Pixel-Show 2010 em São Paulo: segundo e último dia de evento

Logo do Pixel-Show

Domingo começou com sol e muitos criativos madrugando para o segundo dia de palestras do Pixel-Show 2010. A conferência, que aconteceu neste fim de semana na FECOMERCIO [saiba aqui tudo sobre o primeiro dia], atraiu além do público pagante para as palestras vários interessados em conhecer a Feira de Arte com workshops e exposições gratuitas.

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A primeira palestra do dia foi com Felipe Bedoya, da Colômbia. É expoente da Arte Lowbrow, movimento artístico que nasceu nos anos 1970, na Califórnia (Estados Unidos). Tem origens no underground comix, com música punk e outras subculturas da região. Alguns chamam de surrealismo pop, mas com certeza é uma arte alegre cheia de sarcasmo e malícia, como vi na palestra. Seu trabalho tem um visual muito forte, inspirado no universo infantil, porém com um lado bem malicioso.

Dimitre

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Após um curto intervalo foi a vez do gaúcho Dimitre de fazer sua palestra. O artista, que já fez trabalhos para a HBO, Trama Virtual, MTV, entre outros, falou de sua infância, na qual teve o contato com o desenho, e que seu primeiro contato com programação aconteceu no primeiro computador que teve em casa.

Decidiu cursar Desenho Industrial (antigo nome do curso de Design) sem ter certeza do que era. Teve a oportunidade de trabalhar com música e desenho numa gravadora e ficou por lá, como empregado, por três anos — ressaltando a importância de também poder fazer projetos pessoais nesse período.

Desde 2004 resolveu trabalhar como autonômo com artes visuais, design gráfico e programação. Falou com o que se preocupa quando está criando fontes e como foi o processo de criação e desenvolvimento da abertura para a série “Alice”, da HBO. O que chamou a atenção na palestra foi ver como o lado programador de Dimitre o auxilia na artes visuais. Para criar padrões visuais, muitas vezes usando um código de programação, ele mostrou ser possível unir o tão temido conhecimento de códigos de programação com as artes visuais.

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IndioSan

Na sequência veio Índio San, natural de Santiago, no Rio Grande do Sul, que mostrou como seu trabalho integra fotografia, pintura e arte sequencial. Trouxe trabalhos feitos para a Abril, Globo, MTV, Rolling Stones entre outros. Considera trabalhos de imersão e projetos pessoais o ideal, pois é nesses que você consegue se envolver com todos os processos — até o final, e não apenas uma parte, como acontece quando são projetos comerciais.

Seu último trabalho, o livro ilustrado “Pastoreio”, foi lançado no Pixel-Show. Índio mostrou toda a fase de produção do livro e como não conseguiam nunca publicar, até que depois de uma ação entre amigos vieram as primeiras 1.000 cópias. Além do lançamento, o artista também autografou os exemplares vendidos.

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PauloCaruso

Depois do almoço voltamos para o auditório para conferir Paulo Caruso. O caricaturista, com mais de 40 anos de carreira, é um figura histórica no meio das charges e afins — a “arte da irreverência”, como ele definiu —, tendo também se revelado um ótimo cantor! Fomos brindados com performances a cappella que ele usava para falar de diversos trabalhos que apresentou. Paulo mostrou que a ironia que usa nas suas charges também se faz presente em suas canções. O artista falou sobre a importância da liberdade de expressão para o seu trabalho, que tem como meta a reflexão.

JasonManley

Tivemos um curto intervalo para um café (pago…) ou um Red Bull (dado! Valeu, Pixel!) e então veio a última palestra do Pixel-Show em São Paulo: Jason Manley — o presidente da megaprodutora Massive Black. Esta foi de babar, dar inveja boa, querer morrer e voltar, tal a qualidade do material que ele mostrou!

Na sua produtora, ele cria concept arts para ambientes, carros e personagens, seja para cinema ou games. Sua produtora é responsável pelo visual dos jogos God of War, BioShock e Silent Hill, além de ser o fornecedor principal da Sony. Isso foi só o inicio da palestra, porque, assim como Bobby Chiu deu dicas para os artistas que estão começando, Jason também focou sua apresentação em iniciantes.

Ele falou do seu projeto Conceptart.org, uma comunidade online de ilustradores que reúne profissionais e estudantes. Explicou a importância desse conceito de troca de experiências e como ele agrega conhecimento e divulga o trabalho. Explicou com detalhes como o artista deve se posicionar em comunidades e redes sociais para atrair clientes e pessoas que sejam alinhados com o seu pensamento.

“É importante encontrar gente que esteja fazendo o que você gosta de fazer. Mostrem seu trabalho e sejam receptivos. […] De talento você pode precisar, mas sem aprendizado e conhecimento você vai estagnar na carreira”, disse Jason. Ele fala desses percalços com conhecimento de causa, já que foi assim que atraiu vários clientes gigantes como Microsoft, Sony entre outros. O aprendizado é uma constante para o profissional de concept arts.

Jason falou de um assunto muito delicado para todos os criativos: como movimentar seu negócio usando as redes sociais? Foi ótimo tê-lo no palco explicando como usar seu Facebook e/ou seu LinkedIn de forma profissional, com foco para atrair contatos interessantes e também trabalhos, mostrando seu conteúdo.

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Assim acabou a edição deste ano do Pixel-Show em São Paulo. Foram tantas dicas, verdadeiras aulas! Ouvir o que já passaram profissionais de tal calibre até nos deixa com a sensação de que não é impossível chegar a essa qualidade profissional. Mas não é que o caminho fique menos difícil: o que fica é a certeza de ser possível passar por ele.

E que venha o Pixel-Show 2011! 😉

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