iTunes Store fechando-se para estrangeiros: xenofobia à vista ou a prazo?…

I am too sexy for Brazil... So sexy, yeah.
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I am too sexy for Brazil... Too sexy for Brazil... So sexy, yeah.

Recentemente, todos provamos o gosto amargo da derrota quando a iTunes Store, que antes permitia cadastros sem a apresentação de um cartão de crédito estadunidense, decidiu remover a opção None das formas de pagamento. O resultado prático: pessoas de fora dos EUA viram a possibilidade de ter uma conta para acessar conteúdo gratuito e funcionalidades como o album artwork desaparecer como um aplicativo arrastado para fora do Dock.

Mas disso, todos nós já sabemos. Algo que ainda não vi comentarem é o porquê disso. Será que a Apple simplesmente decidiu ser cretina e dar uma de neo-nazista? De onde terá vindo essa política de “Estrangeiro não entra”? Sobre isso, eu tenho algumas hipóteses, as quais pretendo compartilhar a seguir.

A pergunta que não quer calar: “por que a iTS ficou tão cretina, de uma hora prá outra?” Bem, acredito que seja pelo bem de todos, por mais incrível que isso soe. 😛 Para vender babilhões de músicas a US$1, é preciso ter muito jogo de cintura com as gravadoras… Um dos lances é o DRM draconiano pesado, que só é reconhecido por iPods. Outro é um provável acordo de localização de direitos autorais e/ou publicidade: a Apple não deve ser autorizada pelas gravadoras a vender/veicular conteúdo para outros países. E a Maçã não seria a única a sofrer desse mal! Você pode notar que certos conteúdos oficiais no YouTube, por exemplo, não podem ser visualizados no Brasil, bem como o conteúdo em páginas como a da ABC.

E mais: os governos também não devem ver com bons olhos essa circulação de mercadorias e valores entre nações, mesmo em formato digital. O problema, pra variar, é a burrocracia, que emperra tudo. Comprar na iTS americana é, para todos os efeitos e causas, uma (ex)importação. Aí os ministros de comércio exterior param e perguntam: “Mercadorias indo e vindo através das fronteiras sem pagar impostos?! ZOMG! Não, não e NÃO!” Aqui no Brasil, o governo prefere que toda a população tenha os miolos implodidos de tanto ouvir É o Tchan! a permitir que baixemos músicas de qualidade vindas de outros países, ainda que de graça — quem dirá com gift cards, que movimentam capital… Tudo pelo bem da nação, que precisa desesperadamente de uma carga tributária gigantesca para subsistir.

A Apple não faz o que faz porque é má. Na verdade, nossa participação na iTS deve ser mais que bem-vinda, pois cada download gratuito é computado como uma venda. Como tal, são a nós enviados recibos de compras e o tio Jobs ganha números para ficar se gabando em suas keynotes. Nada mais justo, não? E mais: duvi-de-o-dó que as gravadoras tupiniquins concordem em abrir uma loja iTunes vendendo músicas por preços competitivos. Qualquer CD com dez faixas sai a R$30, por aqui. Uma loja de áudio digital iria à falência no primeiro mês — sem falar que, no Brasil, quem compra música é logo rotulado de OTÁRIO. Triste, porém verdade.

No fim, ainda deixo um aviso (ou previsão da bola de cristal): eu não vou me espantar nadinha se, daqui a uns dias, a ameaça promessa de verificar a localização geográfica nos acessos à iTS se cumprir e as portas começarem a se fechar definitivamente. Um chute nos genitais que me fará chorar, sem dúvida, mas algo que está perfeitamente dentro do direito do pessoal de Cupertino. 🙁

Por isso eu digo: a Apple não é evil. A burrocracia, essa sim, é evil.

And that, as they say, is that.

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