Saiba tudo o que rolou ontem no evento iPhoneDevBr, no Museu da Imagem e do Som

Foto: Fabio Fiss

Por Fabio Fiss.

Quando fiz minha inscrição para o encontro de desenvolvedores que aconteceu ontem (dia 19/9) no Museu de Imagem e Som (MIS) de São Paulo, não tinha muita ideia do que seria exibido. Não sou programador: fui como curioso, já que uso o iPhone e obviamente a seleta enorme de aplicativos disponíveis na App Store.

Foto: Fabio Fiss
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O encontro foi muito interessante. Aprendi muita coisa e acabei assistindo ao início de uma discussão bem importante que explico mais adiante.

Foto: Fabio Fiss
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A organização do evento foi feita pela MobileYou em parceria com a Creative Apps. Pablo Oruê fez a abertura do evento, apresentando todos os palestrantes e suas respectivas empresas. Em seguida, ele abriu um espaço para cada um dos participantes se apresentar. O auditório não estava completamente lotado como se esperava, mas dentre os participantes o interesse e o nível de conhecimento era realmente forte.

Foto: Fabio Fiss
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Logo após essa abertura, começaram as palestras. A primeira foi sobre Unity 3D, apresentada por Fabio Balancin e Cristiano Douglas — este, um rapaz de 17 anos incrivelmente inteligente.

Foto: Fabio Fiss
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Fabio começou falando sobre o mercado de games para iPhones/iPods touch através de diversos gráficos e estatísticas. Em seguida, Cristiano demonstrou de forma geral as capacidades do aplicativo Unity iPhone em sua versão 1.5, descrevendo alguns de seus pontos fortes e fracos. Mostrou, ainda, a facilidade de implementar a “física em objetos”, colisões, peso, etc. Fez, por fim, uma pequena demostração de como aplicar scripts a objetos em diversas linguagens de programação, usando simples drag & drop.

Um recurso que achei muito legal foi a possibilidade de testar comandos de animações de forma remota. Ele demonstrou isso com uma cena de um carro e usou um iPod touch conectado ao Mac via Wi-Fi para movimentá-lo.

Foto: Fabio Fiss
Foto: Fabio Fiss

Ele falou também sobre os custos do registro de licenças. Explicou que, para adquiri-las, você fica meio “preso” dentro das possibilidades, pois uma licença depende de outra para ter determinados recursos, o que faz com que o custo final fique bem elevado — algo em torno de US$3.000.

Pequeno vídeo desta palestra:

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O palestrante seguinte foi Alan Silva, da Creative Apps — ele falou sobre Xcode e o SDK. A palestra foi muito interessante, porque o Alan começou falando sobre o básico do básico — o que é Xcode, o que é o SDK (kit de desenvolvimento de softwares)… Para quem nunca teve contato com desenvolvimento para iPhone OS, foi muito esclarecedor.

Ele mostrou como obter o SDK, como criar uma conta de desenvolvedor e o que essa conta te proporciona — documentação, arquivos de exemplo, vídeos feitos pelos desenvolvedores da Apple ensinando como fazer sua primeira aplicação, etc.

Foto: Fabio Fiss
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Dois slides muito interessantes fizeram uma comparação entre o Mac OS e o iPhone OS. Achei muito oportuno, já que essa mesma analogia foi utilizada por Scott Forstall quando a Apple apresentou o SDK pela primeira vez. Nesses slides, Alan mostrou as diferentes camadas dos sistemas e o que cada uma delas possui.

Passando para o Xcode em si, Alan deixou claro que ele não é utilizado somente para desenvolvimento de aplicativos para iPhone, e sim no desenvolvimento geral para Mac OS X. Ele demonstrou como sua interface está organizada e como começar um código para uma aplicação de iPhone.

Em seguida, ele mostrou o Interface Builder, software do SDK para a criação visual de seu aplicativo. Nele, você diagrama sua interface e vincula seu código criado no Xcode para que a coisa toda funcione. Deixou claro, ainda, que o Interface Builder tem algumas limitações, mas que é muito útil para quem quer criar facilmente uma interface para seu aplicativo usando os componentes sugeridos pela Apple (botões, barras, menus, etc.) disponibilizados na biblioteca do próprio IB.

