Apple admite que Qualcomm era sua única opção para chips 4G; testemunha questiona teoria de abuso de poder


A batalha judicial entre Apple e Qualcomm está se estendendo a níveis que nunca imaginaríamos — e, nas últimas semanas, com as duas empresas presentes em audiências e compartilhando informações e trocando acusações, as novidades sobre o caso surgem a cada dia. Recentemente, duas delas foram reveladas.

4G

Primeiramente, a Apple admitiu em uma audiência perante à Federal Trade Commission (FTC) uma informação que, por incrível que pareça, pode favorecer a rival. A gigante de Cupertino declarou que, na época da transição para a conectividade 4G (que, na Maçã, estreou no iPhone 5), a Qualcomm era a única opção da empresa para fornecer os modems compatíveis com a então nova tecnologia.

Quem fez a declaração, trazida pela Bloomberg, foi o diretor de arquitetura de sistemas de celular da Apple, Matthias Sauer. Segundo o engenheiro, a empresa teria considerado utilizar peças da Ericsson, da Broadcom ou da Intel na transição, mas nenhuma das empresas foi capaz de entregar as especificações solicitadas pela Maçã — apenas quatro anos depois, com o iPhone 7, outra empresa (a Intel) conseguiu entregar modems 4G dentro dos requerimentos da Apple.

A novidade fortalece a narrativa da Qualcomm de que suas ações não constituem extorsão ou abuso de poder, e que suas parceiras (como a Apple) simplesmente continuaram comprando produtos seus porque sua tecnologia estava acima da das concorrentes. E, quanto a isso, o segundo ponto desse artigo pode solidificar ainda mais essa teoria.

Abuso de poder

Como informou a CNET, uma testemunha-chave do caso deu uma declaração que também pode favorecer a Qualcomm nas decisões que deverão surgir nos próximos meses. A especialista em políticas de competição Tasneem Chipty afirmou à FTC que a gigante dos chips simplesmente não teria força suficiente sobre a Apple para constituir uma relação de abuso de poder com a Maçã.

A quem não lembra muito bem do início da história, aí vai um resumo (muito) breve: a Apple acusou a Qualcomm em dobro por suas tecnologias de conectividade celular — uma vez pelas peças em si incluídas nos iPhones e uma segunda vez ao cobrar uma taxa de licenciamento das suas patentes. Além disso, a Maçã diz que é irregular a exigência da rival em cobrar uma porcentagem do custo total de cada iPhone em vez de uma taxa fixa por seus chips; tudo isso em conjunto constituiria, segundo a Apple, um caso de abuso de poder em que a Qualcomm estaria usando sua posição privilegiada no mercado para extorquir dinheiro da parceira (e de outras empresas).

Segundo Chipty, entretanto, esse não é o caso: “A Qualcomm não tem poder de mercado suficiente para coagir as fabricantes a fecharem contratos onerosos que as sugariam bilhões de dólares”, afirmou a especialista. Ela citou casos nos quais a Qualcomm foi obrigada a ajustar suas operações por conta da concorrência, como numa ocasião em que precisou diminuir os preços dos seus chips por conta de uma investida forte da MediaTek no mercado, ou quando a Apple fechou contrato com a Intel para fornecimento dos chips 4G.

Resumidamente, a teoria de Chipty é de que a Apple em nenhum momento foi forçada a aceitar os termos da Qualcomm — Tim Cook e sua turma poderiam, a qualquer momento, dar de costas à empresa e procurar uma alternativa mais vantajosa financeiramente, mas mantiveram os contratos com a rival porque quiseram (ou porque precisavam dela).

Nós sabemos, entretanto, que há mais camadas nessa história do que sugere a superfície: na semana passada, por exemplo, comentamos aqui a suposta origem das brigas entre Apple e Qualcomm, em que a fabricante dos chips teria exigido um contrato de fornecimento de pelo menos 50% dos modems de iPhones por uma determinada quantidade de anos.

Ou seja: nem tudo é o que parece e muita água ainda há de rolar por debaixo dessa ponte. Vamos aguardar para ver.

via 9to5Mac, AppleInsider

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