Confira como foi a inauguração da Apple Store Opéra, em Paris (França)

Dia 3 de julho (sábado) foi a data escolhida pela Apple para inaugurar sua segunda loja em Paris (a primeira fica localizada dentro do Carrousel du Louvre). Apesar da inauguração recente, este local fora selecionado pela Apple em janeiro de 2009, e confesso não entender o porquê de tanta demora. Mas a boa notícia é que, mesmo com o atraso, a nova loja da Apple foi aberta. E que abertura: cheia de surpresas! Confira a seguir.

Curiosamente, esta nova loja não é longe da Apple Store Carrousel du Louvre. Pelo contrário: bastam 15 minutos de caminhada para se deslocar de uma para outra.

Porém, este segundo ponto (chamado Apple Store Opéra) faz todo sentido para uma nova loja da Apple: ele é central, altamente turístico (e “local” ao mesmo tempo), perto de uma estação de metrô grande, ao lado de grandes ruas (boulevards), etc.

A abertura estava marcada para as 10 horas da manhã, pelo horário local. Por sorte, atualmente estou morando praticamente ao lado da loja (a apenas cinco minutos de caminhada), ou seja, nem precisei acordar muito cedo para tentar ser um dos primeiros da fila e fazer o registro do lançamento — devo ter chegado por lá às 6h30.

Como aqui é verão (amanhece muito cedo e anoitece muito tarde), o tempo já estava bem claro. A fila não estava enorme, mas visivelmente alguns chegaram de madrugada, pois estavam com espreguiçadeiras, toalhas estendidas no chão, alguns ainda dormiam, etc.

Minha primeira surpresa ao chegar lá foi um dos vendedores da Apple perguntando em qual fila eu queria entrar. O motivo da pergunta é que existiam três: a da abertura da loja, a do iPhone 4 desbloqueado e a do iPhone 4 com contrato.

Peraí, “iPhone 4”?! Foi isso mesmo o que eu ouvi?! Na hora, fiquei até assustado. Como assim, tem iPhone?! Não é novidade que a quarta geração do telefone da Apple vendeu que nem água nos primeiros dias, que o estoque acabou em pouquíssimo tempo e que não foi fácil comprar um (fosse nos Estados Unidos, fosse em qualquer outro lugar).

Como vou morar por cerca de dois anos aqui em Paris, entrei na fila do iPhone 4 com contrato. A única notícia não muito boa foi que só existiam iPhones 4 de 16GB (nada de 32GB, para os mais espaçosos como eu). Mas tudo bem, eu estava satisfeito por poder comprar o telefone da Lê (minha esposa). O meu, de 32GB, teria que esperar mais um pouco.

Aí veio a segunda surpresa: a fila para entrar na loja (inauguração) estava razoavelmente pequena. A fila do iPhone 4 desbloqueado era enorme! E a fila do iPhone 4 com contrato? Bem, eu era o quarto da fila, ou seja, muito pequena! Entrei e por lá fiquei até as 10 horas. Mas muitas coisas aconteceram, nesse ínterim, e uma delas foi a terceira surpresa: o tratamento que nós, clientes, recebemos na fila. Sério, coisa de primeiro mundo. Tudo muito organizado, sem bagunça, sem discussão. Além disso, havia água, café e croissant da Starbucks passando toda hora.

Por ser um grande lançamento, é claro que a mídia também estava presente. Alguns que estavam na fila foram entrevistados, como estes fãs declarados que estavam na minha frente:

Tudo muito bom, tudo muito bem, até que o tempo fechou. E fechou mesmo! O céu ficou preto e as primeiras gotas começaram a cair. Quarta surpresa: os vendedores começaram a correr de um lado para o outro e, de repente, apareceram com vários guarda-chuvas!