Após criar uma aplicação de teste, Alan mostrou como usar o iPhone Simulator direto do Interface Builder para visualizar como ela apareceria para o usuário final.

Por fim, ele mostrou o Instruments, software utilizado para verificar a performance de aplicativos. Logo em seguida, ele abriu a palestra para perguntas. Algumas delas foram bem interessantes, como por exemplo a possibilidade de desenvolver aplicações usando software livre. Alan disse que esteve pesquisando sobre o assunto, mas a coisa toda é tão complexa e demanda um tempo tão grande que não chega a valer a pena. Ele também deu a dica de dois sites — Cocoa Planet e iCodeBlog — de onde ele conseguiu muito material para aprender tudo o que sabe e onde se encontram fóruns de discussão sobre desenvolvimento.

Foto: Fabio Fiss
Foto: Fabio Fiss

Antes de finalizar, Alan aproveitou para divulgar o endereço da lista de discussão do grupo de desenvolvedores, a IphoneDEVBrazil.

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A palestra seguinte foi sobre Cocos2D, um framework gratuito para desenvolvimento de games 2D para iPhone OS. Ela foi apresentada por Mads Rasmussen, da Creative Apps.

Foto: Fabio Fiss
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Ele começou falando das diversas vantagens de usar esse framework. Em seguida, passou a mostrar código na tela. Nessa hora fiquei um tanto por fora, já que não sou programador. Mas segui firme e forte durante toda a explicação, que envolveu vários passos para se criar um pequeno game no estilo Space Invaders.

Foto: Fabio Fiss
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Ele mostrou a facilidade em inserir áudio de fundo no game, áudio para um determinado objeto — no caso os tiros da nave e a explosão de um meteoro. Demostrou também movimentação da nave, inserção de background, entre outras coisas.

Por fim, Mads disponibilizou para a plateia um pendrive com o código-fonte de todo o game, além de uma série de outros arquivos para Cocos2D.

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Para finalizar a série de apresentações, tivemos uma palestra sobre pirataria, com Pedro Milanez, da Bitix.

Foto: Fabio Fiss
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Essa apresentação foi muito interessante! 🙂 Pedro mostrou como aplicações são crackeadas e o que desenvolvedores podem fazer para impedir que isso continue acontecendo. Mesmo para os desenvolvedores experientes, as dicas dessa palestra foram muito úteis.

Foto: Fabio Fiss
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Pedro mencionou o case do iCantada, software que foi crackeado e que serviu como teste para se ter uma ideia de quais são os pontos de atenção que um desenvolvedor deve ter para que seu aplicativo não seja pirateado.

Foto: Fabio Fiss
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Ele deixou claro também que nem sempre as pessoas que crackeiam são desenvolvedores. Muitas vezes são usuários bem inexperientes (os chamados “script kids”), que entram em contato com certas ferramentas e acabam atrapalhando a vida de desenvolvedores sérios.

Foto: Fabio Fiss
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Por fim, Pedro se focou na explicação do AntiCrack, desenvolvido por Oliver Drobnik, e mostrou um pequeno anúncio disponível no site oficial para demonstrar como funciona o seu processo de implementação.

Pequeno vídeo desta palestra:

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O evento não terminou por aí. Fiquei muito contente de presenciar o início de uma discussão realmente importante, que teve como proposta a criação de uma associação de desenvolvedores de iPhone. Essa discussão não estava programada, mas foi muito bem-vinda por todos os presentes.

Essa conversa inicial teve como ideia a interação entre as diversas empresas e profissionais que desenvolvem para iPhone, com o objetivo de certificar aqueles que estão comprometidos com o desenvolvimento para a plataforma aos olhos dos clientes e fazer com que essa expertise de desenvolvedores brasileiros seja reconhecida inclusive internacionalmente.

A discussão toda foi muito saudável, na minha opinião, e levantou pontos fundamentais como a questão de custos para desenvolvimento de apps, diferenciação da parte dos clientes em relação a empresas e profissionais liberais, e transparência total na criação dessa associação. A conversa se estendeu e provavelmente deverá ser retomada nos próximos encontros.

O encontro iPhoneDevBr continua nos próximos meses, novamente no MIS. As datas seguintes serão 24 de outubro e 7 de novembro.

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