Confira mais informações sobre o Chrome OS; seria a hora de Eric Schmidt deixar a diretoria da Apple?

ChromiumO anúncio do Chrome OS nesta madrugada teve forte repercussão na internet, apesar de já ser esperado há bastante tempo. Mesmo que já tenhamos divulgado os detalhes principais desse novo produto da gigante de buscas, trago a vocês agora mais algumas informações, obtidas em uma conference call da qual participei no início desta tarde, apresentada por Félix Ximenes, diretor de comunicação do Google no Brasil.

Parte do abordado na conferência está no anúncio de Sundar Pichai: usuários finais apenas colocarão as mãos no novo sistema em computadores vendidos no ano que vem, a princípio em netbooks. Por serem máquinas com algumas limitações de tamanho e performance, o projeto busca oferecer um visual leve para o usuário, com funcionalidades provenientes de aplicações web.

Aplicativos

Construir aplicativos nessa plataforma é como construir Web apps, e um sistema como esse é a demonstração mais clara do interesse que o Google possui em promover a web como a plataforma absoluta. Como Eric Schmidt já disse há algum tempo, quem escreve aplicativos atualmente está cansado da complexidade que algumas tarefas adquiriram, da mesma forma que os usuários finais nem sempre acham softwares intuitivos o bastante para solucionarem suas necessidades de forma rápida.

A simplicidade do modelo de distribuição baseado na internet, por sua vez, também já provou ser capaz de oferecer tarefas mais avançadas, como manusear gráficos 2D e 3D, lidar com armazenamento local e programar ações em segundo plano. Pelo jeito, esta é a hora certa de tirar isso do browser e jogar em um sistema operacional desktop. No campo mobile, a Palm está fazendo algo semelhante com o webOS e, da mesma forma que é possível lidar com serviços na web, esses sistemas permitem lidar com funcionalidades do hardware sob o qual eles rodam.

Para os aplicativos funcionarem bem, uma conexão com a internet não é totalmente indispensável. Vários browsers suportam armazenamento local, então será importante trabalhar isso com eficiência no futuro para algumas funcionalidades. As pessoas também usam os computadores como veículos para as suas vidas digitais, e nem sempre isso requer conexão com a internet nos SOs atuais. No Chrome OS, ainda não foi dada uma visão clara de como esses serviços e funções trabalharão.

Sistema e Hardware

O sistema, como já sabemos, é baseado em Linux, mas como terá como verdadeiro ambiente de desenvolvimento a própria web, o Google deverá valorizar e muito o código do Chrome: afinal, eles o anunciaram como uma extensão natural do atual navegador. Quando à segurança, Ximenes disse na conferência que não será algo totalmente seguro, mas as inovações em segurança trazidas pelo browser (como sandboxing de cada processo sendo executado), deverão ser bastante exploradas na sua concepção.

Quanto a distribuir isso para o usuário final, ainda não há uma ideia clara das configurações de máquinas, mas algumas fabricantes já declararam que o adotarão: Acer, Adobe, ASUS, Freescale, Hewlett-Packard, Lenovo, Qualcomm e Texas Instruments são algumas delas. Pichai falou no blog oficial do Google que eles possuem um modelo de negócio que aparenta ser semelhante ao da plataforma móvel da empresa. Consequentemente, ver computadores com esse sistema no Brasil dependerá de fabricantes interessadas em investir nele por aqui.

Relação do Google com Apple e concorrentes

Falar em concorrência sem ter o produto para avaliar é uma coisa complicada, mas a Microsoft já é um nome grande nessa lista. Ainda não temos resultados significativos de como a próxima versão do Windows será para os netbooks, e está claro que ela não vai ficar vendendo o XP pra sempre, a fim de satisfazer o mercado de computadores de menor custo. No entanto, há outros sistemas disputando esse setor, como o Moblin, da Intel, e o próprio Android, que está começando a ser embarcado em aparelhos que não estão diretamente associados a telefonia. Assim, esse mercado se tornará bem variado no futuro.

Uma segunda discussão também foi aberta nesse sentido, porém envolvendo uma empresa que possui um ótimo relacionamento com a gigante de buscas. Rumores sobre a situação da firma de Mountain View junto à Apple já apareceram, sugerindo que o CEO Eric Schmidt poderá ser retirado da diretoria de Cupertino por estar na diretoria de uma empresa que oferta um sistema operacional concorrente ao Mac OS X. Dada a trajetória de parceria das duas empresas em produtos vindos de ambos os lados, é difícil afirmar isso com certeza, mas há quem diga que a possibilidade existe, e de fato um SO próprio do Google seria mais um conflito de interesses entre elas.

Steve Jobs (CEO da Apple) e Eric Schmidt (CEO do Google)
Steve Jobs (CEO da Apple) e Eric Schmidt (CEO do Google)

Eu ainda vejo a oferta do Chrome OS para netbooks da mesma forma que o Android, que já está em dispositivos que não são necessariamente celulares. Se fosse para a Apple romper com a gigante de buscas, isso devia ter sido feito no lançamento do primeiro “gPhone”, e não agora, depois de acompanharmos o crescimento do Chrome e uma adoção variada da plataforma móvel do Google na indústria. As duas empresas concorrem em certos aspectos há um bom tempo, e o novo SO é destinado a um mercado para o qual a Apple nem demonstrou interesse ainda. Talvez eu esteja errado, apostando na manutenção da parceria das duas empresas, mas, sem conhecer os planos futuros delas, é cedo pra afirmar categoricamente qualquer coisa nesse sentido.

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