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Tim Cook sobre privacidade: “Temos que admitir quando o livre mercado não funciona”

Os dias podem estar sendo de contenção de (suposta) crise em Cupertino, mas isso não impediu Tim Cook de receber jornalistas para uma interessante entrevista tocando em assuntos variados sobre a Apple, sua vida pessoal e assuntos relacionados.

Foi exatamente o que aconteceu no último fim de semana: o CEO recepcionou Ina Fried e Mike Allen, do Axios, em pleno Apple Park para um papo posteriormente transmitido pela HBO. A conversa começou leve, tratando do dia a dia do executivo — Cook disse que levanta um pouco antes das 4h da manhã e passa a primeira hora do seu dia lendo mensagens de usuários e clientes da Apple; em seguida, ele parte para a academia, para “manter o estresse controlado”.

Os jornalistas citaram também os acordos milionários entre Apple e Google que mantém o serviço de buscas da segunda como padrão do Safari, no ecossistema da primeira. Perguntado se tal contrato iria contra o compromisso de privacidade mantido pela Apple, Cook respondeu:

Em primeiro lugar, eu acho que o motor de buscas deles é o melhor. Mas dois, olhe o que nós temos feito com os controles. Nós temos navegação privada, nós temos prevenção inteligente de rastreamento. Nós temos muitas maneiras de ajudar os usuários ao longo do dia. Não é algo perfeito, mas ajuda bastante.

Continuando na questão da privacidade, Cook falou também sobre sua defesa constante — e reforçada, nos últimos tempos, por outros nomes importantes do mundo tecnológico — de regulamentações mais fortes para proteger os dados dos usuários, especificamente nos Estados Unidos. O executivo afirmou que, no geral, não é fã de regulamentações e prefere o livre mercado, mas uma linha há de ser traçada.

No geral, eu não sou fã de regulamentações. Eu acredito muito no livre mercado. Mas nós temos que admitir quando o livre mercado não funciona e ele não funcionou aqui. Eu acho que é inevitável que haverá algum nível de regulamentação. Eu acho que o Congresso e a administração atual vão aprovar isso em algum momento. […] Não é uma questão de privacidade contra lucro, ou privacidade contra inovação tecnológica; essa é uma escolha falsa — seu dispositivo tem uma sabedoria incrível sobre você, mas eu, enquanto empresa, não posso ter isso.

Os jornalistas também entraram na questão da diversidade de gênero no Vale do Silício, citando dados que indicam uma cultura ainda dominada por homens nas maiores empresas tecnológicas da área — Apple inclusa. Cook afirmou que a Maçã está tentando realizar mudanças nesse paradigma e não está sozinha nisso, ainda que o Vale tenha sido omisso na questão por muito tempo.

Eu acho que o Vale está mais aberto e mais receptivo a pessoas com trajetórias diferentes, mas eu concordo totalmente que, de um ponto de vista de gênero, nós deixamos passar e o mundo tecnológico em geral deixou passar. Eu sei que nós gastamos muita energia nisso e estamos constantemente nos perguntando “como podemos melhorar mais”? e escutando o que as pessoas nos dizem. Eu acredito que outras pessoas fazem isso, também. Eu me sinto confiante em dizer que veremos uma melhora mais visível ao longo do tempo.

Ao fim da entrevista, os jornalistas do Axios ainda tiveram a oportunidade de visitar um dos laboratórios utilizados pela Apple para os testes de atividade relacionados ao Apple Watch.

Laboratórios do Apple Watch no Apple Park

Por lá, os testadores usam máscaras pesadas que medem gasto de calorias e outras informações corporais ao realizar atividades físicas como corrida, canoagem, ioga e nado. Três cômodos podem adquirir temperaturas variadas, muito quentes ou muito frias, para testes em condições extremas.

via 9to5Mac

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