Halex bodejando: iPods não são Discmen

(Este post não é produtivo: quem estiver sem tempo, pode ignorá-lo. Quero apenas compartilhar uns pensamentos…)

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Querida Apple,

DiscmanEu já fui proprietário de um Discman, da Sony, e uma das limitações que eu achava mais contrariante era o fato de só poder escutar um álbum de cada vez. Para burlar isso, era preciso quebrar regras e fazer CDs customizados, copiando ilegalmente as faixas que eu já tinha pagado caro pra ter (ridículo, mas é o que as gravadoras dizem).

Enfim, esse sofrimento acabou quando eu adquiri meu primeiro MP3 player, um treco feio e tosco que me proporcionou momentos de extrema felicidade: minha música podia, finalmente, ir além da limitação de um álbum de cada vez. Isso continuou quando comecei a usar meu Nokia como jukebox digital (apesar de os malditos fones de 2,5mm serem uma praga vinda do inferno).

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Há quase um ano sou dono de um lindo iPod touch e confesso que ele se tornou um dos objetos mais belos e úteis que já tive a sorte de possuir. Tê-lo foi um verdadeiro salto evolutivo: além da memória maior, da saída de 3,5mm, da facilidade de uso, integração com o iTunes e da beleza estonteante tanto do hardware quanto do software, o gadget consegue ser tão útil quanto um computador portátil, mesmo cabendo no bolso. Porém, num aspecto, eu senti que voltei a um período tenebroso de minha vida musical.

Por que essa obsessão com álbuns, Apple? Por que o Cover Flow é amarrado e sempre que eu seleciono uma música nele, só toca um álbum? Tudo bem, há todo o lance de organização lógica e visual da arte, é até fácil de entender. Mas por que o Spotlight faz a mesma coisa odiosa? E por que, o que levou seus engenheiros e designers a pensar que a %£$@* da função Shake to Shuffle (SHUF-FLE!) era pra manter a reprodução limitada a um álbum só? Sim, pois eu achava, delirante, que poderia usar o Cover Flow para selecionar e ouvir minha canção favorita, depois voltando à aleatoriedade global com uma sacudida, mas, oh!, continuo no mesmo álbum. Será que não estou sacudindo com força o bastante para as músicas se libertarem dos CDs?

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Apple, iPods não são Discmen. A década de 80 acabou, não precisamos mais viver limitados a um álbum de cada vez, podemos ouvir Michael Jackson (Deus o tenha), Coldplay, Pink Floyd e Marisa Monte nesta sequência, uma canção de cada vez. Pra que servem as Playlists? Largue dessa obsessão com álbuns e deixe-me ouvir minhas músicas do meu jeito e do jeito que você mesma gosta de as vender: a granel. Será tão impossível assim fazer esses elementos de interface respeitarem meu jeito de ouvir música? Se estou em Albums, toque os álbuns, um de cada vez; se estou em Songs, toque as canções globalmente; se estou em Artists, toque um artista de cada vez: é complicado assim?

Álbuns são legais e um ou outro são bons o bastante para ouvir inteiros, mas são uma limitação de um passado que, sinceramente, pode ficar no século XX.

Yours truly,
-Halex Pereira.

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P.S.: omitir o controle de volume quando não há headphone plugado foi uma adição interessante, mas eu recomendo refiná-la, pois já me rendeu um iPhone #FAIL em menos de 24 horas de iPhone OS 3.0. O treco apareceu “grudado” na interface do aplicativo de músicas, ficando impossível de controlar (eu puxava, ele voltava, eu puxava, ele voltava).

. . .

Cuidado: mais bodejos, antes de a Apple resolver dar nomes de gatos domésticos ao iPhone OS… Se quiser bodejar também, os comentários tão aí pra isso! 😉

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