Tutorial: como se conectar a serviços no exterior usando uma VPN

Logo do Strong VPN

por Cesar Barscevicius

Já fazia um certo tempo que eu invejava os serviços fornecidos por Netflix, Pandora, Hulu e outros similares — que, em sua maioria, fornecem conteúdos de mídia via internet. A inveja não era causada pelos exorbitantes preços praticados pelas companhias, pelo contrário, alguns desses serviços são oferecidos livremente pela internet — isso mesmo, de graça. O maior problema é que tais companhias não permitem que usuários internacionais — fora dos Estados Unidos, em geral — tenham acesso a esses conteúdos.

Os estúdios que detêm os direitos sobre os filmes, músicas ou o que quer que esteja sendo transmitido não permitem que esses conteúdos “saiam” dos países para os quais estão licenciados, por uma série de razões. O controle é feito quase sempre pelo IP utilizado para acessar o site ou serviço. Se o endereço for rastreado fora da área geográfica estipulada, nada feito.

Logo do Strong VPNDurante algum tempo engoli essa história e me contentei com o YouTube e aluguéis de DVD para assistir às minhas séries favoritas, mas recentemente, durante buscas pela internet e em fóruns de discussão, descobri um caminho para superar essa limitação: VPN.

A sigla — vinda do inglês Virtual Private Network, ou Rede Particular Virtual — é uma rede de comunicação privada que funciona sobre a internet, a qual é pública. Esse recurso é muito utilizado por empresas para proteger informações criando túneis de comunicação criptografada. A conexão é estabelecida com um servidor externo, o que possibilita a utilização de um IP desse servidor para acessar a internet.

Esse é o pulo do gato. Como Netflix, Pandora & Cia. usam o IP pelo qual você acessa o conteúdo deles para determinar onde você está no planeta, com uma conexão VPN e seu IP dos EUA, Inglaterra, ou em qualquer lugar que o servidor esteja, essas companhias passam a permitir o acesso caso o endereço esteja na área estipulada por elas.

Entretanto, para fazer com que a mídia trafegue rapidamente, você precisa de uma conexão de boa qualidade. Existe uma infinidade de serviços VPN por aí. Uns de graça, outros bem baratos e aqueles que custam um pouco mais. Minha escolha foi pela StrongVPN.com, que possui um plano custando US$55 por um ano de serviço e permite escolher entre três servidores — dois nos EUA e um na Inglaterra —, com a promessa de boa velocidade e conexão confiável.

VPN no Mac OS X

Depois de receber os dados do servidor e as senhas via email, adicionei as informações nas Preferências do Sistema (System Preferences), criando uma nova rede VPN. Tudo muito simples. E voilà, em poucos minutos já estava conectado ao servidor. A primeira verificação foi entrar em um site para verificação de IP; tudo como previsto. Meu IP, de acordo com o site, era de San Francisco, EUA. Justamente o servidor que havia escolhido para operar na VPN.

Verificação de IP em conexão VPN

Agora só faltava fazer o login no Netflix ou entrar no Hulu, Pandora e todos os outros serviços que possuem restrições a usuários internacionais, para ver se a coisa funcionava mesmo. E funciona! 🙂

Netflix acessado via VPNNetflix acessado via VPN

Outro uso interessante é nos dispositivos com o iOS, que também são compatíveis com VPN. No iPad, especificamente, há um app da rede de TV americana ABC (grátis; 2,5MB; requer o iOS 3.2 ou superior) que eu possuía instalado e não podia usar, pelos mesmos motivos de direitos internacionais. Depois de configurar a conexão VPN nas configurações do iPad, o acesso ao app também passou a ser possível.

VPN no iPad

Tenho usado os serviços por alguns dias e até agora não notei nenhuma dificuldade ou problema com a conexão VPN. A velocidade de conexão é bastante satisfatória, porém notei uma queda de aproximadamente 10% da velocidade integral de conexão com a VPN desligada. Essa queda de desempenho não interfere na qualidade do tráfego de um vídeo do Netflix, ou algo do tipo. E não há problema nenhum em desconcertar do VPN para obter velocidade integral, quando necessário.

Existem até mesmo alguns modelos de roteadores Wi-Fi que fazem conexões VPN diretamente, tornando todos os aparelhos conectados à rede sem fios parte do “túnel” com o servidor externo. Isso pode ser útil para aqueles que pensam em usar um console para assistir a filmes do Netflix numa HDTV widescreen com um PlayStation 3, por exemplo, que não suporta nativamente redes VPN.

Pagando US$55 você tem um ano de acesso a serviços excelentes e que são oferecidos a custo zero, ou por alguma pequena mensalidade extra. Na minha opinião, o melhor seria se os estúdios liberassem os direitos internacionais de todas essas mídias, para que não fosse preciso gastar tempo e dinheiro com soluções como esta. 😉 Mas, como as chances de isso acontecer são bem remotas e como esta é a única solução aparente, prefiro pagar cerca de R$10 por mês para ter acesso a esses serviços.

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AVISO: A transmissão de conteúdos de mídia para localidades não aprovadas pelos estúdios que detêm os direitos sobre as mídias pode violar os termos de uso desses serviços e permite aos seus controladores total liberdade de bloquear sua conta ou IP caso você seja descoberto violando esses termos. Portanto, proceda por sua conta e risco. 😉

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