Através da Smashwords, autores independentes terão acesso livre à iBookstore do iPad

Se escrever um livro é como gerar um filho (com a desvantagem que a vida “intrauterina” dura _muito_ mais que nove meses, na maioria dos casos), publicá-lo é como parir sem anestesia. Você precisa procurar uma editora (e ser recusado por quase todas, no processo), para então ser alvo de uma aposta: tantas cópias do seu livro serão impressas e… e… e Deus sabe quantas serão vendidas. Perde você, deprimido e com um armário lotado de exemplares; perde a editora, que tomou um prejuízo; perde o planeta, que viu seu número de árvores diminuir e o lixo aumentar (a não ser que você recicle o papel).

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Enfim, é uma via crucis nada agradável. Que bom seria se um autor independente pudesse escrever sua obra, enviá-la para uma loja como a iBookstore e vendê-la em formato eletrônico! Ninguém perde nada e o escritor tem a ganhar — ainda que sejam só uns trocados. Mas como colocar um trabalho assinado por um “Zé Ninguém” numa loja da Apple? Smashwords!

Honestamente, eu não conhecia esse serviço gratuito (FREE, as in BEER!) de venda de ebooks. Qual foi minha felicidade de descobri-lo justo quando é divulgado que as obras de seu catálogo Premium estarão disponíveis no iPad! Deixe-me repetir: seu livro, disponível, para todos os iPads com iBooks instalado. A hora de perguntar “Tem pegadinha?” é agora, então eu questiono: tem pegadinha?

Para entrar no catálogo Premium do Smashwords, uma obra deve atender a vários requisitos, dentre os quais podemos listar alguns: ela deve estar no formato ePub, ter um título decente (nada DE CAIXA ALTA GRATUITA), uma formatação apresentável, uma capa bem feita (e grande), etc. Trabalhos enviados até 31 de março estarão disponíveis no lançamento do iPad, segundo o serviço. Ah, e mais uma coisa: o preço é de livre escolha do autor, contanto que termine em “,99” (US$0,99, US$10,99…).

Seu livro, nesta estante: não tem preço!

Obviamente, se você vender um ebook a US$9,99, parte do lucro será da Apple, enquanto outra fração ficará com a Smashwords. Fazendo umas contas rapidamente, cheguei à conclusão de que um autor levará US$5,94 por cada venda pelo preço acima — a Maçã morde 30% e, do que sobra, a Smashwords fica com 15% (10,5% do preço listado), restando 59,5% do total para o autor. Parece um bom negócio, principalmente porque não há risco. Contudo, não há departamento de marketing (a não ser um ebook gratuito), então cabe ao autor correr atrás de sua própria divulgação.

Claro, contar com milhões de usuários de iPads como mercado potencial e o iBooks emprestando a interface para seu livro parece um bom excelente começo.

[via VentureBeat]

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