Política de terror da Apple para conter segredos industriais também afeta fornecedoras asiáticas

Unidade da Foxconn em Taiwan

A Apple sempre foi aclamada pelo seu mérito de conseguir guardar segredos e não estragar as surpresas que Steve Jobs nos apresenta em suas keynotes “cinematográficas”. Todavia, recentemente, toda essa aura começou a ter seu sentido alterado, com uma série de reportagens acerca do lado negativo dessa proteção exagerada: 1, 2, 3, 4.

Unidade da Foxconn em Taiwan

Hoje, a Reuters trouxe uma nova matéria focada em casos absurdos registrados na Ásia, com parceiras que fabricam produtos da Apple ou fornecem componentes para suas montagens. Uma delas é a Foxconn (foto acima), talvez a que tem o relacionamento mais próximo da firma de Cupertino hoje em dia.

Um dos incidentes mais escabrosos contados na matéria ocorreu com um repórter que resolveu tirar algumas fotos de uma unidade da Foxconn — de longe, na rua. Insatisfeitos e desconfiados do cara, seguranças da fábrica impediram que ele fosse embora, chegando a segurá-lo à força e até a dar uma rasteira para impedir que corresse. A situação só foi resolvida com a chegada da polícia, que disse que o repórter tinha direito de prestar queixa contra a empresa, mas que aquela prática era comum por ali.

É claro que boa parte dessas ações são iniciativas e de responsabilidade da própria Foxconn, mas provavelmente estimulada pela Apple e amedrontada com a possibilidade de perder os contratos que tem com a Maçã. É bem sabido que a Apple realiza conferências e investigações periódicas com essas empresas, a fim de determinar se alguma delas está vazando informações confidenciais sobre futuros produtos.

De uma maneira geral, porém, a Apple não confia em ninguém. É por isso que ela só define quem irá fabricar e/ou fornecer o que em cima da hora, e tenta ao máximo separar a produção entre múltiplas empresas, a fim de que individualmente elas não tenham muitos detalhes sobre o que será do produto final.

No meio do ano passado, um funcionário da Foxconn se matou supostamente por ter perdido um protótipo de iPhone 4G: 1, 2, 3, 4, 5. Pra você ter uma ideia, há unidades da Foxconn que incluem dormitórios, espaços de recreação, bancos, correios, padarias e afins, reduzindo a necessidade de seus empregados terem que sair de lá e diminuindo bastante os riscos de vazamento de informações.

Gosto muito da Apple, mas essa política é algo que não me agrada nem um pouco.

Posts relacionados

Comentários