Alex Patsay, gerente de produto da Unsanity/Ripdev, conversa com o MacMagazine

Alex Patsay, Gerente de Produto da Unsanity/Ripdev
Alex Patsay, Gerente de Produto da Unsanity/Ripdev
Alex Patsay

Em agosto, o MacMagazine publicou um artigo a respeito do contato estabelecido entre Alex Patsay, diretor de produtos da Unsanity/Ripdev, e Phil Schiller, vice-presidente global de marketing da Apple, como parte da entrevista que Patsay cedeu ao AppleInsider.

Hoje, compartilhamos o bate-papo que tivemos com ele sobre assuntos como: as políticas da Apple para a iPhone App Store, jailbreak, Cydia, Ripdev, entre outros assuntos.

Fique à vontade para comentar, complementar e até fazer algumas perguntas ao Patsay — afinal, talvez possamos atualizar este post no futuro com algumas respostas.

Confira! 😉

MACMAGAZINE: Como é a experiência de estar nos dois lados: desenvolvendo para a App Store e fora dela?
ALEX PATSAY: Falando francamente, desenvolver para a App Store eventualmente nos leva a fazer aplicativos mais simples — não em termos de facilidade de uso, mas em disponibilidade de funções, pois você acaba se perguntando “O que a Apple vai achar dessa função?” e algumas delas não vão poder entrar na versão “oficial” do app (mas ainda assim poderão estar disponíveis na versão para iPhones/iPods touch jailbroken).

UnsanityRipdev

A Apple diz que não pretende aleijar os aplicativos, mas problemas com copyright e acordos com telecoms eventualmente a forçam a requerer que os desenvolvedores retirem algumas funções dos apps (o exemplo mais simples sendo as ligações via VoIP por Wi-Fi [que ontem foi finalmente exterminada pela AT&T, ao menos nos Estados Unidos]). Então, sim, desenvolver para gadgets com jailbreak é mais fácil.

MM: Vale a pena desenvolver algo para distribuição na comunidade jailbreak, isto é, descartando a App Store completamente?
AP: Se a App Store não existisse, o jailbreak provavelmente seria a única forma de desenvolver e vender aplicativos. O mercado do jailbreak seria menor que o da App Store (pois os requerimentos para fazer o jailbreak, o ato técnico, assustaria alguns usuários), mas ainda assim seria grande o bastante e valeria a pena.

MM: Você acha que a Apple desenvolverá o iPhone OS e/ou liberará amarras, no futuro, a ponto de descartar a necessidade de jailbreak?
AP: Eu espero que sim. Pode levar um tempo, porém, e quem sabe mais um pouquinho de concorrência. Isso certamente tornaria as coisas mais fáceis para os desenvolvedores e consumidores, que eventualmente ganhariam com a competição mais acirrada.

MM: O que você acha sobre o controle que a Apple impõe sobre o que deve e não deve ser instalado nos iPhones/iPods touch?
AP: Do ponto de vista da Apple, o controle que ela tem sobre a plataforma iPhone é compreensível — diferentes questões de copyright, privacidade, etc., poderiam facilmente levar a processos judiciais caros que ela quer evitar. Entretanto, eu acho que estão jogando fora o bebê junto com a água, por esmiuçarem cada botão da interface e cada função de um app [em aprovação]. Era pra ser o mercado livre que colocasse as coisas no lugar — onde ninguém (bem, quase ninguém) compraria um app mal desenhado ou que não funcionasse. Porém, por algum motivo, a Apple quer controlar tudo e ela tende a exagerar na dose.

MM: Como surgiu a ideia de desenvolver a Kali Anti-Piracy?
AP: Uma vez que a maioria dos nossos desenvolvedores vem da Rússia, experimentamos em primeira mão a abrangência da pirataria — muitas pessoas não são acostumadas a pagar por software. Daí tivemos que incorporar proteção em nossos próprios apps para evitar cracking. Vimos, assim, o quanto a comunidade pirata está ficando mais popular e o quão facilmente apps para iPhone podem ser crackeados. Daí adicionamos um sabor especial ao nosso sistema de proteção, de forma que ele pudesse ser usado por outros desenvolvedores. Percebemos que tudo pode ser crackeado, incluindo a Kali, mas monitoramos a comunidade pro caso de isso acontecer — teremos algumas cartas na manga.

