Resenha: VMware Fusion 3.0.1

Há quase um ano, fizemos uma resenha sobre o VMware Fusion 2.0.1, na época recentemente lançado, que se demonstrou muito eficiente ao converter usuários do Parallels Desktop — como era o caso do Rafael, na época — e executar o Windows XP com ótima performance e boa integração com o Mac OS X para transferência de arquivos, entre outras coisas. Hoje, com uma nova versão do aplicativo no mercado oferecendo mais de 50 novidades em relação à anterior, fica claro que rodar o sistema da Microsoft (ou qualquer outro) no Mac é uma tarefa desempenhada de uma forma um pouco diferente por ele e também por outros produtos.

Digo isso porque, diferentemente do que era há quase um ano, a concorrência por aplicativos de virtualização no sistema da Apple está muito mais acirrada: o Parallels, na época considerado estacionado em avanços (e bastante decepcionante para muitos usuários), tornou-se um produto muito melhor com a sua versão 5.0, oferecendo até alguns recursos inexistentes no Fusion. Além disso, muitos usuários ainda possuem dúvidas se optar por um software como ele é uma boa alternativa em relação ao Boot Camp, atualizado na semana passada pela Apple com suporte total ao Windows 7.

A VMware nos cedeu uma licença da última versão do Fusion (3.0.1) para testes e, desta vez, faremos uma resenha com base nas necessidades de quem possui pouca (ou nenhuma) experiência anterior com softwares de virtualização no Mac. Se você está enquadrado nessa situação e/ou não consegue se decidir entre eles e o Boot Camp, provavelmente ficará bastante interessado em acompanhar o que produzimos a seguir, com base nas boas impressões que tivemos da nova edição do Fusion. Reserve um tempinho do seu domingo para acompanhar as próximas linhas e tenha uma boa leitura! 😉

Por que _não_ usar o Boot Camp?

Se o Boot Camp vem de graça em todo o Mac com Snow Leopard e roda todas as versões do Windows com velocidade nativa e total compatibilidade — incluindo para drivers de dispositivos, que vieram na sua cópia do sistema —, por que dispensá-lo, afinal de contas? Talvez essa pergunta seja óbvia para alguns, mas, no geral, quem sente a necessidade de rodar o Windows (ou qualquer outro sistema operacional) no Mac também deseja compartilhar o seu dia de trabalho com ele em aplicativos para Mac.

Isso ocorre porque uma parcela enorme dos usuários de Macs em outros sistemas apenas recorre a eles para rodar poucos aplicativos, que não existam para o SO nativo dos seus computadores. Talvez a empresa na qual você trabalha exija o uso de sistemas específicos e construídos sob medida, que provavelmente não foram planejados para o Mac OS X, mas são os únicos que você precisará usar fora dele e poderiam rodar lado a lado com os aplicativos que você já usa para ouvir as suas músicas, produzir suas apresentações de slides ou editar suas fotos e vídeos. Esse cenário apenas é um dos vários que podem ser perfeitamente atendidos por uma boa solução de virtualização.

Ademais, empregar o Boot Camp por causa de um único software para Windows tende a ser uma tarefa tortuosa: exige que você reinicie seu Mac e o carregue de novo com o sistema da Microsoft, para depois voltar ao Mac OS X seguindo o mesmo processo. Devido a isso, o trabalho com o utilitário da Apple apenas deve ser adotado se você precisar de muitos softwares para Windows em execução durante um dia de trabalho, ou então seja fortemente recomendado pelos desenvolvedores deles para obtenção de maior performance e compatibilidade — especialmente se o que você for fazer com o outro sistema envolver jogos. Se os requisitos de funcionamento deles puderem ser atendidos pelo seu Mac rodando outro sistema através do VMware Fusion, sinta-se livre para usá-lo.

Por fim, nós não estamos falando apenas em rodar o Windows no Mac, pois com o Fusion 3.0.1 é possível trabalhar com mais de 140 sistemas operacionais diferentes — embora não possa garantir que todos eles rodarão ao mesmo tempo na sua máquina, claro. 😛 É uma alternativa bem mais prática e você até usufrui de algumas funções específicas em cada um deles.

