ele é até duas vezes mais rápido, fazendo com que apps abram mais rápido e todo o sistema tenha um desempenho muito melhor. De fato, você percebe — como com qualquer produto novo que tira da caixa — que a performance dele está ótima. Se está duas vezes melhor… bem, difícil dizer, até porque eu já estava bem satisfeito com a performance do Apple Watch Series 3.

Resumindo: ainda que tenhamos ganhos, esse definitivamente não é um argumento que me faria trocar o Series 3 pelo 4.

Bateria

Como sempre, aqui eu tenho duras críticas. Claro que, como já dissemos, isso não é apenas culpa da Apple mas sim da indústria de baterias como um todo que está estagnada e não avançou da mesma forma que outras tecnologias.

Na prática, o Apple Watch Series 4 continua oferecendo as mesmas 18 horas de uso do Series 3 — isso, é claro, pensando numa utilização normal. Em utilizações específicas, temos:

Para recarregar um Apple Watch até 80%, você precisa de 1,5 hora; para chegar a 100%, pelo menos 2 horas.

Bateria do Apple Watch Series 4

Essa vida útil da bateria do Apple Watch é algo que interfere diretamente no que o relógio é capaz de fazer. Quer um exemplo (antigo)? Se a bateria durasse 3-4 dias, a Apple poderia — com os sensores que já existem no relógio — facilmente criar um aplicativo nativo para monitoramento de sono, ampliando ainda mais os recursos do app Saúde (Health) do iOS e oferecendo mais uma grande fonte de informação para usuários melhorarem suas vidas.

É possível fazer isso hoje? Claro, existem aplicativos de terceiros que preenchem essa lacuna, mas ainda assim é um incômodo grande ter que recarregar o relógio basicamente dia sim, dia não para poder monitorar o seu sono.

Não é nenhum mistério que a empresa quer tornar o Apple Watch o dispositivo mais importante na vida das pessoas (falando de saúde). Para isso, o relógio precisa necessariamente ficar o máximo de tempo no nosso pulso; bateria, então, é algo primordial.

Ainda que o Series 4 continue oferecendo as mesmas 18 horas de uso, como falei acima, a Apple deixou o aparelho menos espesso (tirou 0,5mm dele) — e isso impactou diretamente a bateria, que passou de 1,07 watt-hora (Series 3 de 38mm) para 0,86 watt-hora (Series 4 de 40mm) e de 1,34 watt-hora (Series 3 de 42mm) para 1,12 watt-hora (Series 4 de 44mm). Ou seja, temos uma queda de 19,7% nos modelos menores e de 16,5% nos maiores. Me pergunto quanto mais de bateria teríamos se esses números tivessem sido mantidos…

O ponto é que hoje, sem utilizar o relógio à noite, você vai precisar recarregá-lo dia sim, dia não.

Sensores

Reclamação feita, hora de elogiar outras melhorias implementadas no Apple Watch Series 4: os novos sensores.

Esse visual mais bonito e moderno na parte traseira é muito fruto da chegada do sensor cardíaco elétrico — consequentemente, de uma das novidades mais legais do Apple Watch Series 4 mas que ainda não está disponível para ninguém: a possibilidade de fazer um eletrocardiograma (ECG) pelo aparelho!

ECG no Apple Watch Series 4

Na verdade, são dois sensores: esse e um outro posicionado na Digital Crown. Ao ativar a leitura e posicionar o seu dedo na pecinha giratória, cria-se um circuito fechado que é capaz de, em 30 segundos, fazer uma leitura do ritmo do seu coração e detectar possíveis anomalias (como a tão falada fibrilação atrial — um tipo de arritmia cardíaca que pode antever problemas sérios, como um AVC4).

O recurso, contudo, ainda não foi liberado pela Apple por um motivo simples: ele precisa ser aprovado pelos órgãos reguladores de cada país onde é comercializado. Nos EUA, a Apple prometeu que vai liberar o ECG ainda em 2018; aqui no Brasil, dependemos da aprovação da Anvisa para que tudo possa ser liberado pela Maçã. Sendo assim, não há muito o que comentar sobre isso — apenas aguardar e torcer para que tudo seja liberado o quanto antes, já que estamos falando de algo realmente incrível.