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=gfWGZ-XBEH4[/youtube]

Eu pensei que, por causa da chuva (acreditem, era muita água), a inauguração poderia ser adiantada. Engano meu: as portas da loja só abriram às 10 horas. Porém, um pouco antes (uns 15 minutos), a maioria dos vendedores foi para a porta fazer aquela festa para animar o pessoal (e, é claro, para a equipe de vídeo contratada pela Apple para filmar a abertura). 😛

Pontualmente às 10 horas as portas se abriram! A primeira fila que entrou foi, obviamente, a da abertura da loja, seguida da minha (iPhone 4 com contrato), e depois a do telefone desbloqueado. Muita festa, animação, gritos, gente filmando, tirando fotos, etc. Todos que entraram na loja ganharam uma camiseta especial da inauguração, além de um calendário com os eventos programados para o mês de julho.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=-5tYH-wHPbQ[/youtube]

Quinta surpresa: existia um vendedor para cada cliente que quisesse comprar um iPhone 4 com contrato. No caso, a vendedora que me recebeu perguntou qual iPhone 4 eu queria, se o de 16GB ou de 32GB. Peraí: iPhone 4 de 32GB?! Ué, só tinha 16GB, não? Não! Havia algumas unidades do iPhone 4 de 32GB e eu rapidamente peguei uma pra mim (além do de 16GB, que já estava separado).

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=jGn_RybczeA[/youtube]

Por curiosidade (apesar de estar na fila do iPhone com contrato) perguntei se poderia comprar também um iPhone 4 desbloqueado. A vendedora disse que sim, poderia (dois por pessoa). Na hora, pedi duas unidades! 😉

Particularmente, achei a loja fantástica — completamente diferente das tradicionais Apple Retail Stores espalhadas pelo mundo. Algumas lojas europeias estão localizadas em construções bem antigas, provavelmente tombadas pela prefeitura local. Com isso, a Apple é obrigada a manter a fachada original do prédio.

Mas isso não se reflete no interior, pois normalmente ele é completamente modificado. No caso específico da Apple Store Opéra, parece que nada foi mexido. A impressão que eu tive foi de que apenas restauraram a fachada e o interior do prédio, deixando-o pronto para receber a loja. Nada de escada central e nada de vidro (para você ter uma ideia, a loja nem possui vitrine). E acredite, ela é linda!

Confira algumas fotos e um vídeo da loja:

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=PGkUxFtd9LA[/youtube]

Sexta surpresa (infelizmente, esta negativa): como disse, a loja abriu às 10 horas e, às 10h15, a vendedora começou o martírio que seria a ativação dos dois aparelhos. Escolhemos a operadora (SFR), o plano e entregamos os documentos para abrir a conta.

Primeira tentativa feita, nada. A vendedora ligou para a operadora e descobriu o problema; nós escolhemos um plano que possui o seguinte benefício: você escolhe três números da operadora e cadastra para falar de graça com eles. Como nós ainda não tínhamos números para cadastrar, a vendedora preencheu essas três linhas com os famosos “00000000”. O problema é que, para quem ainda não tem números para cadastrar, é preciso preencher esses espaços com números específicos dados pela operadora.

A vendedora viu que tinha feito besteira e deixou essa linha de lado, partindo para uma segunda ativação. Nessa segunda, ela colocou os tais números e a ativação aconteceu perfeitamente.

Enquanto as linhas eram ativadas, reparei que alguns executivos da Apple estavam presentes no local — só reconheci por causa dos crachás “Apple Corp”. Eu e Lê puxamos assunto com um deles. Conversa vai, conversa vem, descobrimos que ele era inglês (trabalhava na Apple UK), engenheiro, e estava lá para assegurar que tudo ocorreria bem na inauguração da loja. Existiam alguns outros executivos perambulando pela loja, e todos falando inglês. Tive impressão que foi de que a Apple UK é o quartel general da Apple aqui na Europa. Fiquei me perguntando qual o papel da Apple França, já que no lançamento de uma grande loja do país, os executivos presentes me pareceram ser todos ingleses, da Apple UK.

