Tim Cook reconhece vendas baixas de iPhones em carta para investidores


Não é de hoje que se fala do suposto desempenho decepcionante dos novos iPhones no mercado. Bom, agora não é mais “suposto”: ninguém menos que Tim Cook em pessoa declarou aos investidores da Apple que “as vendas mais baixas de iPhones” causaram impacto nas finanças da empresa — e assim deverão continuar ao menos ao longo dos próximos meses.

A declaração veio em uma carta aos investidores, publicada agora há pouco no site da empresa, na qual Cook revisa as previsões realizadas na última conferência de resultados financeiros. Notavelmente, a Apple reduziu significativamente sua previsão de receita para o primeiro trimestre fiscal de 2019 — em novembro, a empresa tinha previsto uma receita entre US$89 e US$93 bilhões para o período; agora, essa estimativa está nos US$84 bilhões.

Outros números importantes permanecem estáveis: a empresa ainda prevê uma margem bruta de aproximadamente 38%, gastos operacionais de cerca de US$8,7 bilhões e uma taxa de impostos de aproximadamente 16,5%. O índice de receitas/(despesas) também subiu consideravelmente entre as previsões de novembro e as atualizadas, de US$300 milhões para aproximadamente US$550 milhões.

Cook lembra que esses números são apenas previsões e os resultados definitivos serão divulgados somente no fim do mês — mais precisamente, no dia 29 de janeiro, uma terça-feira, às 20h (pelo horário de verão de Brasília) —, mas a empresa achou salutar divulgar essas informações preliminares aos investidores.

O CEO aponta uma série de fatores para a queda nas receitas, focados especialmente no iPhone. Entre eles, Cook fala da estratégia de lançamento diferente de 2018 (quando os iPhones mais caros foram lançados primeiro, deixando o modelo mais acessível — o XR — por último), do fortalecimento do dólar que fez os preços dos smartphones subirem em mercados estrangeiros e de desafios inesperados em mercados emergentes, como a China — país que mais contribuiu para a queda da receita proveniente do iPhone.

“Esses e outros fatores resultaram em menos upgrades de iPhones do que nós tínhamos previsto”, escreveu o CEO.

Alguns pontos da carta de Cook chamam a atenção: dentre os motivos para justificar a queda na demanda por iPhones, o executivo citou o programa de troca de baterias a preços reduzidos — segundo ele, os consumidores “tiraram vantagem” da iniciativa para trocar apenas as baterias dos seus dispositivos e não os aparelhos como um todo. A declaração, claro, não pegou bem.

Não sei se Cook devia ter listado isso como um motivo para vendas de iPhones abaixo do esperado. Soa como se a forma antiga de lidar com a degradação das baterias era proposital para fazer as pessoas comprarem aparelhos novos.

Mesmo com a queda na previsão da receita, Cook apontou vários resultados positivos recentes da Apple. Ele citou a base de dispositivos ativos da Maçã, que atingiu um novo recorde com mais de 100 milhões de ativações nos últimos 12 meses; as receitas “desconsiderando o iPhone” com um crescimento de 19% na comparação ano a ano e a popularidade dos dispositivos vestíveis e do segmento de serviço também foram listadas.

Para ficar claro, esse ainda será o segundo maior trimestre da Apple de todos os tempos. A Apple é uma geradora enorme de receita e lucro, e continuará assim por muitos anos.

Tudo isso é notável porque é sobre o iPhone, e aparentemente porque até a Apple foi pega de surpresa.

Dito isso, o iPhone ainda é o motor de lucro e crescimento da Apple, responsável por quase dois terços das operações financeiras da empresa. Quando o iPhone cai, portanto, a companhia como um todo cai. E como caiu: minutos após a publicação da carta, a $AAPL caíram cerca de 7%; no momento, pós-fechamento dos pregões de hoje da NASDAQ, cada ação está avaliada em US$146,50.

Cook já falou um pouco à CNBC:

Fica aberta, agora, a temporada de especulações para como Cook e a empresa reagirão à tempestade. A carta de hoje é basicamente uma admissão de que a estratégia de jogar os preços de iPhones nas alturas não está dando certo, e vai ser interessante ver quais serão as próximas jogadas de Cupertino para reverter esse cenário. Opiniões?

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