Sem permissão: alguns apps estão compartilhando dados de usuários com o Facebook

Se em 2018 as polêmicas envolvendo o Facebook mostraram que a rede social armava um verdadeiro esquema com os dados de usuários da plataforma, neste ano elas estão provando que Mark Zuckerberg não mede esforços na hora de botar as mãos em informações pessoais de milhões de pessoas — burlando, até mesmo, leis de privacidade importantes da Apple.

Recentemente, um artigo publicado pelo Wall Street Journal1 expôs outro método adotado pelo Facebook para adquirir dados de usuários que — pasmem — nem mesmo utilizam a rede social. O relatório mostrou que a empresa coletava dados de aplicativos de saúde (tanto para iOS quanto Android) sem qualquer permissão do usuário, que por sua vez também não sabia que esses dados eram lidos e/ou compartilhados com terceiros.

De acordo com o WSJ, dos mais de 70 apps testados, pelo menos 11 compartilhavam secretamente informações pessoais com o Facebook. No iOS, o app Ritmo Cardíaco Instante (considerado o app de frequência cardíaca mais popular da App Store americana), da Azumio, enviava dados das suas medições para o Facebook logo após a leitura ser realizada. O app Flo (que diz possuir 25 milhões de usuários ativos) também compartilhou informações do ciclo menstrual de usuárias com o Facebook, além de informar quando essas mulheres desejavam engravidar.

Além dos dois apps acima, o WSJ divulgou o nome de apenas outros 3 aplicativos (dos 11 constatados). São eles: Realtor.com (o qual compartilhou a localização e o preço das listagens vistas pelo usuário), BetterMe (que informou o peso e a altura dos usuários) e o app Breethe (que divulgou o email usado pelos usuários para fazer login no app e o nome das medições realizadas).

Em resposta às alegações do WSJ, um porta-voz do Facebook disse que algumas atividades de compartilhamento divulgadas no relatório “pareciam violar seu termo de privacidade”, já que a empresa “pede aos desenvolvedores que evitem o envio de informações financeiras, de saúde ou de outras categorias de informações pessoais”. O representante também informou que já sinalizou os desenvolvedores dos apps supracitados que interrompam o envio de informações que possam ser consideradas pessoais.

Nós exigimos que os desenvolvedores de aplicativos sejam claros com seus usuários sobre as informações que estão compartilhando conosco.

Os dados compartilhados por aplicativos geralmente são usados em uma ferramenta do Facebook que fornece estatísticas sobre as atividades dos usuários. O Facebook também usa os mesmos dados para servir publicidade e pesquisa de mercado, mas enquanto seus termos (em teoria) permitem que ele seja usado de outras maneiras, a empresa insiste que não os utiliza para outros fins.

Enquanto isso, a Apple informou que requer que os aplicativos “informem e adquiram previamente o consentimento do usuário” para coletar dados, impedindo o acesso não-autorizado e o uso dessas informações por empresas terceirizadas. A Maçã destacou que investiga rapidamente qualquer app ou serviço que possa estar violando os termos de privacidade da App Store e que, se necessário, toma medidas imediatas.

Essa “ponte de dados” também chegou ao conhecimento da esfera política dos Estados Unidos, e alguns políticos querem mais respostas. Entre eles, o governador de Nova York Andrew Cuomo incumbiu duas agências estaduais (o Departamento de Estado de Nova York e o Departamento de Serviços Financeiros) para examinar o compartilhamento de dados entre o Facebook e os apps citados no relatório. Ele pediu, ainda, a atuação dos órgãos reguladores federais nesse caso.

Veremos qual será o resultado de mais esse fiasco do Facebook…

via AppleInsider

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