Voltando ao iPhone 4: já na terceira tentativa, mais problemas. Ao tentar ativar a terceira linha (a primeira deu erro e a segunda não), a vendedora cadastrou um número que já estava ativado como sendo um número gratuito. Pronto, a casa caiu: o número estava ativado, mas ainda não estava funcionado. Resultado: ativação da terceira linha não concluída. A partir daí, o sistema (sempre ele) começou a fraquejar e nada mais pôde ser feito. A vendedora pediu desculpas e pediu para retornarmos mais tarde para completar a ativação.

Depois de passar cinco horas (ou mais) na Apple Store, eu fui pra casa. De tarde pra noite, voltei à loja para enfim finalizarmos a ativação da linha. Cheguei e a situação era a mesma: a vendedora disse que nada poderia ser feito e pediu para retornamos na segunda! Não aceitamos essa “desculpa”; ficamos e insistimos para que alguém fizesse alguma coisa para ativar a linha.

Depois de muitos minutos, um outro vendedor apareceu. Explicamos tudo o que tinha ocorrido e pedimos para eles tentarem uma quarta ativação (quarta linha). O problema é que já existiam três linhas em nosso nome (uma ativada e duas aguardando aprovação, o “ok” da operadora). Insistimos e o vendedor tentou essa quarta vez, afirmando que nada aconteceria, pois o sistema não estava recebendo ativações.

Para a surpresa de todos, a ativação foi concluída com êxito! Nosso único problema agora é que temos mais duas linhas em nosso nome que não foram ativadas e que precisam ser canceladas. Mas a própria Apple disse que resolveria isso com a operadora na segunda-feira — claro que eu vou passar na loja pra ver se as linhas foram realmente canceladas.

Depois de horas e horas, estávamos com os aparelhos e linhas ativados. Saímos da loja cansados, mas felizes. O saldo final, com toda a certeza, foi positivo. A experiência teria sido ótima e incrível, se não fosse o problema da ativação.

Ficou claro o que já sabíamos: a Apple é capaz de exercer uma influência enorme nas pessoas. E esse é um trunfo enorme da empresa. Não é comum vermos pessoas chegando às 2, 3 horas da manhã para ficar em uma fila “apenas” para ver uma nova loja da Maçã. Também não é comum ver como essas pessoas ficam empolgadas, felizes, com o clima que paira no lugar.

Ok, estamos falando de fãs ávidos por esse tipo de experiência. Mas hoje eu vi pais, mães, crianças, “pessoas normais” (não fãs da empresa) entrando na loja com um sorriso de orelha a orelha, apenas por estarem participando de um evento com um clima pra lá de bom. Vi pessoas recebendo a camisa da Apple Store sem entender como aquilo era possível.

“Ah, calma lá! São apenas algumas camisas. O que é isso para uma empresa que possui US$50 bilhões em caixa?” Eu participei da “festa” e posso responder: não é a camisa. É o fato de você sair com uma lembrança de um momento importante para a empresa (e para os fãs). É o fato de ela respeitar as pessoas que fazem esse momento acontecer (nós), sabendo que alguns ficam horas na fila. E é por isso que ela oferece café, comida, água, guarda-chuva, etc.

Ao meu ver, respeito, admiração… são mútuos. E aí, como sempre, os detalhes — a Apple é ou não é a empresa dos detalhes? — fazem a diferença: não é qualquer camisa. É uma camisa bonita, de boa qualidade (marca American Apparel). Não é um café ou croissant: são garçons uniformizados da Starbucks, passando de 15 em 15 minutos.

Mas é incrível como algumas parceiras (neste caso, uma operadora com a ajuda da vendedora) têm potencial para estragar um momento como esse. E confesso que foi por muito pouco que não estragou.

Confira mais fotos da abertura nesta galeria, criada por este que vos escreve.

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