Repórteres fazem tour pelos laboratórios secretos onde a Apple testa seus produtos

Laboratórios com antenas do iPhone 4, na Apple

Uma das causas levantadas para todo o caso envolvendo a antena do iPhone 4 foi o fato de um protótipo ter sido encontrado dentro de uma case que o mascarava como um iPhone 3G(S). “Se o protótipo era testado em campo dentro de uma case”, muitos pensaram, “é lógico que ninguém ia perceber o Death Grip®!” Para descartar de vez essa hipótese, um dos objetivos da coletiva de ontem foi mostrar o quanto a Apple testa exaustivamente seus produtos.

Laboratórios com antenas do iPhone 4, na Apple

Além de divulgar imagens das suas câmaras anecoicas e comentar o investimento em pesquisa e testes, a Apple levou alguns dos repórteres que compareceram ao evento de ontem para conhecer seus laboratórios secretos em Infinite Loop. “Secretos”, porque nem mesmo todos os empregados da Maçã têm acesso a eles. Na verdade, as instalações são conhecidas apenas como “black labs” e esta é a primeira vez que seu interior é revelado.

O pessoal do Engadget e da Wired.com participou de um tour com outros membros da mídia e, apesar da óbvia restrição quanto à produção de imagens dentro das instalações da Apple, eles têm algumas coisas curiosas para contar a respeito do que viram por lá.

Além de um batalhão de membros da equipe de RP da Apple (provavelmente todos de olho no bom comportamento dos convidados), os visitantes foram recebidos por Phil Schiller, Greg Joswiak, Bob Mansfield e pelo engenheiro Ruben Caballero (aquele, do rumor da Bloomberg). Os repórteres foram conduzidos até os laboratórios em um prédio próximo ao centro do Infinite Loop e tiveram que atravessar uma série de portais e longos corredores para chegar ao ponto onde são feitos testes.

Os aparelhos são rotacionados durante os testes para obterem-se medidas em todas as direções.

No local, uma espécie de galpão de concreto e aço, além de várias mesas cobertas com panos pretos (protótipos?!), os repórteres conheceram algumas das câmaras anecoicas blindadas, entre elas uma com formato de “bico” (acima) e outra, chamada internamente de “Stargate” (abaixo). Elas servem, respectivamente, para fazer testes passivos (sem interferência) e ativos (com interferência) de equipamentos. No momento da visita, um iPad estava sendo testado no “bico” de oito metros de comprimento — câmara esta que teria custado US$1,2 milhão.

Cada + amarelo é uma antena diferente, usada para captar o nível de absorção
em 360º ao redor do aparelho durante seu uso normal.

Aqui vem uma curiosidade: o teste é monitorado, obviamente, por software. Eis que o tal programa roda em Macs, mas no Windows XP. Tipo, nem o Mac OS X, nem o Vista, nem o 7: Windows XP (éks-pi!). Pois é, eu também fiquei surpreso — e olha que o Phil Schiller disse que este é “o laboratório de estudo de rádio-frequência mais avançado do mundo. Os designs que criamos não seriam possíveis sem eles.” Pelo visto a Microsoft ainda vai penar muito pra matar esse bicho… 😛

Também são empregadas nestes laboratórios partes sintéticas que imitam as propriedades físicas do corpo humano: mãos, cabeças e pés(!) de plástico e borracha. Sim, pés de mentira são usados para testar os acessórios Nike+ — ou você pensou que o comprometimento com acessibilidade da Apple chegava a esse ponto? Além disso, o desempenho em condições reais de uso é testado com uma van cheia dessas mãos segurando iPhones. O veículo circula a diferentes velocidades, em vários tipos de cenário (autoestradas, centros urbanos, etc), e eventualmente uma pessoa participa dos testes, segurando o aparelho durante chamadas.

Então está aí: antes de ao menos ser finalizado, o iPhone 4 já passara uns dois anos sendo testado nestas câmaras e analisado inclusive com o uso de tomografia computadorizada para que tudo saísse perfeito — e quaaase saiu. Há um vídeo no Apple.com que mostra algumas das instalações aqui comentadas, então lembre de dar uma passada por lá para ver um pouco do que a Maçã guarda em Cupertino. Não é o mesmo que estar lá, mas já dá um gostinho da coisa sem requerer manobras à la “Missão Impossível”. 😉

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