Batimentos cardíacos no Apple Watch Series 4

Mas essa não é a única novidade relacionada a sensores do Series 4. Nele, também temos um sensor cardíaco óptico de segunda geração que monitora os seus batimentos durante todo o dia. Se por um acaso ele detectar uma frequência muito alta ou baixa5, você receberá um alerta na hora.

Graças aos novos sensores acelerômetro e giroscópio, o Apple Watch Series 4 agora também sabe se você caiu!

Ao detectar uma queda, ele mostra um alerta e oferece a opção de ignorar ou de ligar para os serviços de emergência. Se você não conseguir responder em 60 segundos, o relógio ligará para um número de resgate automaticamente e enviará uma mensagem com sua localização para os seus contatos de emergência — mais informações esse recurso neste artigo.

Digital Crown e alto-falantes

A Digital Crown também recebeu ótimas melhorias nessa geração.

Digital Crown do Apple Watch Series 4

O funcionamento dela continua exatamente o mesmo mas, agora, ao girá-la, você tem uma resposta tátil que ajuda até mesmo a lhe dar mais precisão no controle da rolagem. Essa resposta é gerada pelo Taptic Engine, simulando o som e a sensação de uma coroa de um relógio analógico. Só experimentando no dia a dia para ter a real noção de como ficou melhor!

Alto-falante do Apple Watch Series 4

Como disse acima, o alto-falante agora fica sozinho do lado direito do relógio e, agora, de acordo com a Apple, é 50% mais potente. O aumento é notável e, apesar de eu usar muito pouco a Siri no relógio (na verdade, em qualquer aparelho), o ganho é bem-vindo principalmente por conta do app Walkie‑Talkie (do qual falarei mais abaixo); o microfone, por sua vez, trocou de lado para reduzir o eco e melhorar as ligações.

Conectividade

No quesito conectividade, pouco mudou. O Apple Watch Series 4, assim como o 3, conta com GPS, GLONASS, Galileo e QZSS, altímetro barométrico, é à prova d’água
(50 metros), tem um sensor de luz ambiente e suporte às tecnologias LTE e UMTS e Wi-Fi 802.11b/g/n na frequência de 2,4GHz. As novidades nessa área ficam por conta do Bluetooth 5.0 (em vez do 4.2), 16GB de espaço para armazenando de músicas e fotos (antes, apenas os modelos com conectividade celular tinham 16GB, enquanto os GPS vinham com 8GB) e o novo chip W3 (em vez do W2), o qual melhora a experiência com conexões sem fio (estabilidade, alcance e autonomia de bateria do relógio).

Apple Pay

Assim como os outros, também é possível efetuar pagamentos com o seu cartão de crédito pelo Apple Pay. Aliás, isso merece um parágrafo: o Apple Pay parece que foi feito para o relógio. Se já é mais pratico efetuar pagamentos pelo iPhone, que dirá pelo Apple Watch! É só apertar o botão lateral duas vezes, chegar perto da maquina e pronto. Uma pena que, até hoje, o histórico de pagamentos realizados pelo relógio não apareça no app Wallet do iPhone — ao menos aqui, desde o lançamento do Apple Pay no Brasil, estou com esse problema.

GPS + Cellular

Assim como o Series 3, o 4 conta com um modelo dotado de conectividade celular. Infelizmente, como na geração passada, o modelo homologado pela Apple aqui no Brasil não é americano — desta forma, infelizmente não adianta tentar aproveitar aquela viagem para Miami ou Nova York e comprar um Apple Watch Series 4 (GPS + Cellular) pois ele não funcionará aqui no Brasil (ao menos a parte de conectividade celular, não).

