Dan Lyons: “A Apple matará o Macintosh.” Tá bom…

Não é de hoje que aparece um ou outro falando que a Apple “matará” o Macintosh — curiosamente, o último lunático que eu vi falar isso pensou que ela começaria a comercializar máquinas com Windows, devido ao surgimento do Boot Camp para os Macs com processador Intel. Pra falar a verdade, ver uma ou outra pessoa conceituada falar sobre esse assunto após a ascensão do iPhone no mercado foi algo que até demorou para acontecer, mas, quando ocorreu, foi da maneira mais lamentável possível: o último artigo de Dan Lyons (que você provavelmente conhece como “Fake Steve Jobs”) para a revista Newsweek conseguiu, na minha opinião, superar em loucura todas as especulações anteriores sobre o fim dos computadores da Apple.

É impossível negar que ela esteja dando mais atenção aos desenvolvedores da App Store do que nunca, principalmente por ter organizado a WWDC 2010 sem dar atenção a nenhuma novidade para o Mac OS X — até houve algumas, mas não vem ao caso discutir coisas que a Apple quer que fiquem fora dos holofotes através dos seus acordos de confidencialidade. Todavia, existem boas razões para isso: a plataforma móvel da empresa realmente está numa ótima fase, merecendo a atenção e a necessidade de aprimoramentos que vêm sendo construídas entre sua criadora e seus desenvolvedores.

Por meio delas, os produtos da Apple hoje estão nas mãos de mais de 100 milhões de pessoas, se contabilizarmos donos de Macs no meio dos usuários do iOS. O melhor jeito de uma empresa de tecnologia se tornar influente no planeta neste século é vendendo produtos eletrônicos para consumidores finais (leia de novo; não profissionais muito específicos, tampouco desenvolvedores), sendo isso o que são o iPhone, o iPod e o iPad. Essas três famílias de produtos já possuem a tendência de serem extremamente mais populares do que Macs e dominar os mercados em que atuam, e não é à toa que Microsoft, Google, Nokia e outras empresas estão aprimorando seus eletrônicos comerciais ou adentrando novos mercados nessa área.

iPad, ao lado de iPhone e Mac em keynote
Há sempre espaço para muitas categorias de produtos no mundo da tecnologia.

O próprio Steve Jobs expôs um pouco da sua visão sobre eletrônicos comerciais ao falar na conferência D8, há alguns dias. Suas afirmações são válidas: as pessoas sentirão cada vez menos necessidade de, no futuro, recorrer a um PC para fazer muitas coisas, sejam de ordem básica ou média-avançada. Em alguns pontos isso é uma realidade, capaz de fazer quem está no ramo da computação pessoal há muitos se sentir incomodado. Mas não deixa de ser um bom futuro: deixar coisas mais complexas em certos aspectos no passado nos faz prestar menos atenção nos computadores (independentemente de estarem no topo de uma mesa ou no bolso) e mais nas nossas vidas, que às vezes entram em delírio por um ou outro gadget, mas, de fato, só são movidas por pessoas.

Com isso dito, é hora de deixar duas coisas bem claras:

  • O seu iWhatever nunca será capaz de substituir um computador. Não adianta discutir: ele não foi criado para fazer centenas de tarefas avançadas ou para ser controlado com um mouse; ele nunca precisará de utilitários de manutenção e desfragmentadores. Em suma, ele nunca será complexo. Mais e mais tarefas serão possíveis por meio de eletrônicos comerciais, mas o computador como conhecemos sempre estará por perto para cuidar de muitas coisas importantes, assim como os mainframes nunca desapareceram e colocam a comida nas nossas mesas todos os dias (pode acreditar).
  • Embora o iOS seja um sistema operacional que viabiliza aplicativos com qualidade de desktop, do ponto de vista de um desenvolvedor, os gadgets baseados nele são muito mais burros que computadores baseados em um sistema como o Mac OS X, pois você não apenas deve controlá-los para fazerem o que quer, mas também deve fazer isso a partir de outro computador. Não entendeu? Simples: sem o Mac, não existiriam 225 mil apps (e contando!) na App Store. Matar o Macintosh seria a coisa mais imbecil a se fazer, a não ser que a Apple caia na loucura e acredite que colocar seu novíssimo ambiente de desenvolvimento em um iPad resulte em algo (já que é para falarmos em possibilidades).

Se você está se preocupando com o fato de o Mac estar fora dos destaque do momento, não há por que entrar em desespero. Um dos motivos de essa preocupação existir é porque o ser humano não sabe esperar até a hora certa pelas coisas. Olhe o que o Steve Jobs disse quando leu o último artigo de Lyons para Newsweek:

[Ele está] completamente errado.
É só esperar.

Transições e crises vieram e se foram, e o Mac continua sendo a plataforma de computadores que mais cresce na indústria. E sabe qual é uma das causas disso? Porque as pessoas o conhecem graças ao fato de já serem donas de iPods, iPhones ou iPads. Sabendo disso, pra que reclamar da atual atenção dada a eles? Graças a ela, até hoje ninguém sabe o que estará no Mac OS X 10.7, ou seja, tudo corre como esperado… 😉

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