Em tempos de violência, nem o mundo virtual escapa

Estávamos todos acompanhando a (sonífera) apresentação de Phil Schiller na Macworld Expo 2009, quando, perto do minuto 29, soltaram na publicação live do MacRumors uma frase já desgastada do humor ácido cibernético dos últimos tempos: “Steve Jobs is dead.”

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Inicialmente, parecia uma piadinha sem-graça dos autores do site, mas não tardou dois minutos para que um deles soltasse a bomba: “Não fomos nós que escrevemos isso!”

Passaram-se alguns minutos mais até que todos os espectadores que acompanhavam as notícias do MacRumors assistissem a algo que mais parecia uma carnificina, um estupro do trabalho jornalístico, e aí já saímos dos níveis virtuais ou reais, pois a única virtualidade aqui é o meio de comunicação: o computador.

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Palavrões, sites do leste europeu, frases em polonês — única coisa que consegui identificar em meio a tanta coisa que se escrevia no momento em que estourou o hack. Num último respiro antes que tirassem pela primeira vez o blog do ar, alguém ainda tentou implorar que parassem o hacking. Claro que foi em vão. O site caiu e voltou umas 3 vezes antes que o tirassem do ar em definitivo.

MacRumors, hacked.

Tudo bem que deve ser bem divertido para uns, que não têm mais o que fazer a não ser desrespeitar o trabalho de gente que está dedicando seu tempo a uma cobertura de imprensa em vez de estar namorando, aproveitando a família ou tomando sol numa praia do Caribe.

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Mas, em um mundo onde cada vez se torna mais banal usar de violência para se conseguir um prazer momentâneo, poder ou vantagens sobre o próximo, começo a pensar sobre quanto tardará até que tenhamos que voltar ao ritmo da Idade Média.

E a culpa de que a keynote estivesse um tédio não foi do MacRumors. Fica aqui registrado o repúdio a essa violência que muitas vezes se esboça também em outros… meios de comunicação.

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