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Apple pode estar mudando sua postura sobre as leis de reparo

Se existe algo uníssono entre os clientes da Apple de várias regiões, seria a insatisfação com as possibilidades de reparo dos gadgets da Maçã. Como muitos de vocês devem saber, realizar o reparo do seu iPhone ou Mac pode não ser um processo simples e, geralmente, é algo bastante oneroso.

O “problema” começa com a própria garantia limitada dos dispositivos da Maçã. Caso a Apple avalie que determinado gadget foi manipulado por outra empresa/pessoa, ela pode definir que aquele aparelho não está mais elegível para reparo; ou seja, acabou-se o que era doce. Essa questão varia de país de país e, no Brasil, não existe uma lei que restringe a Apple de fazer isso.

Ainda assim, existem inúmeras assistências técnicas especializadas no reparo de gadgets da Maçã, muitas das quais realizam ótimos trabalhos. O fato é que a única forma de obter peças originais de produtos da Apple é com… a Apple (ou então de outro aparelho dela que tenha sido desmontado).

Como dá para imaginar, se a gigante de Cupertino não é muito flexível em fornecer peças para grandes assistências técnicas autorizadas, imagine para os técnicos menores que efetuam esse tipo de conserto. De acordo com a Apple, abrir o reparo dos iDevices para terceiros poderia atrair vários problemas e ameaçar a segurança dos dados de usuários.

Apesar de a legislação em alguns estados americanos exigir que a Apple efetue reparo sobre um dispositivo que já foi manipulado por outra empresa, muitos usuários não recorrem à gigante de Cupertino justamente devido ao preço. Tendo em vista essa situação, a Apple, aparentemente, tem mudado sua postura quanto ao fornecimento de peças para as assistências técnicas.

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De acordo com um relatório interno obtido pela Motherboard, a Apple está, lentamente, possibilitando que mais empresas de reparo consigam consertar, devidamente, iDevices de usuários nos EUA. Mais precisamente, a companhia estaria fornecendo componentes e softwares de diagnósticos originais para algumas assistências técnicas, principalmente as maiores.

Atualmente, os fornecedores de serviços de reparo podem trocar as baterias ou substituir as telas quebradas de iPhones sem nenhum problema nos EUA, mas eles não têm acesso a outros componentes ou softwares de diagnóstico genuínos da Apple. Com o programa “Apple Genuine Parts Repair” (algo como “Reparo de Peças Originais da Apple”), isso poderá deixar de ser uma realidade.

O documento não especifica quais ou quantas assistências técnicas participam do programa, mas os defensores do “Right to Repair” (“Direito ao Conserto”) acreditam que a empresa está se preparando para cumprir com essa questão (muitos locais inclusive já tinham acesso a essas ferramentas, o que foi comprovado com o documento).

Por outro lado, esse movimento da Maçã gerou insatisfação por parte das lojas de reparo menores, que estão preocupadas com a redução da demanda; afinal, se uma assistência técnica autorizada cobrar menos que a Apple por um serviço (com a garantia de o reparo sair perfeito), por que buscar outras lojas onde isso pode não dar tão certo assim?

O CEO da iFixit, Kyle Wiens, contou para a Motherboard que isso é um exemplo claro de que a Apple está montando uma estrutura para cumprir com a legislação em defesa ao direto ao conserto. Ele disse ainda que, apesar de começar com as grandes assistências, esse projeto tem potencial de expandir-se para ainda mais lugares e lojas terceirizadas.

Resta-nos ficar na torcida para que esse programa chegue a terras tupiniquins também… talvez daqui a vários anos.

via AppleInsider

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