Atendendo a pedido da imprensa, juiz revela documentos do caso Gizmodo sobre protótipo de iPhone

Protótipo de iPhone 4G rodando o firmware 4.0

A justiça da cidade de San Mateo (situada no Vale do Silício norte-americano) revelou hoje alguns documentos que tornam público o caso do protótipo de iPhone de quarta geração obtido pelo Gizmodo. Tal decisão foi tomada por um juiz após a pressão feita por alguns veículos de notícias sobre a Polícia do Vale, que invadiu a casa de um editor do site em busca de evidências nos seus equipamentos, incluindo computadores e servidores pessoais.

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Protótipo de iPhone 4G rodando o firmware 4.0

O caso tornou-se mais complexo devido a essa ação, que teoricamente contraria leis sobre proteção à privacidade e medidas a serem tomadas em espaços que podem ser considerados como redações, para fins de investigação em ambientes jornalísticos. Dentre os documentos relacionados a essa parte do caso, está uma declaração feita por um detetive da Polícia, além de registros sobre os assuntos abordados em um encontro de seus agentes com advogados e executivos da Apple, em 20 de abril.

Revelar todos esses documentos foi uma tarefa difícil para a justiça acatar, pois alegou-se o direito de defender a segurança do caso e até mesmo a identidade de uma informante que teria fornecido dados sobre a potencial obtenção do protótipo do novo iPhone pelo Gizmodo. Aparentemente, foi por meio desta pessoa que a polícia chegou a Brian Hogan, um homem de 21 anos que vendeu o aparelho para o site por US$5.000, após obtê-lo no local em que o engenheiro da Apple, Gray Powell, o deixara acidentalmente.

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Após isso, o Gizmodo não perdeu tempo na tarefa de virar o protótipo ao avesso e revelar todos os seus segredos em público, o que acabou sendo repetido por outros sites recentemente. Porém, na mesma data de publicação do primeiro artigo sobre o assunto (19 de abril), Steve Jobs fez contato com um dos editores da Gawker (que é responsável pelo Gizmodo), mas recebeu uma resposta negativa, com a qual foi coagido a confirmar a veracidade do protótipo para obtê-lo de volta:

No momento, não temos nada a perder. A equipe de relações públicas da Apple ultimamente tem sido fria conosco. Ela afetou minha habilidade de fazer meu trabalho no lançamento do iPad. Então tivemos que ir afora e encontrar nossas notícias como essa, bem agressivamente.

Em termos legais, a Gawker já tinha estimulado um tipo de infração contra a Apple e a proteção de propriedade intelectual ao anunciar um prêmio para quem trouxesse uma prova da existência de uma tablet da Maçã. O que o seu editor considerou como bloqueio à sua habilidade de trabalhar não é nada além de uma medida empregada para o sucesso de um produto a critério da empresa que o desenvolve, sendo essa uma atitude que não deve ser legalmente regulada, mas sim respeitada como parte do profissionalismo de qualquer um.

iPhone 4G adquirido pelo Gizmodo

Anyway: um dia depois deste evento, em 20 de abril, ocorreu a tal reunião que mencionei linhas acima, contando com representantes da Apple e membros da força de investigação da Polícia no Vale do Silício. Na ocasião, um advogado da empresa, George Riley, deixou claro que o furo do Gizmodo prejudicou bastante a Apple, mas não em um sentido intelectual, e sim comercial:

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Pessoas que poderiam ter adquirido um produto da Apple já existente agora aguardarão pelo lançamento do próximo item, afetando as vendas e a arrecadação geral.

De qualquer forma, a investigação trouxe muitas informações novas, mas não com relação ao engenheiro que perdeu o aparelho, e sim com o homem que o achou e não devolveu à Apple. Por meio de uma denúncia, um investigador conseguiu chegar a Katherine Martinson (a informante), colega de quarto de Brian Hogan, que confessou que ele tinha recebido uma oferta de US$10.000 pelo aparelho, dos quais foram apresentados US$5.000 em notas de US$100 a serem complementados por um segundo bônus em julho, quando o Gizmodo supôs que o novo iPhone seria lançado.

No entanto, depois que o detetive conversou com Martinson e começou a formular um mandado de busca, ela lhe ligou novamente em uma noite e disse que Hogan e outro colega de quarto se preparavam para deixar o apartamento em que moravam, removendo evidências do protótipo em cartões de memória. A polícia conseguiu detê-los na casa dos pais de Hogan na madrugada e, depois de conversar com os rapazes, descobriu o paradeiro dos tais cartões, em uma rua na cidade de Redwood City.

Até o momento, isso é tudo o que se conhece sobre o caso, indicando que todos os envolvidos na revelação do protótipo já são conhecidos. Embora a investigação não se tenha encerrado, a revelação desses detalhes não fez nada além de cumprir a vontade da imprensa, então é capaz que a tensão sobre ela diminua a partir de hoje; agora é ver qual será o destino do Gizmodo e do homem que lhe vendeu o protótipo.

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