Desabafo de leitor: música digital, pra que te quero?

Colaboração especial por Alexandre Fernandes.

Associação Antipirataria de Cinema e Música (APCM)Baixar músicas de seus artistas ou bandas preferidos tem se tornado uma tarefa cada vez mais difícil. Não importa o meio utilizado — legal ou ilegal —, para nós, brasileiros possuidores de iPods, iPhones ou até quem sabe, Apple TVs, parece restar uma única saída: voltar para o bom e velho CD.

Quem usa programas como LimeWire, aMule, Acquisition, entre tantos outros pode perceber o quanto a oferta de músicas tem reduzido, sem falar na qualidade, que não é nada boa. O mesmo se verifica em sites de torrents e fóruns de sites de relacionamento como o Orkut. Tudo isso porque a Associação Antipirataria de Cinema e Música (APCM) vem fechando o cerco.

Neste mês de março, foi tirada do ar a comunidade “Discografias”, a maior do Orkut para compartilhamento de músicas. Em fevereiro, vários sites que distribuíam legendas de filmes e séries na rede também foram fechados. E diariamente uma equipe da Associação rastreia links que abrigam arquivos piratas, descobrindo até mesmo os conteúdos escondidos em armazenadores como o RapidShare, por exemplo. De 2007 para 2008, a exclusão desses links aumentou 235%, segundos dados da própria APCM.

É muito bom que isso venha ocorrendo, afinal ninguém aqui se importaria em pagar um preço justo por um arquivo digital, respeitando assim os direitos autorais dos artistas e gravadoras. Para quem deseja agir de forma legal, por onde começar então?

A Associação Brasileira dos Produtores de Discos oferece em seu site uma lista inacreditável de 25 lojas de músicas digitais no Brasil.

Música digital no Brasil

Certamente devem existir outras, como aquelas das próprias gravadoras, mas eu tive a curiosidade de acessar cada uma dessas e pude verificar que esqueceram completamente dos usuários de Macs, iPods e afins. Primeiro porque todos os arquivos são vendidos em formato incompatível com o tocador de MP3s mais famoso do mundo, o WMA (Windows Media Audio). Para piorar, eles também são protegidos com DRM da Microsoft e os sites muitas vezes exigem o Internet Explorer para executar um simples preview.

Música digital no Brasil

A UOL Megastore até tenta colaborar com os usuários de iPod e, estranhamente, ensina uma forma de quebrar o DRM das músicas e convertê-las para MP3. Só que para isso é necessário o Windows Media Player e que seja feita a gravação em um CD, o que já torna o processo muito trabalhoso.

Isso se repete em todos os sites — sem exceção —, porque a maioria apenas reproduz o conteúdo da iMusica, loja pioneira na América Latina em distribuição de mídia digital legalizada, a qual, infelizmente, escolheu esse formato, desprestigiando os gadgets da Apple. Para onde fugir, então?

Na contramão do mundo, que viu as vendas de CDs despencarem 15% em 2008, por enquanto, é a eles que teremos que recorrer. Mas há uma esperança: quem sabe com Apple e gravadoras vendo que as vendas de áudio digital aumentaram 79% no Brasil (contra 24% no mundo), finalmente tragam uma iTunes Store completa ao nosso país, que é a mais bem pensada loja desse tipo e tem o melhor conteúdo, totalmente livre de DRM.

Nós podemos não dominar o mercado por aqui com os nossos iPods e iPhones como acontece nos Estados Unidos, mas sermos desprezados dessa forma é demais. Essas associações contra a pirataria e a favor da indústria fonográfica deveriam saber que a maior arma para combater o conteúdo ilegal é, antes de mais nada, oferecer a opção de compra aos consumidores. E tenho certeza de que não somos poucos.

A menos que algum leitor tenha uma boa dica para nos dar. 😉

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