Isso porque, por conta do seu tamanho, o dispositivo não tem um modem tão completo quanto o de um iPhone. Para termos uma ideia, os modelos americanos do Apple Watch Series 4 com conectividade (A1975 e A1976; 40mm e 44mm) não suportam *nenhuma* das bandas utilizadas pelas operadoras brasileiras (3, 7 e 28, de 1.800MHz, 2.600MHz e 700MHz respectivamente). Já os modelos europeu/asiático/brasileiro (A2007 e A2008; 40mm e 44mm) contam com suporte às bandas 3 e 7, apenas — veja a lista completa nesta página.

Assim como no ano passado, a Apple continua oferecendo Watches de aço inoxidável apenas com conectividade celular. Ou seja, se você quer um com esse material mas não faz questão nenhuma de ter um modelo GPS + Cellular, terá que adquiri-lo de qualquer forma. Apesar de pagar mais por isso, não há absolutamente nenhum problema em ter um modelo LTE e não usar assinar um plano de dados para ele — o relógio continuará funcionando como um modelo só com GPS.

MM no Ar no Apple Watch Series 4

Os diferenciais da conectividade, como já abordamos em alguns artigos aqui no site, são: usar a Siri para obter itinerários, enviar iMessages e muito mais; enviar e receber mensagens pelo app Mensagens; fazer e receber ligações pelo app Telefone; verificar o tempo atual pelo app Tempo; acompanhar as ações na bolsa de valores pelo app Bolsa; controlar seus dispositivos conectados ao protocolo HomeKit pelo app Casa; usar todos os apps compatíveis com Wi-Fi, como por exemplo o Buscar Meus Amigos; e, é claro, escutar músicas no Apple Music e o MacMagazine no Ar (e outros) pelo app Podcasts — isso tudo sem o seu iPhone por perto.

watchOS 5

Aqui estão também ótimas novidades. E o melhor: muitas não são restritas ao Series 4!

App Exercício no Apple Watch Series 4

A parte de exercícios e desafio do sistema como um todo ficou mais gamificado, sendo possível agora desafiar amigos para competições com duração de uma semana (vence quem acumular mais pontos que são creditados de acordo com o percentual dos círculos de Atividade que você completar). Durante uma competição, você recebe ainda alertas que mostram quem está ganhando e os pontos de cada um — o Breno, por exemplo, está dando uma lavada em todo mundo! 😝

Ainda que não funcione 100% do tempo aqui comigo — principalmente se eu estiver pedalando —, a detecção automática de exercício é uma mão na roda! O Apple Watch percebe se você está fazendo certos tipos de exercício e manda um alerta caso você tenha esquecido de iniciar a sessão no app. E não fique preocupado pois, se você tiver começado um exercício há alguns bons minutos, o relógio atribui os devidos créditos a essa parte — e ainda envia um lembrete para terminar o exercício, caso você também esqueça de concluir tudo.

Há ainda novos exercícios (ioga e trilha), alerta de ritmo (escolha o ritmo da sua corrida que o Watch dá um toque no seu pulso para avisar quando estiver mais lento ou mais rápido), ritmo móvel (informações atualizadas na tela para você comparar seu ritmo atual com o do quilômetro anterior) e passos por minuto (para você correr sempre na mesma cadência, aumentando a eficiência e reduzindo lesões).

Temos também agora disponível no nosso pulso o app Podcasts (com sincronização automática e reprodução por streaming) e, finalmente, o aplicativo Walkie-Takie, o qual era para ter sido lançado pela Apple junto ao primeiro modelo do Watch.

Walkie Talkie no Apple Watch Series 4

Depois de adicionar contatos no app, basta tocar nele começar a conversar. É bem verdade que o app ainda precisa melhorar bastante para se tornar 100% confiável (você não recebe nenhum tipo de aviso quando alguém quer começar a conversar com você, por exemplo — sem falar nas muitas vezes em que a comunicação simplesmente não é estabelecida). Ainda assim, é um recurso bem útil para aqueles momentos nos quais você quer dar um recado bem rápido.

