CTO da Adobe sai em defesa do Flash Player e diz que sua empresa “está pronta para levá-lo ao iPhone OS”

Como atual chefe de tecnologia da Adobe e ex-executivo da Macromedia (empresa criadora do Flash Player), Kevin Lynch talvez seja uma das pessoas que mais possuem conhecimento sobre a tecnologia mais empregada para experiências multimídia na web hoje. Embora a sua atual empresa tenha sido chamada de “preguiçosa” por Steve Jobs (segundo rumores), Lynch afirmou ontem que a Adobe está pronta para habilitar suporte ao plugin em qualquer produto da Apple que rode o iPhone OS, mas pode não fazê-lo simplesmente porque não tem nenhum acordo firmado para isso.

Ou seja, ignorando todos os problemas de performance que já conhecemos e sabendo que a Adobe não tem como aprimorar o Flash Player para Mac de forma semelhante ao Windows, a responsabilidade oficial da sua falta no iPhone aparenta ser totalmente da Apple, pois sua “parceira” possui condições para implementar a tecnologia nessa plataforma. Caso os sites de rumores estejam certos sobre a reunião interna que a Apple realizou na semana passada, a causa citada por Jobs quanto a isso é de que o plugin é instável demais para o iPhone OS — da mesma forma que também é para o Mac OS X.

Eu não tenho muita certeza sobre o que está rolando nos bastidores dessa nova discussão sobre Flash, mas imagino que a Apple não o esteja aceitando na sua plataforma móvel porque, ao contrário das suas versões em desenvolvimento para Android, BlackBerry, Maemo e webOS, ele deve ser entregue de forma única em todos os seus sistemas. Ora, a Adobe o adaptou para funcionar em quatro sistemas móveis; adicionar mais um à lista não seria um inferno na Terra.

Entretanto, se uma experiência otimizada do Flash fosse levada ao iPhone, o plugin também deveria ser readaptado para o Mac e receberia todas as funções de aceleração e otimização de hardware das outras plataformas — o que não é possível atualmente, pois o Mac OS X é tão fechado para receber tecnologia proprietária relacionada a manipulação de hardware quanto o próprio iPhone. O fato é que a Apple e a Adobe aparentam ter chegado a um impasse no campo desenvolvimento do Flash, em que uma empresa não é capaz de ceder o necessário para atender aos interesses técnicos da outra.

Até que tal entrave se resolva, desenvolvedores em Flash terão que encaminhar seus produtos para o iPad sob a forma de binários na App Store, com as ferramentas que a Adobe criou para atender a esses profissionais da melhor forma possível. Por outro lado, a alternativa citada por Jobs para ser usada no lugar do plugin dela (HTML5) não é muito aceita por Lynch, mesmo sendo entusiasta de todos os projetos para uma web aberta:

A Adobe apoia o HTML e a sua evolução; estamos ansiosos para adicionar mais recursos aos nossos softwares em torno do padrão HTML5 conforme ele evolui. Mas se ele pudesse fazer tudo que o Flash faz de forma bem-sucedida, ele nos pouparia grandes esforços, o que não parece estar acontecendo.

Mesmo na área de vídeos, onde o Flash está presente em mais de 75% da web, as implementações provenientes do padrão HTML5 não concordam com um formato comum entre todos navegadores; assim, os usuários e criadores de conteúdo seriam jogados de volta à “idade das trevas do vídeo” na web, com problemas de incompatibilidade.

Há quem critique essa afirmação, mas Lynch também tem razão. Um vídeo não é executado sem plugins no Safari (navegador em que já é possível assistir a conteúdo do YouTube sem Flash) da mesma forma que no Firefox, devido a diferenças de codec. E antes que apareçam pessoas criticando a Mozilla, é importante lembrar que a alternativa adotada pela Apple é proprietária, de uma certa forma — sem falar que 330 milhões de pessoas não deixarão o Firefox da noite para o dia, contando os seus próprios desenvolvedores. Isso só mostra que HTML5 é uma tecnologia jovem para vídeos, e ainda será preciso algum tempo até que ela evolua a ponto de atender perfeitamente a todas as necessidades de desenvolvedores.

Por outro lado, a Adobe pode lucrar com HTML5: ela tem planos de integrar suas funções mais avançadas em apps da Creative Suite destinados a web designers — afinal de contas, o Dreamweaver deve ter algum sentido para ela. Mas o maior responsável por manter a Adobe viva em criatividade online é o Flash Professional, que os seus maiores clientes pagam caro para usar — e está na mão deles a conversão de apps dos browsers para o iPhone. Se pararmos para pensar, ela possui uma chance muito maior de perdê-los com esse método do que convertendo o seu plugin para navegadores do jeito que a Apple quer.

Conforme os usuários premium de Flash forem criando conteúdos para a App Store, estima-se que eles vejam o SDK nativo com um meio muito mais conveniente para isso. Cedo ou tarde, a Adobe vai perder com essa história — isso se não quiser entrar no jogo da Apple enquanto ainda pode lucrar.

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