iTunes LP/Extras podem ser pistas para o futuro do Apple TV

Apple TV original e Remote

Enriquecer a experiência do consumidor e mantê-lo fiel à iTunes Store pode ser o objetivo-base da introdução dos iTunes LPs e Extras no iTunes 9, porém, o uso do TuneKit como framework pode nos mostrar que a Apple tinha outro alvo escondido na manga: o Apple TV e a tão falada iTablet.

Apple TV e Remote

Enquanto a iTablet não dá as caras, o Apple TV ganhou de forma silenciosa mais espaço para armazenar todos os extras e vai reforçando a sua importância dentro da linha de produtos, bem como o significado da sua existência dentro do conceito da Apple para o entretenimento. Para entender melhor, convém observar alguns detalhes importantes em seu histórico. Vamos lá! 😉

Durante a Macworld Expo 2008, Steve Jobs lançou uma nova versão do software do Apple TV, que a partir daquele momento não necessitava de um Mac para funcionar e ganhava acesso a todo o acervo de podcasts, vídeos e filmes da iTunes Store em qualidade de DVD e HD + Dolby 5.1.

Em outubro do mesmo ano, a Apple anunciou um acordo com as quatro maiores emissoras de TV norte-americanas — ABC, CBS, FOX e NBC — para transformar a iTunes Store na loja com o maior catálogo online de programas de TV. Cinco meses depois, era a vez de os grandes sucessos do cinema passarem a figurar em formato HD no acervo. A loja, que era a maior, se tornava a mais popular.

Embora para Cupertino o Apple TV não seja o foco principal no momento, é possível dizer que os principais obstáculos para a sua popularização têm sido derrubados aos poucos. É fato que o produto tem deixado de ser um item a mais na linha, como mostra o crescimento nas suas vendas (quase três vezes em relação a 2008), o corte no preço demonstrado hoje e a introdução de um conteúdo diferenciado claramente endereçado ao dispositivo.

iTunes Extra

Com o iTunes LP e Extras sendo desenvolvidos com o TuneKit, framework em JavaScript da Apple, o invólucro do conteúdo passa a oferecer recursos visuais necessários para reproduzir as sequências de animação comuns em DVDs sem utilizar o Adobe Flash para isso, como nos apontou Daniel Dilger, do RoughlyDrafted Magazine. Estaria a Apple pensando também em iPhones e iPods touch?

Apesar de as evidências demonstrarem que o conteúdo do formato não foi desenhado para ser reproduzido nos tocadores portáteis e no smartphone, Mayhem vem nos mostrar que a Apple não quer deixar essa vertente descoberta. Há, ainda, códigos apontando para o fato de que a iTunes U passou a usar o mesmo framework, apesar de não ter tido seu design reformulado.

TuneKit e Apple TV

O site 9 to 5 Mac foi até mais ousado em especular que existem projetos em curso junto a alguns desenvolvedores selecionados, no intuito de habilitar os jogos da iPhone App Store para a reprodução em uma resolução de 1280×720 pixels — a mesma obtida pelo Apple TV.

É interessante observar que a solução encontrada para a produção de conteúdo para o novo formato utiliza ferramentas simplificadas, gratuitas e livres de licenças — tudo o que a Apple queria para não utilizar o Blu-ray —, para a autoria de experimentações criativas que serão renderizadas no WebKit. Traduzindo: recursos interativos e imersivos fáceis e baratos para produzir.

Talvez Gene Munster, da Piper Jaffray, esteja certo em prever que o Apple TV ganhará um navegador em seu próximo software. Esse poderá ser o pedaço final do quebra-cabeças que cerca o futuro do produto. Com ele, o dispositivo se tornaria plenamente capaz de explorar todos os novos recursos implementados com o iTunes LP e Extras, já que iPhones/iPods touch já poderiam ser usados como controles, caso um dia jogos aportem no aparelho.

Até lá, o que podemos fazer é torcer para que o Apple TV apareça no Brasil com preços mais suaves e que novas surpresas estejam guardadas para o público nacional. 😉

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