O mostrador Siri no watchOS 5 usa aprendizado de máquina para conhecer você melhor e dar sugestões mais proativas durante o dia todo, com conteúdo relevante e atalhos na hora e no lugar certo. Por falar em Siri, você não precisa mais dizer “E aí, Siri” para a assistente lhe ouvir. É só levantar o pulso6 e começar a falar com ela — confesso que eu preferia o jeito antigo, já que agora muitas vezes a Siri me escuta sem eu querer.

As notificações também foram melhoradas no watchOS 5. Além de poder interagir por ela com seus apps (mudando, por exemplo, o horário e o número de pessoas na sua reserva de restaurante — desde que o app ofereça suporte para tal recurso), as notificações de um mesmo aplicativo ficam agora agrupadas, você pode ver conteúdos da web por elas (caso receba um link na mensagem, por exemplo) e pode ainda gerenciá-la pelo próprio relógio (podendo escolher a opção “Receber em Silêncio” ou “Desativar no Apple Watch”).

Sem falar, também, de novas opções de mostradores como “Fogo e Água”, “Metal Líquido”, “Vapor” e “Cor”.

Isso tudo, como eu disse, vale para todos os modelos de Apple Watches (com exceção do original, lançado em 2015). Mas, como sempre, a Apple deixou algumas coisas apenas para os novos modelos. A começar pelos mostradores Infográfico e Infográfico Modular, os quais aproveitam muito bem a tela maior do relógio e exibem muito mais informações/complicações — no Infográfico, você pode configurar até oito complicações!

O que eu ainda quero ver no Apple Watch

Existem coisas que a tecnologia ainda nos limita e que não é possível termos, ainda, no Apple Watch (como um leitor de glicemia que seria revolucionário para quem tem diabetes) — um dia, isso há de chegar! Outros, porém, como o exemplo do monitoramento de sono que eu comentei acima, são tão possíveis que eu me pergunto como está demorando tanto para aterrissar.

Quer mais um exemplo? Um dos pontos fortes da Apple é o ecossitema que ela consegue criar por oferecer dispositivos que estão nos nossos pulsos, bolsos, mesas, etc. Contudo, a conversa entre o Apple Watch e esses outros aparelhos ainda não é feita da melhor forma possível. Eu acho incrível poder desbloquear o Mac com o meu relógio — se você não tem um MacBook Pro com Touch Bar ou um MacBook Air com Touch ID, essa é a melhor opção para você desbloquear o seu Mac sem dúvida nenhuma —, mas eu não entendo como até hoje a Apple não faz as notificações do relógio simplesmente serem “repassadas” para o Mac quando estamos trabalhando.

Por que me fazer olhar para o pulso? Não seria mais simples me mostrar essa informação numa tela maior, para onde o meu olho já está apontado? Eu até entenderia uma notificação para eu ficar em pé, por exemplo, ser mostrada no próprio relógio; agora, notificações corriqueiras poderiam facilmente serem repassadas para a telona.

A minha experiência

Não estamos, ainda, num estágio em que esse produto é essencial para a vida de qualquer ser humano como é o smartphone atualmente. Na verdade, nem sei se será. Ainda assim, o Apple Watch é um gadget muito prazeroso para quem pratica atividades físicas e gosta de ter um controle maior de alguns aspectos da sua saúde. No mais, ele também é uma ótima fonte de informação por meio das notificações.

Eu, quando estou sem ele, sinto uma falta enorme de interagir com algo no meu pulso — que é muito mais cômodo do que ficar tirando o celular toda hora do bolso. O monitoramento de exercícios é algo tão viciante que você fica até um pouco desnorteado se tiver que correr, nadar ou pedalar sem o relógio por algum motivo — olhar para ele e ver/analisar aquelas informações durante o exercício é algo indispensável para mim hoje em dia.

Exercício com o Apple Watch Series 4

Mesmo sem ter um modelo com conectividade celular, atualmente eu só corro com ele. Sincronizo as minhas músicas offline, coloco os meus AirPods e vou para a atividade. Nesse ponto, acho até mais interessante não ter mesmo um modelo LTE por permitir que você se dedique e tenha uma experiência muito mais imersiva — imagine, durante uma corrida de 1 hora, a quantidade de notificações de mensageiros ou até mesmo ligações que você poderia receber e que podem tirar o seu foco. Claro, o botão “Não Perturbe” está ali a uma deslizada de distância mas, se for para fazer isso, para quê ter o modelo com conectividade?