MM: Olhando para o Kali Anti-Piracy, o que você acha da dualidade jailbreak vs. pirataria, que muitos nem sequer distinguem?
AP: Infelizmente, para muitos o jailbreak é a mesma coisa que pirataria, o que simplesmente não é verdade. Jailbreak é algo que você faz para instalar aplicativos que a Apple não permite na App Store, por um motivo ou por outro — como emuladores, Google Voice, apps de VoIP, etc. Contudo, jailbreak pode também ser usado para instalar aplicativos crackeados, mas eu compararia isso a uma faca — ela pode ser usada para cortar vegetais, mas também pode ser uma arma perigosa.

MM: Quais os apps indispensáveis num iPhone não-jailbroken?
AP: Depende de como uma pessoa usa o iPhone: para alguém que adora música, provavelmente o app iPod é um must-have, mas para mim o maior killer-app de todos é o Mail. Eu também uso o Twitterrific com frequência, Ember para conversas no Campfire (quando gerenciando projetos) e o widget [sic] Weather. Dois jogos nos quais eu passo muito tempo são o iCopter e o Flight Control (354 aviões pousados, entre os 4% dos melhores jogadores!)

MM: Quais os apps indispensáveis num iPhone jailbroken?
AP: Acho que o Icy (para gerenciar pacotes — é mais leve e mais fácil de usar que o Cydia). [Disclosure: o Icy foi desenvolvido pela Ripdev.] Eu chamaria um outro app da Ripdev de “bom de ter”: um utilitário chamado Kate, que adiciona diferentes melhorias ao iPhone OS. Além desses… bem, a habilidade de gravar vídeos com os iPhones 2G/3G é algo bom de ter, mas eu dificilmente chamaria de “obrigatório”.

MM: O jailbreak possui chances de se fortalecer com as atitudes “arbitrárias” que a Apple pode tomar com certos aplicativos, a exemplo do Google Voice?
AP: Pode ser, apesar de eu ainda esperar que o comportamento da Apple mude e passe a permitir mais aplicativos na App Store, especialmente se a FCC der uma olhada mais apurada na Apple.

MM: Como é (ou seria) a forma ideal de se desenvolver para iPhones jailbroken visando a lucro? A App Store é renomada pelo seu modelo de negócio bastante tentador, pensando com um criador de aplicativos.
AP: Do meu ponto de vista, o modelo de negócios da App Store não é assim tão tentador para os desenvolvedores, afinal de contas a Apple fica com 30% [do lucro] das vendas (e isso é muito). Quando você se vende usando PayPal, eSellerate, etc. (jailbreak, claro), mesmo que você inclua os custos pela hospedagem, não vai dar 30%, vai ser muito menos. O maior benefício da App Store é a simplicidade do processo de compra para o usuário final, o que eventualmente se traduz em mais vendas para o desenvolvedor. Acho que a Cydia Store ajuda a comunidade jailbreak, mas, como cada desenvolvedor pode vender seus apps livremente, eles não serão tão populares (relativamente falando).

MM: Você está satisfeito com a experiência de uso de aplicativos como o Cydia para instalar aplicativos? Pense um pouco, é fácil para um usuário encontrar o que quer na App Store; você acha que o Cydia também é ideal nesse ponto?
AP: Francamente, digo que a experiência com aplicativos de jailbreak tem muito que aprender com as iTunes e App Stores. Só ter um cliente móvel (como o Cydia ou o Icy) não é o bastante, já que as pessoas se cansam de explorar e fazer buscas numa telinha. Foi por isso que lançamos o InstallerApp para Mac e Windows, o aplicativo que basicamente serve como um iTunes para todos os aplicativos em repositórios Cydia. Porém, a falta de uma descrição padronizada, screenshots e resenhas para os aplicativos do Cydia realmente fere a experiência do usuário.