O primeiro contato com o Fusion 3.0.1

A instalação do Fusion é um processo super simples e rápido: no meu MacBook branco — adquirido no primeiro semestre de 2009, com 2GB de RAM e processador Core 2 Duo de aproximadamente 2GHz —, ela durou aproximadamente cinco minutos. Depois de iniciá-lo pela primeira vez e realizar o registro no site da VMware, você é imediatamente apresentado à tela inicial do produto, oferecendo todas opções que você poderá escolher para começar a usá-lo:

Se você migrou do Fusion 2 para o 3, suas máquinas virtuais antigas são automaticamente transferidas para ele, mas você ainda precisa abrir cada uma delas, atualizar as VMware Tools (falaremos delas daqui a pouquinho :-P) e reiniciá-las. Aqui, eu fui diretamente apresentado à tela acima, na qual é possível importar partições que talvez já existam no Boot Camp ou em outros softwares de virtualização, além de ser possível converter um PC com o Windows em uma máquina virtual, via Ethernet, FireWire ou Wi-Fi. Por fim, há a opção de criar uma nova máquina virtual, sendo ela a que exploraremos a seguir.

Ao abrir o assistente de criação de máquinas virtuais, o Fusion pode detectar automaticamente a presença de um disco de instalação de um sistema operacional e, a partir daí, oferecer um método fácil de configuração baseado nos requisitos do sistema escolhido e algumas operações adicionais. Após obter uma licença do Windows 7, decidi instalá-lo primeiro para testes e fui orientado a configurar o meu usuário nele através do Fusion, além de lidar com o primeiro passo da sua ativação:

Mas claro, você pode optar pela escolha manual do sistema operacional. Como já mencionei, é possível instalar mais de 140 sistemas diferentes em máquinas virtuais do Fusion, incluindo diferentes versões do Windows, Ubuntu, Mac OS X, Solaris, Red Hat Linux, SUSE Linux, Mandriva Linux, FreeBSD e muitos outros, com variantes de 32 bits e 64 bits.

Apenas atente para o fato de que eles exigirão diferentes requisitos do seu Mac, de forma que você deverá se certificar de que ele possa atender a eles. Por exemplo, uma versão 32 bits do Windows 7 requer um processador de 1GHz, 40GB de HD e 1GB de RAM, sendo que o Fusion configurará suas máquinas virtuais adequadamente para atender a cada um deles.

Dissecando a configuração de uma máquina virtual

O Fusion oferece opções semelhantes de configuração para todas as máquinas virtuais que suporta, com acesso a recursos bastante interessantes. A seguir, você confere uma descrição de cada um deles:

Compartilhamento

Permite que você compartilhe o acesso a pastas do seu Mac a partir da sua máquina virtual. É possível até “espelhar” o conteúdo da sua área de trabalho ou do seu diretório de documentos com ela, automaticamente.

Aplicativos

Aqui é possível definir o funcionamento do novo menu de aplicativos do Fusion (situado na barra de menus do Mac OS X, para você abrir programas na máquina virtual por meio dele. Além disso, é possível definir o comportamento da abertura de arquivos entre o Windows (ou outro sistema operacional) e o seu Mac.

Processadores & RAM

Defina aqui a quantidade de recursos do Mac destinados à máquina virtual — até quatro núcleos de CPU e 8GB de RAM. É recomendado não diminuir os valores para abaixo do mínimo definido pelo Fusion, mas é bom não exagerar e deixar o Mac OS X sem fôlego.

Monitor

É possível acelerar gráficos 3D de máquinas virtuais através da sua própria GPU com o Fusion, mas apenas se elas rodarem Windows XP, Vista ou 7. Nesses casos, o recurso funciona muito bem e é compatível com todas as GPUs recentes disponíveis para Macs.

Impressoras

O Fusion configura o acesso às impressoras instaladas em seu Mac automaticamente para você. Nenhum driver específico é necessário para usá-las.

Recurso AutoProtect

Permite que você registre o estado da sua máquina virtual em determinados intervalos de tempo, permitindo o retorno para qualquer um deles caso algo errado ocorra com ela. Também é possível registrá-los manualmente.

Rede

Define como a sua máquina virtual se conectará à internet e outros computadores. Particularmente, a opção mais adequada para uso no dia-a-dia é a Bridged, que concede à máquina virtual acesso direto à sua rede, como um outro computador qualquer conectado a ela.

HDs virtuais

Define o espaço exato do seu HD principal e adiciona outros conforme suas necessidades. Também é possível efetuar operações de limpeza e compactação deles quando preciso.

Som

Habilita/desabilita a integração sonora com o sistema hospedeiro.

CDs, DVDs, dispositivos USB e outros periféricos

Esses painéis servem para você definir como eles se comportarão com sua máquina virtual e se serão mostrados por ela ou não. Em casos específicos, é possível adicionar periféricos diferentes para suas necessidades.

Opções avançadas

A maioria dos usuários não precisará configurar nada nesse painel, mas talvez você queira definir opções extras, como alterar o disco de inicialização da sua máquina virtual ou então definir se ela utilizará informações sobre estado de energia com base no que é usado por seu Mac.

