Fala, Hagge! O Bicho da Maçã: Calacanis não tem iPhone

iPhone trancado na AT&T

Preparados para mais um Bicho da Maçã? Neste artigo, discutiremos por que o Jason Calacanis está errado ao afirmar que a Apple se aproveita de práticas monopolistas no mercado das telecomunicações.

Jason se baseia no fato de que a Apple comercializa o iPhone nos Estados Unidos exclusivamente com serviços da operadora AT&T, uma das mais criticadas pelos jornalistas e especialistas em tecnologia na terra do Tio Sam. A sua proposta é que a Apple abra o iPhone para outras operadoras — como a Verizon Wireless, por exemplo, uma das queridinhas da imprensa norte-americana.

iPhone e AT&T

Até aqui, tudo ótimo, eu também acho que, quanto mais opções os estadunidenses tiverem, melhor para todo mundo — afinal, isso já acontece em vários países e a concorrência é sempre benéfica para o consumidor.

Só estamos esquecendo de um pequeno detalhe: a única operadora norte-americana que acreditou em um produto novo, caro, apresentado por um barbudo hippie, CEO de uma empresa que ainda era vista com desconfiança após o retorno de uma morte certa, um produto de nicho que não passava de uma incógnita na época, e que, ainda assim, teria que ceder a várias exigências feitas pela Apple, foi a AT&T. A Apple não conseguiu avançar negociações com nenhuma outra operadora; ninguém mais quis apostar nela. Em troca a essa aposta na inovação feita pela AT&T, a Apple assinou um contrato de exclusividade de dois anos com ela, contrato esse válido a partir de 2007 (ano do lançamento do iPhone) e renovado por mais um ano em 2009.

O negócio foi uma aposta de ambos os lados, e os dois saíram ganhando no final. A AT&T era vista como uma empresa ultrapassada e sem graça, uma herança dos tempos de Graham Bell. Associar seu nome ao da Apple, uma empresa moderna e admirada por sua capacidade de inovação e design, foi uma tacada de mestre e uma oportunidade única. A Apple confiava em seu produto, mas sabia que, sem uma parceira gigante da indústria de telecomunicações, seria impossível emplacar um telefone para concorrer com um Nokia topo de linha ou um BlackBerry. A Apple cedeu a exclusividade para a AT&T, enquanto esta se comprometeu em promover o iPhone o tanto quanto pudesse e repassar parte do lucro nos planos de telefonia para a Apple, algo inédito até então.

Randall Stephenson, CEO da AT&T

Hoje em dia o iPhone é um sucesso, venda certa para as operadoras de telefonia (ainda que lucro nem tanto). Todas elas querem vender o aparelho e estão dispostas a oferecer tudo o que a AT&T ofereceu à Apple há três anos. Tanto é verdade que, atualmente, o iPhone é vendido com exclusividade somente nos EUA e em poucos outros países; na grande maioria, há pelo menos duas opções.

Portanto, Sr. Calacanis, não adianta chorar. Se você quer usar um iPhone em solo estadunidense, terá que ser através da AT&T, pelo menos até o final de 2010, seja o seu serviço ruim ou não — e eu duvido que seja tão ruim assim, já que as reclamações de operadoras de telefonia em todo o mundo são sempre as mesmas, cada uma tem seus próprios problemas. É tudo uma questão de escolher a marca com a qual você mais se identifica.

E veja que isso está longe de ser uma prática monopolista: você tem todas as outras marcas para escolher um novo aparelho em uma operadora que te satisfaça. Aliás, aposto que cada operadora tem seu próprio aparelho topo de linha exclusivo para oferecer aos seus clientes. Portanto, você tem liberdade de escolha. Mas escolheu o iPhone… e nós sabemos o porquê. 😉

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