MM: O que motivaria, na sua opinião, um usuário final a fazer jailbreak no seu aparelho? A maioria faz porque é mais geek no assunto, mas os mais comuns e até os funcionários de empresas desconhecem, ou não querem. Estão eles perdendo algo ao manter sua satisfação com produtos da App Store?
AP: Pelo que eu vejo, a maior razão para fazer jailbreak num iPhone é desbloqueá-lo — ferramentas como o yellowsn0w só podem ser instaladas num iPhone jailbroken. Mesmo que alguém precise instalar algum app que a Apple rejeitou (como o Google Voice ou emuladores), estamos falando de uma parcela minúscula do total de usuários, e podemos ver o quanto o número de usuários de iPhones jailbroken diminui a cada dia [ou não].

MM: Você acredita que o modelo da App Store é autoritário? Que tipo de mudanças seriam bem-vindas?
AP: Bom, por onde eu posso começar? É autoritário, sim, apesar de não ser necessariamente uma coisa ruim — afinal de contas, tem muita gente ruim por aí que quer pegar informações pessoais das pessoas ou coisa do tipo, então a Apple precisa proteger os usuários (mas sem superproteção). É só que algumas coisas precisam mudar (ou melhorar), aí eu nem vou me importar mais. 🙂

Por exemplo, uma coisa que está matando muitos desenvolvedores [de raiva] é o tempo de análise dos apps longo demais. Mesmo uma correção urgente com uma versão x.x.1, você tem que esperar na fila por sabe lá quanto tempo — pode ser uma semana, ou duas, ou três. Enquanto isso, você vai ser detonado com as resenhas na App Store por ter lançado um app bugado. Então, um tempo de análise menor (atualmente são 2–3 semanas, até onde sabemos) é imprescindível — imagine o que vai acontecer quando a App Store tiver 100 mil apps.

Aí tem esses bugs na iTunes Connect (onde desenvolvedores submetem os aplicativos), então quando eu ainda tenho um app 3.0 à venda na App Store e o 3.1 preso na análise, as screenshots para o aplicativos serão as que eu enviei para a [versão] 3.1, daí eu vou me encher de resenhas de uma estrela por funções ausentes.

E outra coisa é que desenvolvedores não sabem se seus apps estão OK para a Apple até que tenham passado meses desenvolvendo e testando e os submetam a ela só para descobrir que, por algum algum motivo bizarro, a Apple não quer colocá-lo na App Store — ou vai rejeitá-lo um mês depois.

MM: Como é o dia a dia na Unsanity? E no Ripdev?
AP: É divertido! 🙂 Uma grande mistura de gerenciar projetos, gerar novas ideias, encontrar-se com cliente atuais e futuros (além de desenvolver nossos próprios aplicativos, ajudamos outras companhias a desenvolver apps para iPhone) e blogar (eu tenho um blog pessoal no alexmak.net, mas está quase tudo em russo); ainda assim sobra tempo para minha família. 🙂 E é um tempo loucamente ótimo!

MM: Algum conselho para quem quer entrar no mercado de desenvolvimento?
AP: O ponto de entrada na App Store é baixo mesmo — é só questão de conseguir um Mac, um iPhone e uma conta de desenvolvedor. Isto porque seu nome (ou a falta dele) não importa de verdade. O que conta mesmo é [ter] uma ideia inovadora e divertida que possa ser transformada num aplicativo. Mas ideias têm que ser executadas de forma bela, algo que faça as pessoas dizerem “Uau, isso é legal mesmo!”

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Ícone do i2ReaderAproveitando a oportunidade, o Alex nos cedeu cinco códigos promocionais do i2Reader, um leitor de eBooks para iPhones/iPods touch desenvolvido pela Unsanity. Os cinco primeiros leitores que derem RT no nosso tweet sobre este artigo levarão códigos promocionais dele para seus gadgets.

Caso você seja o ganhador e não saiba como resgatar o seu promo code, confira esta vídeo-aula sobre iTunes Gift Cards — o processo é exatamente o mesmo.

Boa sorte! 😉

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