Usando o Windows 7 com o VMware Fusion 3.0.1

Disclaimer: Não vem ao caso detalhar a instalação dele neste artigo — até porque o deixaria muito maior do que ele já está. 😛 Se sentir a necessidade de conferir um passo-a-passo dela em screenshots, eu publiquei um set de fotos no Flickr com todos os registros que fiz nesse processo.

Depois de criada a máquina virtual, ela fica acessível na tela inicial do Fusion, a Virtual Machine Library. Você pode abri-la por lá, ou defini-la como padrão para ser aberta sempre que o aplicativo for executado em seu Mac.

Eu ainda não tinha instalado o Windows 7 quando registrei tudo o que viram acima, mas o processo foi bem rápido — afinal de contas, ele começou do zero: durou cerca de 30 minutos. Vale dar créditos ao quanto a VMware trabalhou para tornar isso bem simples para os usuários, bem como para a Microsoft, que tornou a instalação do Windows bem mais veloz e simples nas últimas versões do seu sistema operacional.

Na primeira inicialização do sistema, tudo funciona como num PC formatado — o que significa que nada funciona. 😛 A configuração não acabou ainda, pois é necessário instalar as VMware Tools, um pacote de ferramentas que incluiu todos os recursos para se interagir entre o Windows 7 e o Mac OS X, além dos drivers gráficos e de som para sua máquina virtual. O processo dura outros cinco minutos e requer a reinicialização dela quando encerrado. Antes disso, o Fusion também sugere que você instale uma cópia do McAfee Virus Scan Plus, um ótimo sistema de proteção para PCs que pode ser usado gratuitamente por 12 meses, representando uma economia de R$200.

Depois de instalar as VMware Tools e reiniciar, pude ter acesso a todos os recursos do Windows 7 a partir do ambiente virtual, incluindo suporte à interface Aero — comprovando que a aceleração gráfica realmente funcionou como esperado nesse ponto. A performance do Fusion no meu MacBook com o Windows 7 foi relativamente boa, mas pude notar uma leve queda na resposta do Mac OS X em segundo plano, devido ao swap de RAM — ele precisou usar mais de 1GB do meu HD como memória virtual, mas também não é nada que um upgrade para 4GB não seja capaz de resolver.

Quanto aos gráficos 3D gerados pela máquina virtual, é bom lembrar que eles são capazes de suportar múltiplos monitores e alguns jogos — julgando que ela esteja devidamente configurada com os requerimentos deles, que devem ser suportados ainda pelo seu computador. No Windows Vista e no 7, o Fusion suporta DirectX 9.0c com Shader Model 3, mas o suporte a OpenGL é um tanto fraco (apenas a versão 1.4 — pra você ter uma ideia, já existe a 3.2!), sendo melhor com o Windows XP (versão 2.1). Mesmo assim, jogar games muito pesados com ele ainda é uma tarefa complicada de se realizar em muitas situações.

Agora, uma das áreas que mais me impressionou no Fusion foi a integração oferecida entre Windows e Mac OS X. É possível colocar máquinas virtuais em tela cheia (com uma nova barra de controles sempre disponível no topo), mas o ponto forte do aplicativo é o modo Unity, que ganhou uma série de melhorias na versão 3.0. Além de ser possível manter seus programas do Windows no Dock e interagir com eles de forma semelhante às janelas do seu próprio Mac, você pode tirar proveito do novo Application Menu, que oferece fácil acesso a todos os seus softwares na máquina virtual (além de outros recursos) na barra de menus do Mac OS X.

Imagine esse recurso como sendo o “Menu Iniciar” do modo Unity, contendo uma lista de documentos abertos recentemente pela sua máquina virtual, todas as opções de visualização dela e uma função de busca rápida por todos os softwares nela instalados. Se você abrir muitos deles durante o dia-a-dia, rapidamente os verá na área principal do Application Menu, facilitando ainda mais a localização deles com menor contato pela interface fechada do Windows.

Por fim, o Fusion suporta diversos outros tipos de interação entre o sistema hospedeiro e o virtual, incluindo arrastar-e-soltar (drag & drop) de arquivos entre ambos e até operações de copiar-e-colar (copy & paste) com textos. No geral, é possível dizer que essa área está bastante sólida no Fusion, mas talvez você encontre alguns problemas na sua própria experiência com o produto — incluindo corrupção gráfica ao trabalhar com janelas do Windows no modo Unity via Exposé, tornando-as irreconhecíveis em monitores pequenos.

