Nova polêmica entre desenvolvedores de iPhone: o que fazer com clones descarados?

Onde tem dinheiro, tem polêmica. Desta vez, o Ars Technica cobriu uma série de casos de desenvolvedores que não sabem o que fazer com clones descarados que surgem na iPhone App Store e, em alguns casos, conseguem obter até mais sucesso que os originais, usando-se de artimanhas injustas.

App Store espelhada

O problema é bem diferente do que já comentamos outrora por aqui: não se trata de muita gente com a mesma ideia, ou fazendo experimentos iniciais com apps fáceis de se criar, como lanternas e simuladores de peido. Sobre isso, há pouco a se fazer, e chega a ser até engraçado sob o ponto de vista do consumidor.

Todavia, chupadas de códigos, ícones, interfaces e funcionalidades é algo muito mais grave e preocupante. Falando em peido, um caso ficou até famoso recentemente na mídia e blogosfera mundial, quando os criadores do iFart Mobile resolveram processar os caras do Pull My Finger. Em outubro de 2008, o inventor do iBeer entrou na justiça contra a cervejaria Coors por copiar a sua ideia e distribuí-la de graça, com o nome de iPint.

A questão é que, de lá pra cá, diversos outros clones muito mais descarados apareceram na loja da Apple, envolvendo tanto títulos gratuitos quanto pagos.

Não sei o que que é pior: uma cópia de um aplicativo pago que passa a ser distribuído gratuitamente para a comunidade ou alguém tentando lucrar em cima das ideias e do trabalho alheio. Veja só alguns exemplos:

TouchScan (US$1) vs. Touch Scan Pro (US$1)

Este chega a reutilizar as mesmas imagens, sons e textos do original. Seu desenvolvedor diz que criou o clone para parodiar o original e que não demorou mais de uma hora para finalizá-lo. Inicialmente, o “Pro” era distribuído gratuitamente, mas depois de ameaças passou a ser cobrado — ou seja, está agora na mesma posição do original, querendo lucrar com algo besta e inútil.

Clones na iPhone App StoreClones na iPhone App Store

iCopter (US$1) vs. Copter Free (grátis) vs. iCopter Classic (grátis)

O logo é pouco modificado e o um dos clones até cita o original em sua descrição. Aliás, muitos têm feito isso por lá recentemente, como estratégia para aparecer nos resultados de buscas: “Se você gostou do App 1, App 2, App 3 […], adorará este!” Acho isso um absurdo.

Clones na iPhone App StoreClones na iPhone App Store
Clones na iPhone App Store

MedCalc (grátis) vs. Medical Calculator (US$1)

Em sua descrição, o programa pago até mesmo se refere como MedCalc — que, por sinal, tem todo o seu código aberto. O cara só teve a ousadia de pegá-lo, compilá-lo e publicá-lo na App Store cobrando por um trabalho que absolutamente não foi seu.

Clones na iPhone App StoreClones na iPhone App Store

Classics (US$3) vs. Classics – Jane Austen Collection (US$3)

Este foi bem lembrado pelos caras do ZDNet.com. Em sua versão inicial, usava exatamente a mesma imagem de fundo (estante) do Classics. Ele já foi atualizado para não parecer um clone tão descarado assim, mas continua com uma interface e funcionalidade evidentemente copiada, como você pode ver:

Clones na iPhone App StoreClones na iPhone App Store

. . .

Eu não sou um desenvolvedor de iPhone, mas imagino a frustração pela qual esses caras têm passado. A Apple, então, deve estar bastante encurralada com a situação: deveria ela se envolver ou não? Afinal, tudo isso é muito subjetivo, sem falar na profunda investigação que teria que ser feita para identificar a origem de ideias e trabalhos, de fato. O que _nunca_ poderia acontecer é uma injustiça com alguém que não tem culpa no cartório.

Quem sabe a Apple deveria adicionar um botão “Reportar Este App”, em que o consumidor pudesse alertá-la sobre cópias, erros, abusos, violações de uso, entre outros. E você, caro leitor, o que pensa sobre isso tudo?

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