Voltando ao principal assunto, o Apple Watch, na sua quarta geração, continua sendo um dispositivo totalmente ligado a saúde/fitness e/ou a pessoas que gostam de controlar notificações. Se você não se encaixa nesse perfil, arrisco dizer que não vai gostar tanto assim de ter um.

Preços

Caixa do Apple Watch Hermès

Os preços aqui no Brasil, como já falamos, vão de R$4.000 (Apple Watch Series 4 GPS de 40mm com caixa de alumínio e pulseira esportiva/loop esportiva) a R$14.000 (Apple Watch Hermès GPS + Cellular de 44mm com caixa de aço inoxidável e pulseira Simple Tour Hermès Fauve de couro Barenia com fecho Deployant). Nos Estados Unidos, os valores variam de US$400 a US$1.500.

No ano passado, quando o Series 3 foi lançado, ele chegou ao Brasil (na sua versão mais em conta) por R$2.600 — ou seja, estamos falando aí de um aumento de 53% no valor-base do produto. Vale notar, contudo, que o valor do Apple Watch também aumentou nos EUA — antes ele custava a partir de US$330, um aumento de 21%.

Vale a pena comprar o Apple Watch Series 4?

Sobre fazer ou não o upgrade para o Series 4, eu serei bem prático: obviamente, tudo depende do seu bolso e da sua vontade de ter um aparelho novo como esse. Necessidade, mesmo, eu diria que apenas quem está usando o modelo original ou o Series 1 teria; quem está no Series 2 não necessariamente precisa, mas seria um upgrade muito bem-vindo. Agora, se você está com um Series 3 e não se apaixonou pelo novo design e/ou não sente falta de uma tela um pouco maior, não há motivos para trocar. A não ser que você tenha algum problema cardíaco e queria comprar o relógio pensando no ECG, quando ele for liberado — nesse caso, não tem nem o que pensar.

A mudança de 42mm para 44mm sem dúvida agradou muito àqueles que torciam pela adição de um novo tamanho (maior, claro) à linha. Acredito que o modelo de 44mm agradará em cheio quem se incomodava com o de 42mm, oferecendo o balanço perfeito de tamanho de caixa com aproveitamento de tela.

O futuro

Se você usa Android em vez de iPhone e queria ter um Apple Watch, me desculpe, mas esse ainda não é o momento. Apesar de existir um modelo com conectividade celular (o qual é, sem dúvida, bem mais independente que o modelo GPS), você ainda precisa do iPhone para muita coisa — como configurar o relógio pela primeira vez, baixar apps, receber ligações e mensagens, etc.

Eu ainda acredito que, um dia, o Apple Watch será um produto totalmente livre do smartphone — o que não quer dizer que os aparelhos não possam conversar, não é isso. Estou me referindo ao fato de você poder comprar um Apple Watch e utilizá-lo sem precisar colocar as mãos num iPhone. Lembram da época que era necessário tem um Mac ou PC para usar um iPhone? Pois é, isso hoje é passado e eu acredito que o Apple Watch seguirá, um dia, esse caminho.


Logo da Go Imports

O MacMagazine agradece à Go Imports — revendedora de produtos Apple que tem como objetivo fornecer produtos da Maçã a um preço justo no Brasil — pela oportunidade de fazer a cobertura internacional do Apple Watch Series 4. Se você está pensando em comprar Mac, iPad, iPhone, Apple Watch ou acessórios Apple, a Go Imports é o lugar!

Prós

  • Novo design e tela;
  • Possibilidade de fazer um ECG;
  • Compatibilidade com pulseiras antigas.

Contras

  • Aumento no preço (inclusive nos EUA);
  • Duração da bateria;
  • Vidro de Íon X no modelo de alumínio.
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