Usando distribuições Linux com o VMware Fusion 3.0.1

Por ter sido apresentado à computação pessoal por meio de um PC com Linux, eu não podia deixar de fazer alguns testes com o Fusion 3.0.1 em máquinas virtuais baseadas em sistemas dessa natureza. Desta vez, decidi testar o modo de configuração rápida (Easy Setup) existente no Fusion para instalar o Ubuntu 9.10 numa nova máquina virtual. Conforme prometido pela VMware, apenas precisei preencher algumas informações de usuário e, em 20 minutos — com uma imagem de instalação do Ubuntu carregada num pendrive —, eu já estava rodando um novo sistema operacional em meu MacBook.

Instalar as VMware Tools no Ubuntu foi um pouco mais complicado do que no Windows, devido à falta de interface gráfica no processo por que optei — semelhante ao descrito neste artigo. Após o reboot, a máquina virtual rodou com excelente performance, com exceção do fato de que o Fusion 3.0.1 ainda não leva aceleração gráfica para máquinas virtuais baseadas em Linux. Entretanto, quase todas as funções do aplicativo que funcionaram bem no Windows 7 se comportam de igual forma no Ubuntu, incluindo o modo Unity, compartilhamento de conteúdo, rede entre sistemas, etc.

No final das contas, brincar com o Ubuntu acabou sendo tão fácil quanto brincar com o Windows 7, já que a VMware trabalhou para que ambos os sistemas pudessem funcionar muito bem a partir dos seus respectivos processos de configuração. Mas você também pode criar máquinas virtuais com distribuições desconhecidas pelo Fusion, desde que você saiba qual versão do kernel do Linux elas rodam — grande parte dos projetos de sistemas open source deixa isso claro em suas respectivas documentações.

Por exemplo, usando um disco virtual que encontrei navegando pelo Cult of Mac, eu consegui colocar o Chromium OS — um dos builds do futuro Google Chrome OS — em funcionamento:

Obviamente, a performance dele nesse tipo de ambiente foi horrível em relação à apresentação do Google, pois os drivers da VMware nem mesmo são reconhecíveis pelo Chromium OS. De qualquer forma, esses experimentos são apenas uma vaga ideia de tudo que é possível em seu Mac através da execução de sistemas virtualizados, sendo bem mais interessantes do que uso do Boot Camp, em alguns casos.

Conclusão

Com base nas minhas impressões anteriores em soluções de virtualização, o Fusion 3.0.1 ainda mantém a VMware como uma das empresas que mais se dedicam a oferecer esse tipo de aplicativo para o Mac OS X, mas ainda deve melhorar em alguns aspectos, a fim de que possa manter uma competitividade mais acirrada com o Parallels Desktop. Algumas áreas do Fusion — incluindo suporte a máquinas virtuais com hardware mais avançado, performance geral e execução de jogos — têm muito a evoluir para atender às necessidades de usuários mais exigentes, especialmente aqueles que viram no seu principal concorrente a solução perfeita para virtualização.

Entretanto, o produto da VMware é perfeitamente capaz de atender a diversas necessidades de usuários que não querem apelar para o Boot Camp, rodando aplicativos para Windows perfeitamente bem quando lado-a-lado com apps para Mac. Graças à sua excelente integração com o Mac OS X e alta flexibilidade para trabalho com mais de 140 sistemas operacionais, a última geração do Fusion continua sendo altamente recomendada para propostas de virtualização vindas de qualquer usuário, devendo ser também uma opção de escolha obrigatória para aqueles que desejam analisar um pouco mais antes de tomar uma decisão definitiva sobre o assunto.

Requisitos de sistema, preço e disponibilidade

O VMware Fusion 3.0.1 pode ser executado em qualquer Mac Intel, com pelo menos 1GB de RAM (2GB recomendados) e 5GB de espaço em HD para cada máquina virtual — mais os 700MB para o próprio app. É importante certificar-se ainda de que ele requer as versões mais recentes do Leopard e do Snow Leopard (devido ao alto uso de funções em 64 bits) e uma placa de vídeo rápida, para fins de aceleração gráfica.

Para adquri-lo, basta visitar o site da sua desenvolvedora, onde ele está disponível em versão completa por US$80 — ou US$100, caso você queira adquirir um plano de upgrade para a próxima grande versão do produto. Usuários das versões 1.x ou 2.x também podem migrar para a 3.0.1 pagando apenas US$40, a não ser que desejem adquiri-lo com um plano de upgrade — o que eleva esse valor para US$60.

Uma versão de avaliação do aplicativo também está disponível para download, podendo ser usada de graça por até 30 dias. Se você quer fazer esse teste antes de adquri-lo, basta registrar-se no site da VMware.

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