Os tropeços da TV digital

Padrão japonês encarece a TV digital

[…] A escolha do padrão japonês de TV digital encareceu o custo da nova tecnologia aos consumidores. A TV digital que começa a operar oficialmente hoje, em São Paulo, é boa para as redes de TV, mas não trouxe ganhos aos país previstos pelo governo quando anunciou sua escolha, meados de 2006. Os investimentos de empresas japonesas não vieram, nem nossos vizinhos aderiram ao padrão escolhido, o que não permitiria produção em grande escala, barateando os produtos aos consumidores. Isso pode comprometer o futuro da TV digital. Além de ter optado pelo parceiro de menor mercado, o Japão, descartando o padrão europeu e o americano, o Brasil decidiu incorporar elementos nacionais (o middleware Ginga, ainda não disponível nos conversores à venda) e inovações tecnológicas, como o compressor H.264. Isso torna a tecnologia adotada no Brasil híbrida. Só serve para o Brasil. Logo, não podemos comprar aparelhos do Japão. Estamos isolados. […]

Acredito que o excerto do artigo de Daniel Castro, colunista do jornal A Folha de São Paulo, resume de maneira magistral o tamanho do nosso equívoco.

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Trocamos um sistema — o europeu — aprovado e utilizado por 57 países, por investimentos e transferência de tecnologia japonesa que só existiram no papel. Deixamos de lado a possibilidade de exportar aparelhos de TV e set-top boxes, produzidos no Brasil, com taxa zero de importação para a Comunidade Européia em troca de um software open-source que, mesmo sendo gratuito, nenhum fabricante se interessou em instalá-lo nos seus conversores digitais.

Até mesmo nossos parceiros do Mercosul estão optando pelo padrão Europeu. Novamente, como nos idos anos 70, ao escolhermos o padrão PAL-M para as transmissões de TV a cores, em detrimento do NTSC, estamos tecnologicamente ilhados. O tempo irá dizer se temos razão.

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